A CRÓNICA: Ó POHA, ASSIM ESTRAGASTE A PINTURA

Do castelo de “Onde Nasceu Portugal” veio o Vitória SC. Esta é uma das equipas que menos sofrem golos nas competições nacionais, mas, do outro lado, há uma autêntica fortaleza de manteiga… ou como quem diz: a defesa do SL Benfica. Não foi preciso esperar muito para que esta frase se tornasse tão verdade nesta partida.

Depois de 16 minutos sem qualquer emoção, houve um autêntico desbloquear do jogo. Marcus Edwards “partiu” todo o meio campo encarnado, fez o que quis e passou, em zona avançada, a Rochinha. Depois, o português só teve de ver onde estava Oscar Estupiñán para este marcar o primeiro da partida. Portanto, o habitual cenário, ou seja, vermos os encarnados a sofrer primeiro.

Isto de os jogos serem à quarta-feira e não existir o hino da Liga dos Campeões faz com que isto seja uma daquelas peladinhas que se marca com os amigos. Mas, alguém me diga onde se aluga o Estádio da Luz, pois, não deve ser nada fácil. Via-se um jogo aborrecido e bola para lá e para cá sem qualquer critério ou ideias. Por isso, fez a diferença o golo vitoriano (0-1), a única jogada com cabeça tronco e membros em toda a primeira parte.

Podia continuar a bater na mesma tecla? Podia. Se o vou fazer? Não. Como é que descobrem como foi o início da segunda parte? É só reler a linha três e quatro do terceiro parágrafo. Um exercício tão complicado tal como ser espetador atento deste “belíssimo jogo”.

Anúncio Publicitário

Pois bem, se não acontecia nada. Houve algo para contar ao minuto 82, visto que foi marcado um castigo máximo contra o Vitória SC. Poha não podia ter entrado melhor na partida (*risos*) e fez aquilo que mais se temia: estragar a pintura que estava a sair tão bem na tela verde da Luz. Já se sabe que Luís Miguel, mais conhecido por Pizzi, raramente falha penaltis e fez o empate (1-1). Digamos que foi o suspiro forte de Jesus e companhia. Sim, um suspiro. Estava longe, mas ouvi.

Um suspiro que se deve ter um autêntico desespero, pois íamos para as grandes penalidades. Já vi grandes penalidades complicadas, mas o Benfica foi muito eficaz do que todos os 90 minutos juntos. Everton, Pizzi, Gabriel e Seferovic introduziram a bola na baliza. Já, do lado do Vitória SC apenas Pepelu marcou, pois André Almeida sonhou com o poste e Poha nem devia ter entrado. A lotaria de Natal chegou mais cedo para o SL Benfica que nos penaltis salvou uma exibição horrível, contudo, segue para a final four da Taça da Liga em Leiria.

 

A FIGURA

Pepelu – A isto chama-se um jogador invisível, ou pelo menos o seu trabalho é. Passou despercebido durante todo o jogo? Sim. Mas foi a peça mais importante naquele meio campo do Vitória? Sem sombra de dúvida. A atacar, mas, principalmente, a defender foi o homem que amais trabalhou durante o jogo. Tem qualidade este jovem espanhol e se já tinha mostrado muito do seu potencial no CD Tondela, tem tudo para voltar a fazê-lo em Guimarães.

O FORA DE JOGO

Poha – Achava que não havia possibilidade de conseguir haver uma exibição tão má ou pior do que aquela que o coletivo dos encarnados fez. Mas, pelos vistos, o jogador do Vitória SC conseguiu fazê-lo. Entrou aos 80 minutos, aos 82 minutos acaba por cometer um penalti que dá o empate ao Benfica, e depois consegue falhar um penalti no momento mais importante. Foi um descalabro. Arrisco-me a dizer, em jeito de brincadeira, que esta é talvez a pior substituição do Futebol Português.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Jorge Jesus tinha avisado que ia haver alterações no 11 inicial, mas ninguém esperava que seria uma autêntica revolução. Em relação ao último jogo, apenas quatro jogadores resistiram com a titularidade: Helton Leite, Jardel, Nuno Tavares e Rafa. No entanto, a aposta em jogadores já habituados ao 11 inicial, mas não com tantos minutos continuou. Vimos as águias num típico 4-4-2 em que Waldschmidt dava apoio a Darwin e a grande surpresa será talvez a inclusão de Julian Weigl.

