A CRÓNICA: DUPLA SEFEROVIC-DIOGO GONÇALVES DÁ VITÓRIA QUE MANTÉM VIVO O SONHO CHAMPIONS

A partida em Lisboa arrancou a todo o gás, mas ninguém esperava que o SL Benfica tivesse a primeira grande penalidade na Primeira Liga. A verdade é que não teve e muito por culpa da forma bem ajuizada de Vítor Ferreira, o VAR. Depois de bom cruzamento de Pedrinho, Waldschmidt conseguiu receber e seguir rumo à baliza, mas travado pelo Chidozie. Primeiro, Manuel Mota marcou penalti, mas já dizia a música “Era Só Jajão”. O nigeriano foi expulso aos oito minutos e deixou os axadrezados com um Plano A totalmente estragado.

Ao minuto 40, a bola encontrou dentro da baliza de Léo Jardim, mas não contou. Taarabt tem de ter cuidado com as suas arrancadas, porque os braços não podem ser usados como tem feito. Porém, logo dois minutos depois houve mesmo golo. Uma grande jogada no lado direito por parte de Diogo Gonçalves, que parecia uma autêntica flecha, e passou por dois jogadores e só teve de entregar a Seferovic, que não podia falhar esta na cara da baliza.

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Era o 1-0 na Luz, depois de tantas oportunidades falhadas por parte dos encarnados. O jogo estava tão próximo do intervalo que foi com este resultado que todos recolheram aos balneários.

A segunda parte começou com a dupla que já tinha funcionado na primeira parte a fazer match novamente. Aos 53 minutos, depois de um grande passe de Taarabt para o lado direito, Diogo Gonçalves e Seferovic a entenderem-se às mil maravilhas para o segundo golo encarnado. O cruzamento teleguiado para a cabeça do suíço já ia com selo de golo.

O homem estava completamente on fire e não fosse o VAR a estragar a festa lá teria sido o hat-trick. Lucas Veríssimo mandou a bola ao ferro e Seferovic ainda introduziu a bola na baliza, mas estava sete centímetros em fora de jogo. Ainda assim, o suíço foi fundamental para conseguir xeque-mate nesta partida de xadrez ainda que o peão Diogo Gonçalves tenha sido também muito importante.

Um jogo de intensidade baixa e fácil para os encarnados, que continuam muito perdulários naquilo que toca à finalização. O SL Benfica com esta vitória persegue o sonho de ainda ter um lugar na Liga dos Campeões com 48 pontos, mas ainda com o SC Braga e o FC Porto na sua frente com menos um jogo ambos. Já, os boavisteiros não conseguem continuar a senda de vitórias que tinha começado na jornada anterior frente ao FC Famalicão. Contudo, foi um jogo que se tornou ainda mais complicado devido à expulsão de Chidozie.

 

A FIGURA

Fonte: Sebastião Roxo/Bola na Rede

Diogo Gonçalves – Numa situação em que podia muito bem não ter estado tão evidência, mas foi aquele que mais ajudou na procura de criar lances de perigo. É ele quem saca da cartola a arrancada para o primeiro golo e também é dele que surge o cruzamento para o segundo golo encarnado. Esteve muito bem na partida e merece, sem dúvida, esta distinção. Também em evidência está Seferovic que marcou três… dois golos válidos para a sua conta pessoal.

O FORA DE JOGO

Fonte. Diogo Cardoso / Bola na Rede

Chidozie Awaziem – Que má abordagem ao lance com Luca Waldschmidt. Ao invés de proteger aquilo que era a sua baliza e ficar de costas para a mesma, decidiu ficar na expetativa e proteger o lado para onde o alemão do encarnado não teria muito sucesso. O número dez das águias recebeu orientado e fugiu ao defesa central do Boavista. Em primeiro lugar, ainda se pensou ser penalti, mas Manuel Mota, auxiliado pelo VAR, deu ordem de expulsão ao jogador. A condicionar qualquer tipo de plano que Jesualdo Ferreira tinha para este encontro.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Jorge Jesus não efetuou muitas alterações àquilo que é o sistema tática da sua equipa (o típico 4-4-2), nem mesmo trocou muitas peças no onze inicial em comparação com o último jogo frente à Belenenses SAD. Apenas troca duas trocas: uma de jogador brasileiro por outro jogador brasileiro – ou seja, Pedrinho entrou para o lugar que tinha sido ocupado por Everton no lado esquerdo do ataque – e a outra de Adel Taarabt por Pizzi.

Também a expulsão de Chidozie influenciou muito daquilo que foi a estratégia para este jogo. Por isso, os encarnados procuravam muito o jogo nas costas da defesa com passes em profundidade vindas, normalmente, das alas – tanto dos laterais como dos extremos. As águias exploraram muito bem o jogo entrelinhas e os passes do meio para as alas de Taarabt foram muito importantes, por exemplo, para encontrar Diogo Gonçalves no segundo golo.

