A CRÓNICA: BEM-VINDOS AO FESTIVAL DE OPORTUNIDADES FALHADAS

Conscientes da importância do seu apoio para embalar a equipa para o triunfo, os adeptos presentes na Luz afinaram as vozes para motivar os comandados de Bruno Lage que tiveram a primeira ocasião da partida frente ao Moreirense FC à passagem do minuto seis, num livre lateral batido por Grimaldo e a tentativa de corte do central Iago Santos quase resultava num autogolo.

A resposta do Moreirense FC apareceu, aos 12’, por intermédio de Fábio Abreu que, na cara de Vlachodimos, não conseguiu direcionar bem o seu remate.

A lentidão de processos ia sendo a nota dominante no jogo encarnado, com os homens adiantados a darem preferência às combinações em zona em que se pedia um disparo à baliza de Mateus Pasinato e isso acabava por impedir a criação de lances perigosos. Apesar do controlo do jogo pertencer sem surpresas ao conjunto visitado, a turma de Moreira de Cónegos não deixou de ir à procura de marcar: em excelente posição para inaugurar o marcador, João Aurélio cabeceou por cima depois de um bom trabalho de Bilel no lado direito.

O lance serviu de mote para o SL Benfica intensificar a pressão para quebrar o nulo que estava a imperar e até Rúben Dias (37’) e Grimaldo (39’) ficaram perto de marcar, mas o 0-0 manteve-se até ao apito de Carlos Xistra para o intervalo.

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O intervalo pareceu surtir efeito para os encarnados, que, logo aos 46′, viu Fábio Veríssimo a apontar para a marcar dos onze metros. Tomás Tavares cruzou e a bola embateu na mão de Gabrielzinho, mas Pizzi quis afastar tanto a bola do guarda-redes que falhou escandalosamente a baliza. Seguia tudo igual e, quatro minutos depois, gritou-se golo… mas foi anulado. Novo centro de Tomás Tavares, à primeira Mateus Pasinato defendeu e a bola foi contra Pizzi, que com a mão atira ao poste. Depois, apareceu Rafa para dar o toque final, porém, o golo foi anulado com a ajuda do VAR.

Quem não marca? Pois é… O Moreirense FC, que estava em sufoco total durante esta segunda parte, conseguiu soltar-se pelo lado esquerdo e congelar o Estádio da Luz. Aos 67′, início de jogada pelo recém entrado Luís Machado, que encontrou Adbu Conté. Este cruzou de modo perfeito para Fábio Abreu aparecer para marcar o primeiro na partida (0-1). O segundo não chegou por mero acaso, não fosse Luís Machado rematar tanto em jeito e estaríamos num cenário muito pior para os encarnados.

Aos 89′, Cervi apareceu como uma flecha para arrancar novo penalti no Estádio da Luz. Pizzi falhou novo penalti, mas na recarga ainda conseguiu empatar a partida a um golo. O tempo adicional mínimo foi de OITO MINUTOS e o SL Benfica carregava para ainda conseguir os três pontos, mas não houve alteração no resultado.

O mês de fevereiro foi péssimo para os encarnados, mas março começou ainda pior com o empate caseiro frente ao Moreirense FC perdeu-se a liderança da Primeira Liga. As águias estão agora com 58 pontos, menos um do que o FC Porto, que é o novo líder com 59 pontos. Quanto aos cónegos ficam em 11.º lugar com 27 pontos e saem de Lisboa com um grande resultado na bagagem rumo a Moreira de Cónegos e à manutenção.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Mateus Pasinato – Fundamental na parada de muitas oportunidades que, certamente, podiam ter dado golo e transmitia segurança ao sua defensiva quando a equipa mais precisava. Defendeu um dos penaltis de Pizzi, mas a bola foi para a frente e acabou por sofrer o golo. Mas sem as suas defesas o Moreirense podia não ter saído daqui com o ponto precioso.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Pizzi – Passes errados, dois penaltis falhados e a única coisa que se safou deste jogo foi o golo do empate. O nível que o médio português nos habituou não está de todo nesta parte da temporada e como já sabemos se estiver apagado os encarnados passam imensas dificuldades. Onde andará o Pizzi que vimos na época passada? Ou devemos perguntar onde está o Benfica da época passada?