Devagar, devagarinho era esta a tática dos encarnados em toda a primeira parte. O tão falado “ataque posicional” verificou-se, mas acho que a equipa de Jorge Jesus não se preparou muito bem, tendo em conta aquilo que praticou durante esta partida. Por isso, na segunda parte houve Seferovic para a posição mais avançada com Darwin a baixar. Depois, houve a entrada de Gilberto, visto que Jorge Jesus não gostou muito da atuação do jovem João Ferreira.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Helton Leite (5)

Nuno Tavares (4)

Jardel (5)

Vertonghen (5)

João Ferreira (5)

Weigl (5)

Adel Taarabt (3)

Everton (4)

Rafa (4)

Waldschmidt (4)

Darwin (5)

SUBS UTILIZADOS

Gilberto (4)

Seferovic (6)

Pizzi (5)

Pedrinho (5)

Gabriel (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC

Se nos encarnados houve uma revolução, João Henriques não quis também ficar atrás no que diz respeito a alterações. Foram seis alterações em relação à última partida para a Taça de Portugal frente ao CD Santa Clara. Porém, a surpresa deve ser, sobretudo, a troca em peso da frente de ataque vimaranense, onde acabaram por entrar Marcus Edwards, Rochinha e Oscar Estupiñán. A baliza também ficou para Trmal, o guarda-redes checo. Ainda assim, continuou o 4-3-3 como já tinha apresentado na última partida.

A nível defensivo, interessante de se verificar que Pepelu é o médio mais recuado e que acabava por ser peça importante no controlo da linha e, sobretudo, para não permitir que os jogadores do Benfica jogassem entrelinhas. Quando esta situação acontecia acabava por os vimaranenses ficar num 4-1-4-1. Uma situação que funcionou muito bem, porque os encarnados estavam a ter dificuldades na tentativa de entrar pelo meio.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Trmal (6)

Falaye Sacko (5)

Abdul Mumin (5)

Jorge Fernandes (5)

Sílvio (5)

Janvier (5)

Miguel Luís (5)

Pepelu (8)

Rochinha (7)

Marcus Edwards (7)

Oscar Estupiñàn (6)

SUBS UTILIZADOS

André Almeida (5)

Quaresma (5)

Lyle Foster (5)

Poha (3)

Maddox (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Não foi possível fazer pergunta ao treinador do SL Benfica, Jorge Jesus.

Vitória SC

BnR: Principalmente, a nível defensivo verificava-se uma situação interessante em que o Vitória acabava por ficar em 4-1-4-1 em que o Pepelu controlava bem as bolas que entravam entrelinhas e também a bola que chegava a Taarabt. Foi esta a intenção inicial?

João Henriques: Já não é a primeira vez que o fazemos. Nós ao fazermos isso era mesmo isto aquilo pretendíamos isso. Era fechar o jogo interior do Benfica, controlar os contramovimentos dos avançados [Darwin e Waldschmidt] e fazer com que esse espaço estivesse preenchido. Baixando a linha defensiva, o objetivo era que quando recuperássemos a bola conseguíssemos explorar as costas dos centrais, procurando o lado contrário e também a profundidade. Todas estas estratégias foram aplicadas com ou menos sucesso, ora devido ao mérito do Benfica ou então demérito nosso. Contudo, estrategicamente a minha equipa esteve muito bem, principalmente a nível defensivo.

O nosso guarda-redes fez três defesas e nenhuma delas é uma extraordinária e foram boas defesas. O Helton Leite fez duas, onde uma foi difícil e outra que não teve muito trabalho. Em termos de remates, estávamos iguais. Claro que o Benfica fez mais remates e esteve por cia, mas isso só aconteceu porque marcámos primeiro e deixámos que isso acontecesse.

Fica um amargo na boca, depois deste resultado, mas ganhámos mais qualquer coisa com este jogo. Vir aqui [ao Estádio da Luz] e fazer este jogo. De estar a ganhar aqui e com tudo o que aconteceu este dias e a equipa foi solidária. Nesse aspeto, olhando para o futuro, nós saímos daqui com um horizonte mais alargado e queremos continuar o nosso objetivo no campeonato para consolidar a posição [5.º lugar].

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome