A CRÓNICA: BENFICA PERDULÁRIO DEIXA ESCAPAR MAIS UMA VITÓRIA

Um SL Benfica com um orgulho ferido tentou entrar nesta partida a provar o seu valor logo desde início. As águias assumiram o jogo, com muita facilidade em trocar a bola até chegar ao caminho da baliza adversária. Esta atitude impetuosa dos encarnados encostou o Vitória SC às cordas. Ainda assim, a supremacia do clube da Luz não estava a conseguir ir ao encontro da concretização das oportunidades que criava. Estava a faltar cabeça e critério, mas as dificuldades surgiram também porque, do outro lado, estava um Vitória SC coeso e muito solidário defensivamente.

Aos nove minutos, Trmal é chamado a prestar serviço. Depois de um canto batido por Grimaldo a partir da esquerda, Vertonghen tenta cabecear mas o guardião vimaranense agarra a bola sem grandes dificuldades. Dois minutos depois, as águias voltam à carga: Gilberto sobe e faz um cruzamento daqueles quase teleguiados. Apesar disso, Seferovic não conseguiu aproveitar a oportunidade e remata fraco de cabeça para defesa do guarda-redes adversário. Este tipo de oportunidades espelhavam o ascendente encarnado, mas mostravam, por outro lado, a incapacidade da equipa de Jorge Jesus de decidir bem na finalização. Ao longo da primeira parte, o dinamismo do Benfica começou a desvanecer-se. Do outro lado, o Vitória SC começou a equilibrar as contas quanto à posse, ainda que timidamente. Nos minutos finais do primeiro tempo, ainda houve tempo para Pizzi ameaçar o Vitória. O médio furou a defensiva vimaranense, mas não conseguiu fazer com que a bola encontrasse o caminho da baliza.

No regresso dos balneários, a equipa da Cidade de Berço começou a dar um pouco o ar da sua graça. Conseguiu ter mais bola e penetrar de forma mais eficaz o meio-campo do Benfica. Uma mudança de paradigma que foi sobretudo impulsionada pela entrada de Pepelu ao intervalo. Ao longo da segunda parte, o conjunto de Jorge Jesus conseguiu ir crescendo novamente na partida, mas a tendência mantinha-se: a incapacidade de decidir bem no último terço persistia. Aos 69′, houve um exemplo disso mesmo. Acabado de entrar, Gonçalo Ramos ameaçou Trmal, mas o cabeceamento passou ao lado do poste. Seis minutos depois, surge a resposta do conjunto de João Henriques. Na melhor jogada dos vimaranenses até agora, Ricardo Quaresma serve Rúben Lameiras que ainda tenta criar perigo, mas o remate é desviado para fora.

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Os minutos finais seguiram num tom algo “atabalhoado”, com a clara evidência de alguma ansiedade dos jogadores encarnados que não estavam a conseguir impor mais ritmo para chegar ao golo. Isto porque, do outro lado, o Vitória continuou também irrepreensível na recuperação da bola.

Nos minutos finais, ainda houve tempo para oportunidades de ambos os lados. Aos 93′, Pedrinho tinha espaço, tempo, só não teve cabeça. O brasileiro falhou clamorosamente em frente à baliza e rematou por cima. Dois minutos depois, Marcus Edwards protagoniza uma grande oportunidade para o Vitória SC. Um remate forte, com a bola a passar ao lado, mas a tirar tinta ao poste da baliza encarnada. Mais um deslize do Benfica, onde a incapacidade de decidir nos momentos de finalização custou caro aos encarnados.

 

A FIGURA

Pepelu – Só jogou uma parte do jogo, mas foi essencial para a coesão da sua equipa no processo defensivo durante o segundo tempo. O Vitória SC mostrou-se mais confiante na segunda parte, principalmente quando comparado com o primeiro tempo, e muito se deve à entrada de Pepelu, que foi peça-chave para os vimaranenses aguentarem o empate.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Everton – Faltou velocidade e inspiração a este jogador benfiquista neste duelo. O jogo estava a pedir apoio ao ataque encarnado. Algo que Cervi fez de forma exímia durante a primeira parte, mas que Everton não conseguiu ao longo de toda a primeira parte. Uma incapacidade que acabou mesmo por levar à substituição do brasileiro ao intervalo para a entrada de Darwin Núñez.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O Benfica voltou às origens no seu típico 4-4-2, depois de ter apostado numa linha defensiva com três centrais frente ao Sporting CP na passada segunda-feira. Em relação a essa equipa, destaque para a ausência de Darwin Núñez no onze inicial de hoje, sendo que o avançado foi sempre titular em jogos do campeonato até o dia de hoje.

