A CRÓNICA: NOVO DESAIRE DEIXA ENCARNADOS A QUATRO PONTOS DA LIDERANÇA

Na Luz houve CD Nacional com a postura positiva de sempre e um SL Benfica notoriamente afetado com o momento negativo que a equipa vive. Aos oito ausentes juntaram-se Odysseas e Everton, também infetados, o que resultou num jogo muito disputado e com oportunidades para os dois lados. Mais uma exibição cinzenta na difícil época benfiquista.

O que não se adivinharia quando se assistiu ao primeiro quarto de hora: um SL Benfica mandão, de olhos postos na baliza e com um grande Chiquinho a surgir sobre o lado esquerdo. Os três primeiros remates da equipa foram dele. Marcou aos sete minutos, após grande iniciativa de João Ferreira (entretanto anulado pelo VAR) e insistiu na mesma ideia aos 14’, já quando não havia forma de contrariar a vontade encarnada. Pensou-se então estarmos na presença de motivos mais do que suficientes para acreditar que iria ser uma noite relaxada, resolvida cedo com serviços mínimos – a abordagem ousada do Nacional originava imenso espaço para ser aproveitado pelas transições rápidas. No entanto, não se confirmou.

Os madeirenses mantiveram a filosofia, não se amendrontaram e começaram a controlar as incidências à passagem da meia hora de jogo. Nuno Borges, que servia como pêndulo da estrutura e Thill, quase sempre nas costas de Cervi, eram figuras em destaque do conjunto e provocavam dores de cabeça aos benfiquistas, que quando tentavam sair em contra-ataque não contavam com a ajuda nem de Darwin nem de Seferovic, pouco acessíveis para segurar de costas e pouco disponíveis para procurar na profundidade o tempo e o espaço que não existia. Eram assim, em vão, as tentativas encarnadas de tentar ir para a frente e opor-se à pressão alta alvinegra.

Voltando para a segunda parte, esperava-se reação encarnada: cedo se percebeu que era esperança fútil, com o golo de Rochez aos 48’. Desatenção na defesa num pontapé de canto,  com a bola a sobrevoar toda a área até chegar ao segundo poste, onde aparece o ponta-de-lança hondurenho a corrigir a trajetória para o fundo das redes.

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Ao critério largo de Rui Costa, que perdoou penalties nas duas áreas e deixou jogar, à inglesa, juntava-se a maior intensidade insular – e o Benfica ia afundando, sem força para contrariar o ascendente adversário. Jesus percebeu que Darwin não dava mais (zero remates em todo o jogo), meteu Gonçalo Ramos e o português demorou três minutos até justificar a entrada em campo, com uma excelente desmarcação e remate perigoso, defendido a custo por Daniel Guimarães.

Pedrinho substituiu Rafa, outro desinspirado, e Taarabt entrou para o lugar de Chiquinho: mas nada de substancial mudou na exibição encarnada, que tentou, timidamente, até final encontrar soluções para desatar a igualdade. Oportunidade clara já perto do fim, com Taarabt a assistir Seferovic perto da linha de golo – mas o suíço, como que a querer confirmar o mau dia que atravessava, embrulhou-se com o capitão Rui Correia – a última das 21 perdas de bola por parte do avançado.

O Benfica pode ficar agora a seis pontos da liderança, em caso de vitória leonina amanhã.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Chiquinho – Grande jogo do médio português, sempre disponível para assumir com bola o jogo da equipa e de criar perigo no último terço. Ainda que sem grande companhia, tentou sempre remar contra a maré e uma mão cheia de bons pormenores justificam nova vida para o médio dentro do plantel. Aproveitou bem a oportunidade.

FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Seferovic – Dia não. A enormidade de perdas de bola, a falta de vontade e infelicidade em muitos gestos técnicos e posicionais impediriam de, em condições normais, cumprir os 90 minutos. Só um menor fulgor em termos físicos justifica tamanha desinspiração.

ANÁLISE TÁTICA SL BENFICA

Voltando ao 4-4-2, Jorge Jesus devolveu Weigl ao meio e entregou a batuta a Pizzi, sempre com Chiquinho a ocupar zonas muito próximas – o que convidou Cervi a explorar a lateral esquerda sem atrapalhações. A dupla da frente não se encontrou com o resto da equipa.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Svilar (5)

João Ferreira (6)

Jardel (5)

Ferro (5)

Cervi (6)

Weigl (6)

Pizzi (6)

Rafa (4)

Chiquinho (7)

Seferovic (3)

Darwin (3)

SUPLENTES UTILIZADOS

Gonçalo Ramos (5)

Pedrinho (5)

Taarabt (5)

ANÁLISE TÁTICA CD NACIONAL

Luís Freire à sua imagem. Veio desinibido à Luz e transmitiu essa confiança aos jogadores. O CD Nacional exibiu-se no habitual 4-2-3-1, pressionou o SL Benfica durante largos períodos e explorou muito bem as costas dos inexperientes – por motivos diferentes – laterais encarnados, onde Thill, Koziello e Gorré tiveram sempre espaço para se recriarem com triangulações. Nuno Borges descia entre os centrais em construção, libertando Witi e Kalindi nas alas – nesses momentos, Francisco Ramos e Koziello assumiam o comando das operações na zona nevrálgica.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Daniel Guimarães (6)

Kalindi (6)

Pedrão (6)

Rui Correia (7)

Witi (5)

Nuno Borges (6)

Francisco Ramos (5)

Koziello (4)

Gorre (5)

Thill (6)

Rochez (6)

SUPLENTES UTILIZADOS

Rúben Micael (5)

Camacho (5)

Lucas Kai (5)

João Victor (5)

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