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Partiu Eusébio.

Partiu o maior entre os maiores, símbolo do Sport Lisboa e Benfica, símbolo de Portugal, Deus negro do mundo. Os mitos e os heróis não deviam partir. Partem fisicamente, sim, mas no coração de quem ama o maravilhoso futebol, perduram para a eternidade. Eusébio deixa-nos 733 golos para sempre e tantos outros sonhos benfiquistas por ele tornados realidade. Uma estátua em vida mostra bem a grandeza do melhor futebolista português de sempre. Não escolhe países nem clubes, Eusébio é de todos nós. Do pé descalço em Moçambique ao topo do mundo. Dos 5-3 à Coreia a rejeitar marcar um livre directo pelo Beira-Mar num jogo frente ao Benfica porque sabia que seria golo.

De Eusébio guardamos o diabo no corpo, os golos em série, o amor pela baliza e pela bola de cabedal, a pequenez que sentimos ao estar perto ou falar de tal monstro. As palavras trazem-nos a amargura de nunca conseguirem expressar os sentimentos na sua plenitude. Tentamos e experimentamos, mas sentimo-nos sempre esmagados pela imponência de ver os vídeos de um Deus negro na busca apaixonada pelo golo. À equipa de futebol do Sport Lisboa e Benfica, peço apenas que saiba honrar a memória do nosso maior símbolo com a conquista do campeonato. Ao Benfica, obrigado por o ter homenageado em vida. Hoje partiu um pedaço do nosso país, mas morrer é só deixar de ser visto.

 

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Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís Vaz de Camões

Comentários

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Apoia o Sport Lisboa e Benfica (nunca o Benfas ou derivados) e, dos últimos 125 jogos na Luz, deve ter estado em 150. Kelvin ou Ivanovic não são suficientes para beliscar o seu fervor benfiquista.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.