Os encarnados entraram fortes desde início. As águias estavam a ser muito eficientes na recuperação das segundas bolas. Após algum drible ou remate do adversário, estavam a conseguir recuperar rapidamente a posse de bola. E quando a tinha, o Benfica procurou sempre o caminho da baliza vimaranense. Uma boa dinâmica ofensiva, onde o Cervi ganhou especial importância: o jogador encarnado procurou sempre mobilidade, quer pelo corredor esquerdo, quer pelas costas da defesa vimaranense. Uma dinâmica que deu bastantes dores de cabeça ao setor mais recuado da equipa de João Henriques. Everton desempenhou o mesmo papel, mas não conseguir impor tanta velocidade como o seu colega. O Benfica estava a colocar muita gente no último terço do campo. Os laterais estiveram bastante subidos e toda a dinâmica ofensiva benfiquista estava mesmo a carregar sobre as costas dos pupilos de João Henriques. Ainda assim, faltava encontrar a solução nos momentos de finalização.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Odysseas (6)

Gilberto (7)

Grimaldo (6)

Vertonghen (5)

Everton (3)

Cervi (6)

Seferovic (5)

Pizzi (6)

Weigl (7)

Otamendi (7)

Adel Taarabt (6)

SUBS UTILIZADOS 

Darwin Núñez (5)

Gonçalo Ramos (5)

Pedrinho (5)

Gabriel (-)

Chiquinho (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC

O Vitória SC apresentou-se no Estádio da Luz num 4-3-3. No onze inicial, houve três novidades: o reforço de inverno, Rúben Lameiras, Jorge Fernandes e Miguel Luís começaram de início neste duelo frente aos encarnados. Houve uma clara tentativa dos vimaranenses de responder ao ímpeto do Benfica e como? Os médios do Vitória SC recuaram no terreno, mas sobretudo André André. Tudo para tentar controlar o jogo (algo que era o Benfica que estava a fazer) e para conseguir ter mais saída de bola.

Face ao domínio ofensivo do Benfica, o Vitória SC viu-se obrigado a recuar também os extremos: Quaresma e Rúben Lameiras baixaram as linhas para dar apoio no processo defensivo. Um recuo que acabou por causar sérias dificuldades na criação encarnada. Começou a sentir-se alguma previsibilidade do Benfica por isso mesmo, num momento em que começaram a surgir problemas para impor velocidade face a um bloco tão recuado do adversário.

Na segunda parte, a entrada de Pepelu levou à “libertação” de André André para terrenos onde está mais habituado a jogar, numa zona mais avançada. Pepelu passou então a dar esse apoio ao setor mais recuado do Vitória SC. Um apoio que deu ainda mais segurança para este Vitória SC segurar o empate na Luz.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Trmal (7)

Abdul Mimin (6)

Quaresma (5)

André André (5)

Mensah (6)

Falaye Sacko (6)

Lameiras (5)

Oscar Estpupiñán (4)

Jorge Fernandes (5)

André Almeida (6)

Miguel Luís (4)

SUBS UTILIZADOS

Pepelu (8)

Rochinha (5)

Marcus Edwards (-)

Wakaso (-)

Noah Holm (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Não foi possível colocar questões ao técnico adjunto do SL Benfica, João de Deus

Vitória SC

BnR: Disse que a segunda parte tinha sido muito mais dividida. No seguimento dessa análise, quem entra muito bem ao intervalo é Pepelu, que permitiu também a “libertação” de André André para zonas mais avançadas onde consegue ser mais criativo. Pergunto-lhe se acha que esta pode ter sido a peça-chave para o Vitória da segunda parte, uma vez que esta entrada deu mais solidez defensiva e consequentemente  ter mais confiança para atacar.

João Henriques: Sim, foi um misto disso tudo. O Vitória tem sido fustigado pelos casos de Covid. Jogadores a entrar, jogadores a sair. E nós, desde que eu cheguei, só houve dois jogos em que consegui manter o mesmo onze. Porque é difícil. E depois são as caraterísticas individuais dos jogadores. Não que o Miguel Luís tivesse pior do que os outros todos que voltaram na segunda parte, mas, por uma questão estratégica de nós colocarmos lá o nosso pivot no meio-campo, que já está muito rotinado e sabe bem aquilo que nós pretendemos.

Mas disse muito bem, nós com o Pepelu conseguimos ganhar mais bola, primeiras e segundas bolas. Algo que não aconteceu tanto na primeira parte. E isso foi fundamental para nós. Ele (Pepelu) conseguiu fazer aquilo que nós já trabalhamos há algum tempo: fazer com que a bola, quando chega a um corredor, consiga depois chegar ao lado contrário. E nós não estávamos a conseguir fazer.

Melhorámos em vários aspetos. Ao conseguirmos estar melhor posicionados no campo, estamos mais chegados à frente. Se estamos mais chegados à frente, conseguimos recuperar mais bolas no meio-campo adversário. E consequentemente conseguimos criar mais oportunidades de golo. Isto é tudo uma sequência de situações.

O Pepelu não fez treino nenhum antes deste jogo. Estava infetado, tal como o Varela. Felizmente não perdeu as rotinas. E, pelas suas caraterísticas, o jogo estava a pedir a entrada dele. E o André André cresceu no jogo precisamente por isso. Naturalmente, o André Almeida. Conseguiu jogar mais entre linhas para poder fazer ligação para os corredores. E nós na primeira parte não estavamos a conseguir fazer isso. Lá está, na primeira parte corremos menos, mas fizemos mais, criámos mais oportunidades. Fomos melhores.

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