A CRÓNICA: JOGO SEM CHAMA, URUGUAIO EM FOGO

Soma e segue o SL Benfica de Jorge Jesus. Numa exibição apagada e nada espetacular, as águias bateram o Belenenses SAD por duas bolas sem respostas, garantindo a manutenção da liderança isolada após um dérbi alfacinha de pouca qualidade e pouca mais emoção. Vamos às incidências da partida.

Entrada positiva dos encarnados, coroada com o golo da vantagem logo aos seis minutos. Haris Seferovic, chamado à titularidade de forma algo surpreendente, finaliza de cabeça junto ao segundo poste uma boa jogada combinativa pela esquerda do ataque, com Everton a tocar para Rafa e este a tocar para o cruzamento de Grimaldo.

Dos dez minutos em diante, todavia, o jogo esmorece, arrefece e equilibra-se. Os visitantes gozam de uma ou outra oportunidade e os da casa nem isso. Jogo amarrado ao ponto do soar do apito para assinalar o intervalo parecer uma bênção.

Primeiros quinze minutos da segunda parte com uma nota dominante: dó. Metia dó a parca qualidade expressa no relvado da Luz. Oportunidades quase inexistentes de parte a parte, mas com pendor para o lado azul do dérbi da capital.

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A entrada de Waldschmidt agita o ataque das águias e é o próprio alemão a criar a primeira oportunidade de claro perigo da segunda parte encarnada. O remate cruzado passa ao lado do poste esquerdo da baliza de André Moreira. Dois minutos volvidos, é Waldschmidt quem serve Darwin para o golo… anulado.

No entanto, fica o aviso: cuidado com o alemão. E com o uruguaio. Após um outro aviso que André Moreira havia travado, eis a estreia a marcar na Luz para Darwin, a passe de… Waldschmidt. Fuga do centro para a esquerda do alemão que serve com classe o companheiro de ataque.

Darwin finta André Moreira ainda fora da área azul e remata para a baliza deserta, perante as inglórias tentativas de interceção dos defesas visitantes. O golo tem o condão de congelar a turma de Petit e, por consequência, a partida, que termina com um 2-0 como resultado final a favor do SL Benfica.

A FIGURA

Darwin Núñez – Deve pagar impostos extra Darwin Núñez, tendo em conta o que trabalha. A descontar pelo que labuta reforma-se aos 27. Além disso, foi mais uma vez capaz de concretizar um tento, dando razão a Cristiano Ronaldo e à sua analogia com o frasco de Ketchup. Por tudo isso, merece mais uma vez a distinção de Figura da Partida Bola na Rede.

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Gilberto – Depois de Grimaldo na Polónia, foi a vez do lateral-direito granjear o “prémio” de Fora de Jogo BnR, pelas mesmas razões. Defendeu mal, como é seu apanágio, e atacou na mesma medida. Tirou um ou outro cruzamento de qualidade – também seu apanágio – mas falhou em praticamente todos os restantes aspetos da sua exibição individual.

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Em ataque posicional, os encarnados saíam a três, com Otamendi, Vertonghen e Weigl entre os primeiros a tomarem as rédeas da saída. Rafa e Everton faziam incursões interiores para auxiliar Taarabt na tentativa de permear o espaço entre as duas linhas recuadas dos azuis. Gilberto e Grimaldo davam largura e profundidade pelas alas. Seferovic (primeiro, Waldschmidt, depois) e Darwin encaixavam nos três elementos intermédios da linha de cinco da turma de Petit.

A defender, o bloco encarnado subia, tendo, no entanto, mais cuidado com o espaço que deixava atrás do que havia tido na Polónia. Os quatro elementos mais avançados do SL Benfica pressionavam o B-SAD logo numa primeira fase de pressão, com Taarabt – até a sua saída – mais atrás a tentar ocupar as linhas de passe mais curtas e centrais. Weigl e os centrais controlavam a profundidade, com a ajuda de Grimaldo/Nuno Tavares e Gilberto.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

Vlachodimos (6)

Gilberto (4)

Otamendi (5)

Vertonghen (7)

Grimaldo (6)

Weigl (5)

Taarabt (5)

Rafa (6)

Everton (6)

Seferovic (6)

Darwin (7)

SUPS. UTILIZADOS

Pizzi (5)

Waldschmidt (7)

Nuno Tavares (5)

Pedrinho (-)

Samaris (-)

ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD

A turma de Petit defendia em 5-4-1, com duas linhas bem definidas e com Cassierra solto na frente de pressão. Quando Weigl se juntava de uma forma declarada a Otamendi e Vertonghen na construção encarnada, Varela ou Miguel Cardoso avançavam no terreno para ajudar Cassierra na primeira tentativa de inibir a saída para o ataque das águias (Varela pressionava Otamendi, pela direita, Miguel Cardoso pressionava Vertonghen, pela esquerda).

No ataque posicional, os azuis procuravam trocar a bola nas imediações da sua área, chamando a pressão de Darwin, Seferovic, Rafa e Everton, de forma a poder bater a meia-distância, não procurando a profundidade como havia feito o Lech Poznan.

A bola, regra geral e quando tudo corria bem para o lado azul do dérbi lisboeta, chegava a Miguel Cardoso, Varela ou Cassierra, que, tendo uma linha de pressão já ultrapassada, podiam desenrolar jogadas rápidas com o intuito de visar a baliza de Vlachodimos.

XI INICIAL E PONTUAÇÕES

André Moreira (6)

Danny (5)

Henrique (6)

Tomás Ribeiro (5)

Tiago Esgaio (5)

Cauê (5)

Afonso Taira (5)

Rúben Lima (5)

Miguel Cardoso (6)

Silvestre Varela (6)

Cassierra (5)

SUPS. UTILIZADOS

Bruno Ramires (4)

Edi Semedo (4)

Afonso Sousa (4)

Richard Rodrigues (-)

Robinho (-)

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O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.                                                                                                                                                 O Márcio escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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