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SL Benfica 2

SL Benfica 2-1 Estoril-Praia SAD: Gonçalo foi arco, Rafa foi flecha

A CRÓNICA: ACORDARAM A TEMPO

Todos já passámos por aquele mesmo sonho em que caímos de uma altura suficientemente desagradável para nos fazer acordar em sobressalto. É a realidade a chamar, pedindo que os olhos que fechados guardam uma escuridão impenetrável se abram e abandonem o sono que os consome.

A vitória frente ao AFC Ajax deixou o SL Benfica num estado de conforto no contexto europeu que não encontra comparação a nível interno. Vencer o Estoril Praia SAD seria uma forma de não passar por esta sensação tão comum e permitia às águias continuarem no sonho para lá do tocar do despertador.

Evitava-se assim o déjà vu de quem esta época já foi capaz de, na mesma semana, ganhar por 3-0 ao FC Barcelona e perder com o Portimonense SC.

O aquecimento dos guarda-redes teve que ser bom, porque cedo Odysseas Vlachodimos e Dani Figueira foram postos à prova e responderam com o nível de preparação de quem sabia o que aí vinha. Gonçalo Ramos tentava para o SL Benfica, mas ia-lhe sendo negado o sucesso. Mboula e Soria tentavam pela mesma via dar alegria ao Estoril Praia SAD.

A bola esteve constantemente perto das duas balizas e, até determinado ponto, eram os canarinhos que se mostravam mais vigorosos nas tentativas que desenvolviam. Mesmo assim, os encarnados tiveram que acordar para resolverem o problema em que se estavam a colocar.

A imprevisibilidade tem uma atitude transformadora perante o que nos parece que pode ser um cenário concretizável e o que acaba por se verificar. Daí que, na sequência de um canto a favor da equipa da linha, tenha resultado um golo sofrido.

Rafa não precisou de ninguém para recuperar a bola, conduzi-la de uma área à outra e, rodeado de três adversários, fazer bater Dani Figueira. Um golo, esse sim, de sonho a fazer lembrar Maradona.

O SL Benfica começou a mostrar-se mais desperto para os desafios de um dia longo. Habituados a dormir até tarde, só na segunda parte os encarnados se encheram de uma energia dominadora.

Ao invés, a descrença do Estoril Praia SAD não permitiu que a boa exibição se prolongasse por mais tempo. Quando Gonçalo Ramos alcançou um passe de Gilberto e fez o segundo golo, instaurou-se um clima de conformidade geral.

Já em período de compensação, os estorilistas reduziram por André Franco. Um golo que não condiz com o momento em que apareceu e que não beliscou o resultado final. Os assobios que a determinado ponto ecoaram nas bancadas voltaram a fazer-se ouvir.

Foi uma exibição em crescendo do SL Benfica, que continua a olhar para o segundo lugar como quem ali vê o atenuar dos danos que criou a si próprio ao longo do campeonato e que mantêm a equipa afastada da luta pelo título. Esse sim um sonho que parece inalcançável.

 

A FIGURA

SL Benfica 2
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Gonçalo Ramos Tão versátil que serve a qualquer sistema tático que Nélson Veríssimo escolha. Mesmo mais recuado, mostrou que não é preciso estar tão perto assim da baliza para se ser uma referência ofensiva. Dispôs de boas situações e foi dos que mais lutou por recuperar a posse quando o SL Benfica não a tinha.

 

O FORA DE JOGO

SL Benfica 2
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Leonardo Ruiz Nunca foi o alvo preferencial das tentativas de assistência dos colegas. A profundidade foi o espaço mais vezes libertado pelo SL Benfica, mas, para explorar as costas da defesa, o Estoril Praia SAD teve em campo outros jogadores mais talhados para o fazerem. Apesar de tudo, mérito para a forma como condicionou Weigl no início da construção.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Com Weigl e Meité a jogarem lado a lado e em contenção, pelas características que os caracterizam, e com Gonçalo Ramos a ser o vértice mais adiantado do triângulo do meio-campo, o SL Benfica apresentou-se em 4-2-3-1.

Os encarnados tentaram pressionar numa fase inicial do jogo, mas o espaço que deixaram nas suas costas foi utilizado pelo adversário. A partir daí, o SL Benfica envergonhou-se e baixou um pouco as linhas.

As ações de Gonçalo Ramos variavam entre os movimentos em apoio para gerar linha com o ataque e uma atitude mais posicional para ajudar Yaremchuk na luta com os defesas. O aparecimento do camisola 88 de trás para a frente foi muito difícil de contrariar.

