A CRÓNICA: «UMA EQUIPA. DOIS SISTEMAS», SERÁ QUE FUNCIONA ALGUM?

Não sou de envolver política no desporto (apesar de estar bem enraizada no mesmo), mas as declarações de Jorge Jesus fez-me lembrar o slogan que se aplica à China (“Um país. Dois sistemas”). O caso do SL Benfica a situação é muito semelhante, contudo, ao invés de ser um sistema económico era um sistema tática. A dúvida da antevisão (a dos três centrais) foi desfeita e também a surpresa de Daniel Ramos era revelada – como se de um chocolate de uma marca da qual todos conhecem… não posso fazer publicidade.

“Uma equipa. Dois sistemas” passou inevitavelmente a ser o slogan encarnado. Também é inegável que o Santa Clara viajou de uma ilha. Ora as evidências estão em cima da mesa e a comparação de hoje, infelizmente política, olharemos para a China e para Taiwan. O jogo estava muito morno e sem nada a acontecer, além do atrevimento açoriano. Faltava algo ao jogo… claro está! Um golo.

Depois de nada ter sido feito para que o Benfica pudesse chegar sequer com perigo à baliza de Marco, houve um golo encarnado. Ninguém conseguiu travar Everton cruzou e foi Carlos Jr. a faturar… na própria baliza. 1-0 aos 26 minutos. O sistema podia nem funcionar em jogo jogado, mas a verdade é que os encarnados iam vencendo. Enfim, coincidências. Não fosse o falhanço inacreditável de Seferovic o resultado podia ser outro, mas manteve-se o resultado ao intervalo.

Na segunda parte, os açorianos tinham entrado mais interventivos e com vontade de esclarecer o resultado que ia permanecendo. Aos 60 minutos, a formação encarnada quase ia dando frutos para… o Santa Clara. Rafael Ramos ia marcando um golaço se não fosse Helton Leite. Porém, o guarda-redes brasileiro do Benfica não teve grandes hipóteses. A insistência deu frutos para os açorianos que fizessem o golo, aos 62 minutos. Lincoln teve bem no corte, Cryzan cruzou atrasado e Anderson Carvalho empatou. Um sistema a colapsar? Continuemos…

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Na primeira vez em que realmente tudo correu bem com o trabalho dos laterais, Rafa progrediu bem no terreno e passou a Diogo Gonçalves. O lateral encarnado acompanhou a subida e fez um belo passe atrasado para Chiquinho encostar para a baliza. O sistema pode até não ser muito produtivo, mas era eficaz. Um jogo que contou pelo resultado e não pela exibição. O SL Benfica está a dez pontos do líder da Primeira Liga, Sporting CP, e os açorianos ficam com muitas dificuldades para chegar aos tão ambicionados lugares europeus.

 

A FIGURA
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Lincoln – Teve uma tarefa complicada aquela que foi confiada ao número dez dos açorianos e esteve ao nível daquilo que foi pedido. O facto de ter de variar de posição em grande parte do jogo trouxe muitos benefícios para si e para a própria equipa. Aliás, é ele quem tem a insistência para o golo solitário do Santa Clara. Foi peça importante para muitas ações que os açorianos tiveram ofensivamente.

O FORA DE JOGO
Seferovic SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Haris Seferovic – Com as oportunidades claras (porque também foram poucas aquelas que o Benfica criou), tinha de ter saído com os dois golos das oportunidades que teve. Deslumbrou-se do facto de ter marcado um grande golo a jornada passada? Foi um jogador sem grande reação e participou pouco nos processos da equipa. Parece ser um jogador que varia entre o “goleador” e o “vacilo man“.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Jorge Jesus não tinha descortinado qual podia ser a tática inicial dos encarnados, mas ao que parece o técnico português quis continuar a aposta nos três centrais. O Benfica apresentou um 3-5-2, o que já começa a ser um novo normal por parte da equipa. Apenas de registar duas alterações no onze inicial em relação à última partida: a entrada de Julian Weigl e de Everton e as consequentes saídas de Gabriel e Adel Taarabt.

