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Rui continua a não soar a ‘Vitória’. Onde andas tu, grande Benfica?

João Reis · 6 min

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Após as más memórias de uma campanha deprimente na anterior edição da liga dos campeões, o Benfica tem a obrigação de fazer mais e melhor este ano. Não haverá desculpas algumas para mais fracassos, até pelo esforço financeiro de que o clube foi sujeito, para entregar ao staff técnico todas as ferramentas para alcançar o sucesso europeu.

O sorteio que ditou o grupo E com Bayern München, Ajax e AEK, não foi de todo mau. Avaliando os outros possíveis adversários que poderiam ter calhado, o Benfica tem a obrigação de fazer valer este sorteio e passar à próxima fase. Mas tudo isto aplica-se à teoria, porque na prática, o que se tem visto, traz uma opinião bem diferente.

Jogando em casa, diante do colosso Alemão, Bayern München, os encarnados tiveram desde logo na primeira jornada da fase de grupos, um dos jogos mais difíceis. A jogar contra o campeão alemão, na melhor das hipóteses teria que o Benfica pelo menos arrecadar um empate. E não falo de uma vitoria porque seria expectável que algo não acontecesse. Pelo menos para quem não tivesse atento ao que têm sido estes últimos três anos.

Ao que me refiro, são as paupérrimas exibições. A falta de carisma que se reconhece a este Benfica, faz com que me pareça que todas as possibilidades de passagem aos oitavos de final, sejam meramente uma fantasia.

Rui Vitoria continua a ser o elo mais fraco desde Benfica Europeu
Fonte: SL Benfica

O que se reconhece realmente, ao longo destes três anos, é a falta de uma identidade própria. Uma equipa coletiva, dentro de campo, tem de ter comportamentos pré-estabelecidos e consolidados para que esteja mais próxima da vitória. Isto é, se quiser estar perto do sucesso, tem de ter uma ideologia uniforme. Uma proposta que tenha dentro dela os princípios e sub-princípios de uma equipa vencedora.

Começa a ser desgastante para um adepto fervoroso, ver o seu clube a queimar etapas nas provas europeias, perdendo fulgor ano após ano. Verdade que o fosso que se tem criando para os grandes clubes europeus, a nível financeiro, não tem ajudado. Mas o jogo continua a ser onze contra onze, e o que tem de prevalecer é o coletivo, só depois vem o individual como último recurso. Para isso é que existe o treino e o treinador. Se nada disto fizesse sentido, para que haveria treinos durante a semana ou até mesmo treinadores?

E é exatamente a isto tudo que me refiro, que aconteceu mais uma vez hoje, no estádio da luz, na hora nobre e no maior palco de todos.

Não querendo falar muito sobre as importâncias nos momentos do jogo, porque por si só não valeria a pena, pois, o jogo foi muito mau, o Benfica limitou-se a mostrar o mesmo que há dois ou três anos atrás. O mais do mesmo, e mal inclusive. Começa a tornar-se pouco para tanta qualidade e quantidade individual no plantel.

Os alemães não precisaram de soar muito para ganharem o encontro. Foi fácil a maneira como controlaram o jogo sem qualquer problema algum em momento nenhum. Qualquer perigo que o Benfica criou foi por erro crasso do adversário.

E o resultado não transparece a velha frase de que – ‘Há, mas não havia nada que pudéssemos fazer! É uma diferença abismal de orçamentos! Não vale a pena sonhar!’. É com este tipo de afirmações que o espetáculo da imprevisibilidade vai desaparecendo. O futebol sempre foi, e espero bem que continue a ser, um desporto imprevisível. Aliás dos mais imprevisíveis que existe.

Sálvio esteve muito à quem do que mostrou até agora
Fonte: SL Benfica

Podíamos estar nós, aqui, o dia todo a debater sobre se o Benfica seria ou não capaz de vencer este Bayern. Mas a verdade é que podia com toda a certeza vence-lo. Mas para isso acontecer teria que o Benfica fazer muito mais e melhor. E os princípios que são transportados para dentro das quatro linhas, demonstram o que se trabalha no treino.

Sendo o treino a base constitutiva de uma estrutura homogénea ao que se chama, ‘equipa’, podemos muito bem apontar o dedo a um simples fator de insucesso… Ao que me refiro, Rui Vitória.

Há muito que se fala sobre a relação entre o Rui versus ‘vitória’. Não reunindo um consenso geral, é provável que mais cedo ou mais tarde, dependendo do que irá ser o final desta época, poderemos estar perante um cenário de mudanças.

Não acredito de todo que o Benfica consiga repetir o péssimo feito da época passada, mas também me custa acreditar, que pelo que vejo, seja capaz de passar à próxima fase. Tudo à base de uma análise feita ao que a equipa emprega no jogo.

Atualmente o Benfica tem um onze inicial muito fraco. André Almeida não chega nem sequer para os jogos de maior dificuldade do campeonato, quanto mais para os jogos da exigência da Champions. Salvio completamente desaparecido do jogo. É fácil fazer o que faz nos jogos do campeonato de menor exigência, mas quando se trata de apanhar jogadores pela frente como Alaba, aí as coisas mudam de figura. Pois é nestes jogos que se vê quem realmente é bom. Seferovic andou mais tempo fora da área que propriamente dentro dela e sem saber o que fazer à bola quando a tinha nos pés. Cervi nem sequer vale a pena referir…

É fácil para um adepto dizer que o Benfica está a jogar bem, quando ganha por 4-0 em casa ao Vitória FC (exemplo), mas quando se depara com adversários do mesmo calibre, a equipa torna-se quase nula no seu todo. A maior prova disso, até mesmo no campeonato, é que desde a chegada de Rui Vitória ao clube da luz, o Benfica mal conseguiu ganhar os jogos contra os ditos grandes (rivais Porto e Sporting).

É muito perigoso pensarmos que este Benfica com Rui Vitória seria capaz de algo inédito. Tal como quando se perde não está tudo mal, quando se ganha também não está tudo bem. A falsa sensação que foi criada e gerada pelos benfiquistas de que com aqueles dois campeonatos ganhos seguidos, que o novo treinador seria o ideal para comandar o clube ao sucesso, foi o maior causador dos insucessos que têm vindo acontecer aos poucos e poucos.

Os processos consolidados por parte da equipa que foi demonstrada hoje em campo, continuam a ser os mesmos de épocas anteriores. Inclusive as maiores fragilidades que se notaram no ano passado, por cá continuam este ano. Seria deprimente ver este Benfica novamente relegado para fora das competições europeias.

Velhos tempos de glória encarnada com Nené ao leme
Fonte: SL Benfica

Hoje mais uma vez, viu-se onze jogadores sem saber o que fazer coletivamente. Continuam sempre a esperar que o rasgo individual apareça em momentos de aperto. Tirando isso, pouco ou nada se pode esperar desta equipa comandada por Rui Vitória.

A próxima jornada joga-se fora, na Grécia frente ao AEK de Atenas. Um jogo crucial em que o Benfica se vê quase obrigado a ganhar, pois se não o conseguir, mais difícil será contra o Ajax em Amesterdão. Ficando logo sem pontos nenhuns ou só com um aquando da quarta jornada da fase de grupos, seria a procissão de morte para o Benfica. Eventualmente, nem sequer a liga europa estaria ao alcance. Mas nem vale a pena pensar em piores cenários, bastando por agora esperar por um bom resultado no próximo jogo, ou mesmo por um Benfica à ‘antiga’ que tarda em aparecer.

Foto de Capa: SL Benfica

João Reis

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