A CRÓNICA: SHOW DE OPORTUNIDADES DESPERDIÇADAS DÁ, AO MENOS, UMA VITÓRIA

Foi com um Estádio da Luz completamente vazio, devido às contingências da COVID-19, que, provavelmente, Rúben Dias se despediu com a camisola do SL Benfica. A braçadeira de capitão que levava no seu braço indicava que seria um fim de ciclo, mas ainda faltavam 90 minutos para se jogar e para se perceber se a transferência ia mesmo acontecer.

O Moreirense FC queria voltar a ser um pesadelo para os encarnados na caminhada da Liga no Estádio da Luz. Porém, as poucas opções no plantel deram-nos uma equipa mais na expetativa – fechados na sua área – e na tentativa de um contra-ataque para chegar ao golo. Foram 21 minutos de puro sufoco do SL Benfica, até Rúben Dias marcar o primeiro da partida. A subida ao 4.º andar sem elevador deixou os restantes jogadores pregados ao chão e nem Pasinato foi suficiente para travar o cabeceamento.

Remates? «E não são poucos, não é? Bastantes!». Era este o cenário nos primeiros 45 minutos. Remates, remates e remates. Eficácia? Quase nula, não fosse o golo dos encarnados. Chegávamos, assim, ao intervalo com apenas 1-0 a favor do SL Benfica. Jorge Jesus tinha muito para dizer no balneário, sobretudo, dizer aos seus jogadores para acertarem na baliza, porque oportunidades eram muitas.

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Na segunda parte, manteve-se tudo igual. Os encarnados continuavam no domínio do jogo e os cónegos estavam recolhidos na sua metade do campo. Os remates eram muitos, mas a pontaria tinha ficado no balneário. Waldschmidt ainda teve a baliza à espera que a bola embatesse nas suas redes, mas um corte na linha disse “não” ao segundo golo.

Foi preciso entrar Seferovic – sim… Seferovic – para vermos novo golo do SL Benfica. Grande trabalho de Darwin Nunez na direita para depois só ter de fazer um passe que tinha como destino o pé do suíço. O jogo acabou mesmo com a vitória por 2-0 do SL Benfica e não houve muito mais para contar naquele que foi um autêntico show de oportunidades falhadas. O SL Benfica vence, faz seis pontos na Primeira Liga e despede-se de Rúben Dias, que está de saída para o Manchester City FC.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Rafa – Sem grandes destaques ao longo da partida, foi o jogador mais ativo durante todo o jogo. Foi a atacar e a defender… houve sempre presença do jogador português na partida. O lado direito era todo seu e conseguia encontrar, normalmente, Waldschmidt para que este, numa posição mais favorável, conseguisse rematar mais solto. Pasinato, guarda-redes do Moreirense FC, esteve também muito bem e também merece um destaque.

O FORA DE JOGO

Eficácia do SL Benfica – Foram apenas dois golos, mas podia ser muito mais. Um resultado que só não foi avolumado, porque os jogadores encarnados estavam com a pontaria completamente desafinada. Na primeira parte, esta lacuna foi muito mais notória visto que a equipa criava muitas oportunidades, mas na hora da verdade a bola não seguia nem sequer para um remate enquadrado.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

No esquema apresentado, a Liga dava conta de um 4-3-3. Contudo, os encarnados apresentaram-se mais uma vez o 4-4-2 habitual, com Pizzi no meio, Rafa e Everton a extremos e Waldschmidt no apoio ao ponta de lança Darwin. A única alteração a ter em conta foi a entrada direta de Pizzi para o lugar do lesionado Adel Taarabt. Os restantes jogadores a terem a confiança de Jorge Jesus, que o impressionaram em Famalicão com uma vitória por 5-1.

A aposta pela profundidade foi um grande fator nesta partida. Mesmo com o bloco muito baixo do Moreirense, os jogadores encarnados estavam a aproveitar bem esse espaço, principalmente Darwin, Waldschmidt e Everton. Havia também uma boa harmonia de Rafa, que ia dando qualidade à faixa direita. Chiquinho, como Jesus já tinha dito, ocupou o lugar no meio campo e até se deu muito bem a jogar nestas zonas. A entrada de Seferovic permitiu que Darwin jogasse mais solto e permitiu haver presença na área

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Odysseas Vlachodimos (5)

Grimaldo (5)

Vertonghen (5)

Rúben Dias (7)

André Almeida (5)

Gabriel (6)

Pizzi (6)

Rafa (7)

Everton (6)

Waldschmidt (6)

Darwin (6)

SUBS UTILIZADOS

Seferovic (6)

Chiquinho (5)

Pedrinho (-)

Weigl (-)

Nuno Tavares (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC

Em equipa vencedora não se mexe, e Ricardo Soares veio a jogo com o mesmo onze que venceu na jornada passada o SC Farense. Num 4-4-2, a equipa de Moreira de Cónegos vinha à Luz com a intenção de querer roubar pontos – como já tinha acontecido nos últimos dois encontros entre águias e cónegos -, mas de manter uma identidade própria e «sem pôr o autocarro à frente da baliza». Contudo, vimos uma equipa muito limitada devido às lesões dos seus jogadores e apenas com seis suplentes.

Apenas Fábio Abreu ficou numa zona mais avançada, e a restante equipa esteve toda recolhida no seu meio campo, fazendo uma espécie de 5-1-3-1. A tentativa de conseguir sair em contra-ataque rápido estava a ser completamente anulada pelo meio campo do SL Benfica e as oportunidades que a equipa ia tendo não estavam a sair. A criatividade dos cónegos era inexistente.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pasinato (7)

D’Alberto (5)

Rosic (6)

Steven Vitória (6)

Pedro Amador (6)

Filipe Soares (6)

Fábio Pacheco (5)

Pedro Nuno (5)

Lucas Silva (5)

Alex Soares (5)

Fábio Abreu (5)

SUBS UTILIZADOS

Pires (5)

Matheus Silva (5)

Ibrahima (-)

Franco (-)

Artigo revisto por Mariana Plácido