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Foi com uma mistura de sentimentos que Benfica e Zenit se encontravam nesta noite gelada na capital portuguesa. Se por um lado, a última eliminatória da Liga dos Campeões que opôs as duas equipas foi favorável ao Benfica – há já quatro anos – e o Zenit estava sem ritmo competitivo, por outro os russos venceram na última visita que fizeram à Luz e Villas Boas tinha três vitórias em quatro visitas ao estádio encarnado. Os dados estavam lançados, as hipóteses repartidas e o jogo prometia ser um grande espetáculo.

Contudo, a primeira parte foi pobre em oportunidades de golo. O Benfica entrou forte, a assumir as despesas do jogo (era muito importante marcar cedo) e a pressionar alto. Os russos vieram a Lisboa encolhidos, com a estratégia de dar a iniciativa aos encarnados – também para evitar as perigosas transições rápidas do Benfica – e apostar no contra ataque. Apesar do domínio e da fluidez da troca de bola em alguns momentos, a produção ofensiva do Benfica não refletia a superioridade em campo. Apenas dois remates ao longo dos primeiros 45 minutos: o primeiro aos dezoito minutos de Pizzi, que praticamente ofereceu a bola a Lodigin, o guardião do Zenit, quando estava em excelente posição para inaugurar o marcador e ainda, à passagem da meia hora, um grande remate de Jonas de fora da área a rasar o poste. E pouco mais se viu porque os russos conseguiram sempre fechar todas as portas da sua baliza. Num primeiro tempo algo fraco, ficou na retina um roubo de bola de nota artística de Renato Sanches a Hulk, no meio campo, e ainda o único remate dos visitantes, num livre de Hulk, ao lado.

Os mais de 40 mil que estiveram na luz empurraram a equipa para a vitória Fonte: SL Benfica
Os mais de 40 mil que estiveram na luz empurraram a equipa para a vitória
Fonte: SL Benfica

À primeira vista o Zenit tinha regressado do intervalo com outra atitude e atrevimento. Dois remates perigosos do bem conhecido Witsel deixavam a indicação de uma mudança para uma estratégia mais ofensiva. Pura ilusão. O Benfica voltou a tomar conta do jogo e até acentuou o domínio. Não fosse a lentidão de Mitroglou a soltar/conduzir a bola e em contra ataque os encarnados poderiam ter marcado. Depois, foi a vez de Gaitán ameaçar com um remate ao lado. Os russos recuavam cada vez mais, condicionados também pela falta de ritmo competitivo, o que levou a uma já esperada quebra física. Aos 70 minutos, Gaitán voltou a tentar marcar mas encontrou no guarda-redes do Zenit um duro opositor. A partir daqui as oportunidades sucediam-se: remate de Jardel em boa posição ao lado e outro de Eliseu, já nos derradeiros dez minutos, defendido por Lodigin.

Quando também a equipa começava a perder as forças em busca do golo, os adeptos – estes sim os melhores da Europa – deram o empurrão que faltava. Quando já tudo apontava que o jogo acabaria como tinha começado, e já depois da expulsão de Criscito por acumulação de amarelos, Jonas cabeceou para o 1-0 nos descontos. Um golo muito importante para levar uma vantagem, ainda que magra, para a Rússia. Destaque para mais um excelente jogo de André Almeida na direita (Nélson Semedo deverá jogar na segunda mão mas não é por aí que haverá grande sobressalto), para a solidez de Lindelof (fará dupla com Lisandro na Rússia, espero ) e de Pizzi. No início de Março, o jogo vai ser diferente, o Zenit vai apresentar-se com alguma certeza mais forte mas acredito no apuramento. É fundamental marcar fora e bloquear Hulk, como aconteceu hoje. Aí Sanches será determinante.

A Figura:

Jonas – Marcou o golo da vitória nos descontos. Correu quilómetros para ajudar Renato Sanches a levar a equipa para a frente quando era tão importante ganhar. Merece.

O Fora de jogo:

Mitroglou – Pode ser, como é, um matador, um exímio finalizador mas isso não chega. A falta de rapidez com que trata a bola e a fraca qualidade técnica em alguns momentos notaram-se demasiado na sexta-feira e também hoje. Jiménez está à espreita

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