As águias aproveitaram os lances de bola parada para criarem bastante perigo. Quase sempre conseguiram finalizar e, em muitos deles, quase chegar ao golo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Odysseas Vlachodimos (8)

Gilberto (6)

Nicolás Otamendi (5)

Jan Vertonghen (6)

Álex Grimaldo (6)

Julian Weigl (7)

Soualiho Meité (5)

Rafa Silva (7)

Everton (6)

Gonçalo Ramos (8)

Roman Yaremchuk (5)

SUBS UTILIZADOS

João Mário (4)

Diogo Gonçalves (4)

Henrique Araújo (-)

André Almeida (-)

Paulo Bernardo (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – ESTORIL-PRAIA SAD

De início se percebeu que Gamboa não ia hesitar em colocar-se entre os centrais quando em organização defensiva, mesmo que em transição se adiantasse um pouco mais. Com bola, procurava as costas da primeira linha de pressão encarnada. Alternava assim o sistema do Estoril Praia SAD entre o 4-3-3 a atacar e o 5-4-1 a defender.

A posse dos canarinhos procurou utilizar os três corredores do campo. Os médios interiores, Francisco Geraldes e André Franco, concentravam muitas atenções quando a bola lhes chegava e tiveram o discernimento necessário para encontrarem o espaço livre nos corredores. Nas alas, jogaram Arthur e Mboula que não procuraram em demasia o miolo para não roubarem espaço aos colegas. Também os laterais, Soria e Joãozinho, encontraram espaço para chegarem ao último terço e cruzarem.

Destaque ainda para a superioridade dada pelo guarda-redes, Dani Figueira, na saída de jogo baixa. O Estoril Praia SAD não abdicou deste processo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Dani Figueira (7)

Carles Soria (6)

Ferraresi (5)

Raul Silva (5)

Joãozinho (4)

João Gamboa (5)

Francisco Geraldes (6)

André Franco (6)

Jordi Mboula (6)

Arthur (7)

Leonardo Ruiz (4)

SUBS UTILIZADOS

Bernardo Vital (5)

Loreintz Rosier (5)

Rui Fonte (4)

Romário Baró (4)

António Xavier (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

Bola na Rede: O SL Benfica conseguiu ter mais bola na segunda parte e assim deixar o Estoril mais desconfortável. O que é que a equipa teve que melhorar para ter maior capacidade de circulação?

Nélson Veríssimo: Foi, acima de tudo, ter alguma capacidade de, no momento da recuperação da posse, mantê-la, nem que isso significasse circular a bola pelos centrais ou ir ao guarda-redes, como vimos muitas vezes.

Tentámos atrair o posicionamento do Estoril Praia SAD para criarmos espaços para explorar, algo que eles também nos tentaram fazer na primeira parte.

No momento ofensivo, ter alguma paciência na circulação da bola, ir de um corredor ao outro, atrair posicionamento e fazer com que as linhas defensivas do Estoril Praia SAD se chegassem um bocadinho mais à frente para criar espaço e, em função das dinâmicas, perceber se o espaço estava dentro ou fora.

 

Estoril-Praia SAD

Bola na Rede: Alguns dos melhores lances do Estoril Praia SAD acabaram por surgir dos corredores laterais. O Estoril Praia SAD foi obrigado a procurar a linha por força da utilização de dois médios mais defensivos por parte do SL Benfica?

Bruno Pinheiro: Não. Tem a ver com os espaços que o adversário nos concede. Em termos estratégicos, o que trabalhamos é ensinar os jogadores a encontrar espaços nas zonas onde podem ter vantagem em função das dinâmicas do adversário.

Os jogadores acabam por explorar o que o adversário nos dá. Acreditamos que quem sabe jogar com bola não tem defesa. Depois, a qualidade dos jogadores faz com que isso se torne mais difícil para o adversário. Acreditamos nessa ideia.

Exploramos muito alguns conceitos que nos permitem chegar ao último terço com igualdade numérica. Hoje, houve muitos lances pelo corredor lateral, mas tem a ver com as dinâmicas que o adversário apresenta.

 

 

Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

Em criança, recreava-se com a bola nos pés. Hoje, escreve sobre quem realmente faz magia com ela. Detém um incessante gosto por ouvir os protagonistas e uma grande curiosidade pelas histórias que contam. É licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e frequenta o Mestrado em Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social.

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