Dificuldades dos comandados de Jorge Jesus em conseguir com que os processos ofensivos fossem concretizados. A culpa podia, e devia, ser atribuída aos dois lados, visto que parecia que nada saía bem ao SL Benfica e os açorianos vinham com a lição bem estudada. Pouco jogo interior foi feito por parte das águias que exploravam muito mais as laterais.

As dificuldades continuaram a existir na segunda parte, mas o relaxar dos açorianos na partida levou a que mais vezes os laterais conseguissem ter espaço para cruzar. Foi pelo lado de Diogo Gonçalves que o golo da vitória encarnada, um dos pouco movimentos que resultou com os laterais.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Helton Leite (6)

Lucas Veríssimo (5)

Jan Vertonghen (5)

Nicolas Otamendi (5)

Alex Grimaldo (5)

Diogo Gonçalves (5)

Julian Weigl (5)

Pizzi (6)

Everton (6)

Rafa Silva (5)

Haris Seferovic (4)

SUBS UTILIZADOS

Chiquinho (7)

Darwin Nuñéz (5)

Gilberto (5)

Pedrinho (-)

Luca Waldschmidt (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA

Os açorianos vieram à capital para jogar igual a si próprios, tal como Daniel Ramos já tinha dito na antevisão à partida. A verdade é que o 4-3-3 do Santa Clara voltou a ser a aposta por parte do técnico da formação de São Miguel. João Afonso acabou por ocupar o lugar no centro da defesa depois de Fábio Cardoso não conseguir prestar contributo à sua equipa devido à acumulação de amarelos.

Apesar de existir uma grande vontade de vontade de manter a imagem natural do Santa Clara, Daniel Ramos prometeu uns pequenos pormenores. Quando se defendia a formação dos Açores trocavam de posições Allano e Lincoln. O número sete ficava responsável pelo lado esquerdo da defesa na ajuda ao lateral Mansur, enquanto que o número dez ajudava na pressão à construção dos encarnados. Nesta situação em específico, o Santa Clara ficava num 5-2-3 enquanto que em ações defensivas o mesmo 4-3-3.

Lincoln e Allano deram uma dupla interessante principalmente a nível atacante em que o Lincoln baixava e arrastava o último central do lado esquerdo e Allano aparecia totalmente sozinho no mesmo lado. Na segunda parte, os açorianos pressionaram mais alto no campo e conseguiram recuperar muitas bolas em zona subida do terreno, uma delas até conseguiu concretizá-la em golo. O relaxar defensivo levou a que sofressem o segundo golo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marco (5)

Rafael Ramos (6)

João Afonso (5)

Mikel Villanueva (5)

Mansur (5)

Hide Morita (6)

Anderson Carvalho (6)

Lincoln (7)

Allano (6)

Cryzan (5)

Carlos Jr. (4)

SUBS UTILIZADOS

Rui Costa (5)

Costinha (5)

Jean Patric (-)

Ukra (-)

Nené (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Não foi possível fazer pergunta ao treinador do SL Benfica, Jorge Jesus. 

CD Santa Clara

BnR: O Allano ficou responsável de ajudar mais no lado direito enquanto que o Lincoln ficava na frente com Carlos Jr e Cryzan. Era este o pequeno pormenor defensivo que falava na antevisão e se esta mudança também tinha uma ideia ofensiva estudado nesta alteração?

Daniel Ramos: Sim, embora já o tenhamos feito ao longo do campeonato. É preciso perceber que há nuances defensivas que nos permitem ficar equilibrados. Há diferença entre defender com uma linha de cinco e outra de defender com quatro e estando com os laterais projetados. Com este sistema do SL Benfica que apresentou hoje [com os três centrais] decidimos arriscar com este sistema tático. Já há bastante tempo atrás temos feito isto com equipas que têm apostado com três defesas e com constroem desta forma. Foi muito mérito nosso a forma como contrariámos o Benfica. Eu nunca vi o Benfica a atrasar tanto a bola para trás como vi durante este jogo. Por isso, tivemos muito mérito e houve essa articulação [entre o médio e o extremo], mas também defendemos o corredor esquerdo, com o Rafael Ramos, Morita e o Anderson, e direto da mesma forma. Já fizemos durante muitas vezes durante este campeonato isto e tivemos grande qualidade.

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