A CRÓNICA: NUM JOGO POBRE, O QUE CONTOU FOI A PASSAGEM À FINAL

Com o pensamento no Jamor, as duas equipas entravam para esta travessia (se não se recorda regresse aqui ao passado) em zonas diferentes do Rio Tejo. O SL Benfica iam já com três metros e o GD Estoril Praia apenas com um, em função daquilo que já tinha acontecido perto das praias da Linha de Cascais.

A verdade é que talvez este pormenor tenha sido influência negativa para este jogo – e outras condicionantes ligadas à Segunda Liga. Por que digo isto? De um lado, parecia que pouco interessava se o jogo terminava com uma vitória, apenas se queria chegar ao Jamor. Do outro lado, a ambição de chegar à Final era muita, mas havia algo mais importante no próximo fim de semana – difícil de escolher, não?

Porém, os encarnados iam dominando a posse de bola sem nunca criar muito perigo. Foi preciso o Estoril fazer um erro monumental de Hugo Gomes para que Chiquinho fizesse a recuperação e deixar com Gonçalo Ramos. Aos 43 minutos, Gonçalo Ramos teve tempo e calma para fuzilar a baliza de Thiago Silva, inaugurando o marcador. Mesmo a terminar a primeira parte, Bruno Pinheiro não ficou muito contente, depois de a nível defensivo ter corrido tão bem. Assim, a travessia já estava ainda mais desnivelada ao intervalo: 1-0 (4-1 no agregado).

A segunda parte voltou a ter um ritmo igual a um bar em alto mar, devagar devagarinho se chegava ao destino final. Apesar de a bola ter rondado a baliza estorilista, a bola pouco queria conversas com as redes de pesca (ou da baliza) também por culpa de Thiago Silva. Já do outro lado o marinheiro Vlachodimos era um autêntico espetador com uma vista privilegiada para um «mar verde».

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Houve também ainda para Taraabt navegar por esse tal mar verde sem grande obstáculos e passou para o alemão (uma dupla algo estranha em alto mar) Waldschmidt para fazer o 2-0 final, confirmando a vitória do SL Benfica e a passagem à grande decisão da Taça de Portugal.

Um jogo pobre com as duas as equipas a pensarem no futuro e não neste jogo, mas houve uma vitória magra dos encarnados por 2-0 (agregado 5-1). A travessia encarnada que começou em Paredes e só vai acabar mesmo no Jamor num batalha frente aos bracarenses, resta saber se ficam com o troféu ou não.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Chiquinho – Nunca teve uma posição muito fixa no terreno, mas foi sem dúvida um daqueles – a par de Pizzi – que mais correu e mais contribuiu para que o jogo fluísse. Está diretamente envolvido no único golo da partida com a recuperação em zona recuperada e, consequente, assistência.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O jogo – Já se falou muito sobre aquilo que iria ser este jogo e realmente “desiludiu”. Os encarnados controlaram a seu belo prazer aquilo que foi um jogo fácil e os estorilistas, apesar de terem estado nem a nível defensivo, a nível ofensivo pouco mostraram. Por isso, foi um jogo pobre que valeu à formação comandada por Jorge Jesus a ida à Final da Taça de Portugal.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Do jogo relativo à primeira mão da Taça na Amoreira, do onze encarnado apenas restaram quatro elementos: Otamendi, Pizzi, Gabriel e Pedrinho. Jorge Jesus já tinha dito que iria fazer muitas mudanças para este jogo e a dar oportunidade a alguns jogadores que não têm tido minutos. Gonçalo Ramos, que já tinha brilhado na competição na Luz, voltou a receber um voto de confiança por parte de Jesus como peça titular.

Num típico 4-4-2 do SL Benfica Pizzi e Gabriel formaram a dupla de meio campo, enquanto que Chiquinho e Cervi assumiram as alas e a dupla mais ofensiva a ficar a cargo de Pedrinho e Gonçalo Ramos. A filosofia tática e também os processos de jogo a não mudarem muito com a utilização muito dos laterais e dos extremos, sendo que o jogo interior também estava a ser muito solicitado.