A nível defensivo, pouco trabalho teve de fazer Lucas Veríssimo e Nicolas Otamendi e em que a saída a três jogadores acabou mesmo por não ser tão utilizada devido ao facto dos encarnados estarem em vantagem numérica.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Helton Leite (5)

Grimaldo (5)

Nicolas Otamendi (5)

Lucas Veríssimo (5)

Diogo Gonçalves (8)

Julian Weigl (6)

Adel Taarabt (6)

Pedrinho (4)

Rafa Silva (4)

Luca Waldschmidt (6)

Haris Seferovic (7)

SUBS UTILIZADOS

Darwin Nuñez (5)

Gabriel (5)

Pizzi (6)

Everton (6)

Chiquinho (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC 

Num 4-3-3, pelo menos aquilo que aparecia na transmissão, apenas a troca de Nuno Santos por Sebastian Perez, este último por se encontrar emprestado pela equipa encarnada a não conseguir dar o contributo necessário a Jesualdo Ferreira. Paulinho mais avançado com a dupla Javi Garcia e Sebastian Perez mais recuada, depois na frente as tarefas mais ofensivas entregues a Elis e Sauer e Angel Gomes a serem os extremos boavisteiros.

Contudo, o 4-3-3 estava errado, porque a defender seria um 5-3-2 com Javi Garcia a juntar-se muito aos dois centrais Cristian Devenish e Chidozie Awaziem. A nível ofensivo notava-se que os axadrezados queriam construir com três e com os laterais, Ricardo Mangas e Reggie Cannon, muito subidos. O problema é que com a expulsão de Chidozie tudo mudou e o Boavista começou a jogar em algo semelhante como um 4-4-1 com Javi Garcia a ficar mesmo como defesa central.

O jogo ofensivo dos boavisteiros ficou reduzido a nada enquanto que a nível defensivo a equipa continuava com muitas dificuldades para conseguir controlar o espaço entrelinhas. As substituições não serviam para muito devido ao fator expulsão, mas Javi Garcia acabaria por subir para médio defensivo e Porozo ficar como central.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Léo Jardim (7)

Reggie Cannon (5)

Cristian Devenish (5)

Chidozie Awaziem (1)

Ricardo Mangas (5)

Javi Garcia (6)

Sebastian Perez (5)

Gustavo Sauer (4)

Paulinho (5)

Angel Gomes (5)

Elis (5)

SUBS UTILIZADOS

Show (4)

Jackson Pozoro (5)

Hamache (4)

Benguche (-)

Morais (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

BnR: Na antevisão disse que o SL Benfica não pode ter apenas o plano A. Neste plano que os encarnados jogaram, que não era o principal, houve jogadores que sentiram muitas dificuldades, como o Rafa e o Pedrinho. Sentiu essa dificuldade destes jogadores de se adaptarem ao jogo por aquilo que são as suas caraterísticas?

Jorge Jesus: Com a expulsão do jogador do Boavista [Chidozie] fez com que a equipa ficasse a jogar com dois centrais e isso deu mais liberdade de ação ao Rafa e ao Pedrinho. Em termos de posicionamento no corredor central, ficámos ainda mais fortes e tornou-se tudo mais fácil de entrar nesta zona, até porque o lance do Adel é daí. Tirei o Rafa porque faltavam dez minutos para o fim do jogo. Desde que chegamos o Rafa tem estado muito melhor do que nos últimos anos. Está mais confiante e mais competitivo. Defensivamente mais forte, embora, hoje não tenha sido preciso isso. Tirei-os, porque já tinham jogado algum tempo.

O Pedrinho esteve bem, fez coisas bem e foi a primeira vez que jogou naquele lado, visto que gosta de jogar mais no lado direito. Com jogos que vai ter de certeza que vai melhor. Individualmente é bom e é difícil de tirar a bola ao Pedrinho. Tirei-o para meter o Everton, porque já tinha 60 minutos de jogo e queria que o Everton também jogasse. O Boavista não complicou em nada e o Benfica estava a ganhar já quando fiz as duas substituições. O Boavista teve de correr muito na segunda parte para conseguir controlar o Benfica e o mister Jesulado mexeu, e bem, na equipa, porque estava a ser difícil de posicionar devido ao cansaço. Já tem muitos anos de Futebol e viu que era preciso mexer e fez. Mas respondendo diretamente à sua pergunta não teve uma coisa a ver com a outra.

Boavista FC

BnR: O Boavista mostrou dificuldade dos jogadores quando a bola entrava entre os centrais e o médio mais recuado, situação que ainda aconteceu mais quando houve a expulsão. Acredita que pode ter sido esta dificuldade que o SL Benfica explorou mais para chegar à vitória e se foi a maior debilidade da sua equipa? 

Jesualdo Ferreira: A partir do momento em que perdemos um dos jogadores devido à expulsão do Chidozie, o primeiro pensamento de um treinador e aquilo que era normal era meter um central no seu lugar. Mas, achei que não era necessário e devia manter aquilo que estávamos a fazer e foi uma decisão acertada. Quando percebi que o resultado era impossível de reveter comecei a fazer uma gestão dos meus jogadores. Quando se meteu o outro central [Jackson Pozoro] e era necessário começar essa tal gestão. Como é óbvio a zona mais central do terreno era aquela que estava mais sob pressão e toda a gente sabe que o jogo do Benfica é esse mesmo, é jogar muito pelo corredor central. Seria aí que íamos ter mais difícil e foi por isso que decidi jogar com uma posição mais central na defesa de início [com a opção Javi Garcia].

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