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Este jogo era muito importante. Pela terceira vez jogámos depois do Sporting, e mais uma vez fomos postos à prova. Os ‘verdes e brancos’ eram líderes à condição até à noite de hoje, e o Benfica, mais uma vez, tinha de mostrar que não se vergaria perante a pressão, ou perante os comentários incendiários da estrutura técnica e directiva de outros clubes. Era necessário vencer e convencer. A primeira aconteceu; a outra só durante 25 minutos.

O Vitória de Setúbal deu o pontapé de saída e Eliseu, quase se esquecendo de que estava em campo, abriu a ala direita a Gourpec. Ora, o croata não se fez rogado e cruzou rasteiro para a finalização de André Claro, o matador a serviço dos sadinos. A restante defesa do Benfica também não ficou muito bem na fotografia. Foi um relâmpago de velocidade e um de desatenção. Num segundo se perde, num segundo se ganha.

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Pedia-se uma resposta imediata do Benfica. Tinha de ser. Uma equipa depois de uma exibição irreprimível diante do Bayern não podia deixar-se ficar. E começou o bombardeamento. Ricardo esteve à altura enquanto conseguiu, mas as bolas vinham de todo o lado, Mitroglou e Jonas partilhavam entre si uma série de oportunidades desperdiçadas. Foi uma questão de tempo até um golo entrar. O marcador? Quem mais poderia ser que não o suspeito do costume, Jonas? Mas o Benfica não parou e continuou a pressionar de forma esplêndida, baralhando as marcações a um Setúbal que se apresentou num sistema táctico com três defesas, muito diferente do habitual. Os sadinos não estavam a conseguir raciocinar e o Benfica obrigava-os a defender cada vez mais em cima da grande área. Mais uma vez: era uma questão de tempo. Desta vez foi de canto: Jardel marcou de cabeça um grande golo. E estava feito. O Benfica tinha dado a volta ao resultado em 25 minutos, num futebol fantástico, directo, rápido e criativo. Se o Benfica fosse exímio na finalização poderia ter marcado sete ou oito golos. Foram minutos soberbos que valeram o preço de qualquer bilhete.

A intensidade foi muita e a velocidade inacreditável. O Benfica acalmou o jogo e apostou mais na posse de bola e numa troca menos fluida. Os encarnados geriam e o Setúbal tentava encaixar as marcações e responder. E a verdade é que não ficaram muito longe do empate. A defesa da Luz contrastou muito com o ataque na primeira parte. Um demolidor, outro desconcentrado. No segundo tempo não seria assim.

Jardel marcou o golo da vitória e foi o patrão da defesa Fonte: SL Benfica
Jardel marcou o golo da vitória e foi o patrão da defesa
Fonte: SL Benfica

A segunda parte começou igual à primeira: o Benfica tranquilo com bola e o Setúbal, já organizado, a procurar o golo. A verdade é que, apesar da reviravolta a um ritmo alucinante, nada estava ganho. 2-1 é um resultado que deixa o adversário entrar na disputa do jogo; e a equipa da margem sul do Tejo precisava de pontos. À medida que o cronómetro avançava Gaitán e Jonas iam desaparecendo (o ataque dos encarnados foi uma miragem na segunda parte), por oposição a Arnold, avançado sadino, que incomodava o quarteto defensivo encarnado. O Benfica não parecia o mesmo; errava passes, estava desatento… Se não fosse Fejsa, implacável no meio-campo, assim como a dupla de centrais… Não sei o que teria acontecido.

Desta vez nem as substituições alegraram o jogo. A equipa da casa ficou apática e prolongou o sofrimento da vantagem mínima até ao fim do jogo, desnecessariamente. O Setúbal esteve muito bem a aproveitar a queda de rendimento do Benfica e ainda ousou sonhar quando Pizzi teve o atrevimento de fazer um atraso para o guarda-redes completamente despropositado: a bola acabou por ir ter com Arnold, que ficou um a um com Ederson, só que o guarda-redes levou a melhor; gigante, mais uma vez. Foi o susto merecido para um bicampeão, que não o foi durante a segunda parte.

Faltam quatro finais e estamos na frente. Esta já passou, mas nem por isso devemos esquecer o que aqui aconteceu. Muitas das referências do Benfica estão cansadas, física e psicologicamente, e isso reflecte-se no jogo. A postura e a concentração da defesa tem de durar os 90 minutos e as linhas não podem subir tanto quando se joga contra uma equipa com um avançado possante e denominador como Arnold e outro matador como André Claro. Há lições a tirar e num campeão deve residir a humildade, temos de saber reconhecer, em cada jogo, aquilo que fizemos de bem e de mal. Este não foi o nosso melhor jogo, de longe, mas são destes jogos, sofridos, que se fazem campeões. São estes os jogos que decidem o campeonato. O Sporting já os teve, o Benfica já os teve… É por isso que este ano se resume a estes dois. Agora há que mostrar quem quer mais. Que gritemos! Que voemos no dorso da nossa águia. Que ganhemos todas as finais que se atravessarem na nossa frente, seja em que minuto for. Sejam grandes, humildes e saibam a sorte que têm por utilizarem essa camisola. É difícil, mas no início ninguém diria que aqui chegávamos. Voem com os pés no chão.

A Figura:

Fejsa – Não marcou? Não. Não assistiu? Não. Segurou o meio-campo durante o tempo em que esteve em jogo, provavelmente o arquitecto desta vitória. Nas sombras o médio sérvio distribuiu e recuperou bolas. Acima de tudo: pouco ou nada errou.

O Fora de Jogo:

Pizzi – Cruzamentos, passes, golos e uma oferta escandalosa mesmo ao cair do pano… O que lhe dessem ele errava ou fazia mal. Um jogo que contrasta muito com a grande época que o internacional português tem vindo a fazer.

Foto de capa: SL Benfica

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