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ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Com o foco total na Liga, o SL Benfica apresentou-se esta noite no seu típico 4-4-2 com o núcleo duro a jogar de início. Bruno Lage apostou na “Fórmula Barcelos”: Samaris voltou ao onze inicial e foi uma peça fundamental para dar maior músculo ao meio-campo encarnado, apoiando Weigl que recebeu algumas críticas, depois da partida com o Shakthar Donetsk.

Taarabt jogou um pouco mais subido no terreno, atuando como segundo avançado e servindo Carlos Vinícius que também regressou ao onze inicial – rendeu Dyego Sousa, que foi o titular na passada quinta – e provou mais uma vez que é de facto o porquê de ser o titular na frente de ataque: bastante móvel e a combinar bem com os extremos Pizzi e Rafa Silva, soube causar o pânico na defesa adversária. As substituições na segunda parte, principalmente, a primeira com a saída de Weigl, o Benfica acabou por perder o controlo do jogo a meio campo e foi prejudicial à equipa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Vlachodimos (5)

Grimaldo (6)

Rúben Dias (5)

Ferro (5)

Tomás Tavares (4)

Samaris (5)

Weigl (4)

Taarabt (6)

Pizzi (4)

Rafa Silva (6)

Carlos Vinícius (5)

SUBS UTILIZADOS

Dyego Sousa (6)

Cervi (6)

Jota (-)

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

O Moreirense FC jogou no seu sistema habitual 4-3-3, com Alex Soares a voltar a jogar de início, algo que já não acontecia desde jogo frente ao SC Braga (dia 29 de janeiro). Impedido de usar o grande trunfo Nuno Santos, Ricardo Soares teve de fazer uma mexida forçada no seu onze inicial – o já referido Alex Soares atuou no lugar do médio emprestado pelas águias -, que tinha estado em bom plano de evidência nos últimos quatro jogos com duas vitórias e dois empates.

Os cónegos deram a iniciativa do jogo ao Benfica, mas sempre que tiveram espaço, conseguiram sair da zona de pressão com qualidade e até foram à procura de causar mossa na defesa encarnada, sendo que dispuseram de duas ocasiões flagrantes para se adiantarem no marcador (Fábio Abreu aos 12’ e João Aurélio aos 31’). O 4-3-3 tornava-se rapidamente no 4-5-1 na transição defensiva, formando um bloco defensivo compacto e difícil de furar. Preferência de ataque pelo lado de Tomás Tavares e que resultou mesmo no único golo dos cónegos no jogo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Mateus Pasinato (8)

João Aurélio (6)

Iago Santos (6)

Lazar Rosic (6)

Abdu Conté (7)

Fábio Pacheco (6)

Filipe Soares (6)

Alex Soares (6)

Bilel (5)

Gabrielzinho (6)

Fábio Abreu (7)

SUBS UTILIZADOS

Luís Machado (6)

Pedro Nuno (5)

Steven Vitória (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Não foi possível fazer pergunta ao treinador do SL Benfica, Bruno Lage.

Moreirense FC

BnR: Durante grande parte do encontro, viu-se o Moreirense a atacar bastante pelo lado esquerdo, tanto que foi nesse lado que acaba por surgir o golo apontado por Fábio Abreu. Essa opção tática foi com o objetivo de aproveitar algumas debilidades defensivas do jovem lateral Tomás Tavares?

Ricardo Soares: Não, de todo. O Tomás Tavares é um excelente jogador e com muito potencial. É um lateral que dá muita profundidade ao SL Benfica e faz movimentos de rotura muito bem, assim como, consegue ultrapassar bem as linhas defensivas. Também cria grandes desequilíbrios e tem uma grande facilidade de chegar à grande área, mas sabemos que tem algumas dificuldades defensivas. Nós atacámos pelos espaços que devíamos atacar e se o Tomás Tavares ataca muito aquele espaço [lado direito da defesa do Benfica] fica descoberto e entendíamos que era ali que podíamos criar problemas. Não foi menosprezar a qualidade do jogador, porque tem muita qualidade.

Rescaldo de opinião de Guilherme Costa e João Pedro Barbosa

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede