No fenómeno futebolístico, existem várias personalidades: os que se destacam por envergar a camisola de um só clube, os que sempre pautaram a sua carreira pelo respeito para com o adversário, os talentosos que deslumbram com a classe com que jogam, os que cativam os adeptos e os próprios companheiros de equipa… E depois há Shéu Han, que reuniu todas estas características.

Shéu Han; só assim. Simples no nome, tanto quanto simplificava nos relvados. Nascido na vila moçambicana de Inhassoro, a 03 de Agosto de 1953, notabilizou-se ao serviço do Sport Lisboa e Benfica, equipa que serviu durante toda a sua carreira futebolística. Ao todo, foram 19 as temporadas de águia ao peito (duas delas enquanto júnior), desde 1970 até 1989. Muitos não viram jogar Shéu – eu não vi, por exemplo –, mas, do que é contado pelos mais velhos, tratava-se de um jogador extraordinário. Médio-centro de tremenda classe e que se movimentava com pézinhos de lã, acrescentava perfume e calma ao jogo. A figura tranquila e sóbria que vemos hoje em Shéu, é exactamente a mesma de quando pisava os relvados. Foram 489 jogos realizados e 45 golos apontados que ficaram para a História do Clube, bem como os 17 títulos conquistados (nove Campeonatos, seis Taças de Portugal e duas Supertaças).

Shéu não é caso único no universo de jogadores que dedicaram toda a sua carreira futebolística ao nível de um só clube. Mas haverá outros como Shéu que, depois de terminarem a sua carreira, mantêm funções nos clubes, dedicando toda a sua vida em prol desse emblema? Eu não conheço muitos. Como referido anteriormente, Shéu terminou a sua carreira em 1989 e, logo no ano seguinte, abraçou o desafio de se tornar Secretário Técnico do SL Benfica. Desde o início da temporada de 1989/1990 – até este mês de Julho de 2018 – que Shéu se manteve neste cargo, tendo ainda pelo meio feito quatro jogos como treinador principal do SL Benfica, no final da temporada de 1998/1999. Foram 48 anos de serviço ao SL Benfica. Perdoe-me o leitor a repetição, mas Shéu merece que escreva este número por extenso: quarenta e oito anos de dedicação a um só Clube – ao melhor Clube –, por parte de uma das melhores pessoas que já passaram pelo Futebol português.

Pese o devido respeito demonstrado por todos, Shéu sempre foi visto pelos jogadores do SL Benfica como um amigo e companheiro de jornada
Fonte: SL Benfica

Segundo se sabe, o ex-Secretário Técnico não irá ainda abandonar o Clube. Afastar-se-á da área do Futebol, mas irá continuar com outras funções. Para nós, Benfiquistas, é óptimo poder continuar a contar com ilustres como Shéu Han nos nossos quadros, pois tratam-se de pessoas que conhecem o Clube e os seus ideais, que o amam como nós amamos e que têm como interesse máximo servir o SL Benfica (e não servir-se dele).

Faltam palavras para descrever o que se sente quando se pensa em figuras como Shéu Han. O SL Benfica é tão grande e existem tantas personalidades no nosso universo, mas este nome estará, sem sombra de dúvidas, para sempre num lote restrito de lendas. Uma vida inteira passada nos corredores do Estádio da Luz, um número infindável de pessoas com quem se cruzou, jovens que influenciou… Enfim, Shéu é SL Benfica e SL Benfica é um bocadinho de Shéu.

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Num vídeo de agradecimento do SL Benfica, Rui Costa, um dos influenciados pela sua figura mítica, dizia que, “para além de um grande Capitão, de um grande jogador, de um grande dirigente, de um grande treinador”, Shéu tinha sido “um grande amigo de toda a gente e isso jamais será esquecido por qualquer geração”. Sem me alongar muito mais, faço minhas as palavras do Maestro.

Obrigado, Sr. Shéu Han.

Obrigado, Sr. Benfica.