Das substituições que acabaram por acontecer, poucas foram aquelas que surtiram efeito imediato no jogo, exceto Taraabt que pareceu entrar com a vontade toda para mostrar a Jorge Jesus que está numa forma em crescendo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Odysseas Vlachodimos (5)

Gilberto (5)

Lucas Veríssimo (5)

Otamendi (6)

Nuno Tavares (5)

Gabriel (6)

Pizzi (6)

Chiquinho (7)

Cervi (5)

Pedrinho (5)

Gonçalo Ramos (6)

SUBS UTILIZADOS

Seferovic (5)

Everton (5)

Waldschmidt (6)

Adel Taraabt (6)

Diogo Gonçalves (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – GD ESTORIL PRAIA

Os estorilistas comandados por Bruno Pinheiro também mexeram alguns jogadores, tendo em conta o jogo importante que têm no próximo fim de semana para a Segunda Liga frente ao CD Feirense. Do jogo frente aos encarnados em casa, apenas quatro jogadores voltaram a cumprir presença no onze inicial: Thiago Silva, o guarda-redes, Murilo, Hugo Gomes e Carles Soria. Muitas peças que têm sido importantes ao longo da temporada ficaram de fora naquilo ao que o treinador chamou de «nivelar a carga competitiva dos jogadores».

O 4-3-3 muito camaliónico com Gamboa como médio mais defensivo e uma frente de ataque com Murilo e André Franco nas alas a dar apoio ao homem mais avançado, Harramiz. O sistema tático estorilista acabava sempre por mudar sempre, mais em tarefas defensivas, num 5-4-1 com Gamboa a assumir a posição de terceiro central. No momento defensivo, os “três” centrais conseguiam controlar o espaço enquanto os restantes jogadores estavam sempre a pressionar um homem, numa espécie de defesa “homem a homem”.

As substituições feitas por Bruno Pinheiro foram com intenção de dar minutos e um “treino” aos jogadores que normalmente são titulares, pensando já no jogo frente aos fogaceiros para a Segunda Liga. Contudo, pouco contribuíram para o jogo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Thiago Silva (6)

Pedro Empis (5)

Hugo Gomes (3)

Marcos Valente (6)

Carles Soria (5)

João Gamboa (6)

Bruno Lourenço (5)

Lazare Amani (4)

André Franco (5)

Murilo (4)

Harramiz (5)

SUBS UTILIZADOS

Miguel Crespo (5)

Aziz (5)

Rosier (5)

André Vidigal (5)

João Mendes (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica 

BnR: Principalmente, quando o GD Estoril Praia saia a jogar ou num pontapé de baliza passou na primeira pressão que se fazia Chiquinho, Pedrinho e Pizzi. O que pediu a estes jogadores neste momento de jogo e se não ficou satisfeito devido à rotação que ia acontecendo aí?

Jorge Jesus: É uma pergunta interessante naquilo que são aspetos táticos durante o jogo. A certa altura do jogo, mudei o sistema de jogo e pus o Pizzi e o Chiquinho no meio campo num 4-3-3 e nas costas ficámos com o Gabriel. Senti que a nossa pressão alta não estava a entrar como queríamos e os nossos centrais estavam muito longe um do outro. Tinha de mudar e mudei o nosso sistema, porque também já estava falado com os jogadores e trabalhado durante os treinos. Também foi assim que fizemos o nosso primeiro golo.

Ao intervalo, falei com eles e ficámos com aquele que é o sistema habitual da equipa: o Chiquinho foi mais posicionado e o Pizzi chegou mais perto do Gonçalo Ramos. Senti que a equipa precisava de estar mais junta e reparei que o corredor central estava muito afastado, acabando por dar muito espaço aos jogadores do Estoril. Mas é assim o futebol está cada vez mais para evoluir para esta ideia [a de mudar regularmente os sistemas durante jogos]. Eu já o fazia noutros clubes e agora estou a tentar fazer novamente no Benfica.

GD Estoril Praia

BnR: Durante a primeira parte o João Gamboa acabou por funcionar como um terceiro central e que acabava por ficar com uma defesa com cinco jogadores e os restantes jogadores encaixavam nos jogadores do SL Benfica. Hoje, sentiu ter a segurança e a eficácia defensiva que não tinha tido na 1.ª mão e que disse querer ter neste jogo?

Bruno Pinheiro: Não fizemos uma defesa homem a homem na frente porque se estávamos com uma linha de cinco atrás não tínhamos jogadores suficientes para fazer isso. Mas conseguimos, sim, criar mecanismos para tentar sermos mais fortes e queríamos então dar essa ilusão de termos uma defesa homem a homem. Acredito que tivemos uma primeira parte mais consistente do que aquela que tivemos durante todo o jogo na Amoreira [o jogo da 1.ª mão] e o SL Benfica teve mais dificuldades no jogo de hoje. Conseguimos estar mais próximos do adversários, contudo, continuamos a perder muito duelo. Temos de retirar aquilo que foi positivo e foi o negativo para aprendizagens futuras.

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