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A subir de forma e com casa bem composta (mais de 50 mil, a terceira maior assistência da época) o Benfica recebia um Arouca bastante tranquilo na classificação. E se dúvidas havia sobre o bom momento de forma do bicampeão nacional, elas foram desfeitas desde cedo. Pizzi abriu o marcador ainda este estava nos 3 minutos. Frente a um clube que provavelmente viria procurar defender o empate e apostar no contra ataque o mais difícil estava feito. Do primeiro ao segundo golo foi um instante e Mitroglou mostrou que este ia ser um jogo calmo. O grego aproveitou uma monumental falta de marcação e, na pequena área, usou o calcanhar para empurrar para a baliza um cabeceamento de Lisandro.  O Arouca viu a sua estratégia ir por água abaixo e o Benfica controlou o jogo a seu belo prazer. Bastava acelerar para desorientar a formação arouquense.

Se no campo o Benfica passeava, nas bancadas a história era outra. Alguma confusão na bancada ocupada pela claque “No Name Boys” e que envolveu a polícia fez com que os adeptos se desligassem do jogo e assobiassem o que se estava a passar. Ao intervalo, o Benfica tinha tudo controlado e os três pontos na mão. Por esta altura da época, a equipa transborda confiança. É raro um passe errado ou um ressalto perdido. O domínio completo da primeira parte é o resultado de uma consolidação dos processos coletivos (cuja falta de consistência assustou muitos benfiquistas nos primeiros meses de Rui Vitória na Luz) mas também de uma desorientação generalizada do Arouca, que nunca foi capaz de acertar as marcações e foi uma equipa pouco agressiva a defender.

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Pizzi foi o melhor em campo no jogo da Luz; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Pizzi foi o melhor em campo no jogo da Luz;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

A segunda metade começou com Jonas a ameaçar acabar de vez com o jogo, mas o remate rasteiro saiu ao lado. Por esta altura, os visitantes ainda tentaram uma tímida reação com dois remates com algum perigo mas Jonas, aos 67 minutos, confirmou mesmo a ascensão do Benfica à liderança, ainda que provisória, do campeonato. O lance deste terceiro golo podia ter sido concluído por Mitroglou mas o avançado grego mostrou que ainda tem de trabalhar a finalização quando encara os guarda-redes. Num outro lance, já nos últimos dez minutos, também não conseguiu marcar quando seguia isolado. Este problema também é partilhado por Jiménez, que mostra também algumas dificuldades a finalizar.

Quanto mais o jogo se “partia” mais Renato Sanches crescia em campo. O “Ronaldinho da Musgueira” demonstra uma impressionante capacidade de luta no corpo a corpo (característica que os seus 18 anos e o seu metro e setenta e três de altura tornavam improvável), continua a silenciar muitos que prognosticavam a sua quebra de forma mais cedo ou mais tarde e até já está a despertar, segundo notícias deste sábado, o interesse de grandes clubes europeus.

Entretanto, sucediam-se as oportunidades para fazer aumentar a vantagem. A mais flagrante chegou quase no fim, com uma excelente combinação entre Talisca e Gaitán (“el mago”, que regressou à equipa e já começou de novo a espalhar magia neste jogo), a esbarrar em Bracalli, o guardião do Arouca. Também Carcela fez uma boa partida – com as suas habituais arrancadas estonteantes -, assim como Samaris, que confirmou a qualidade que neste momento existe na posição 6 (de resto só assim se explica o empréstimo de Cristante, que, embora tendo potencial, contava com uma concorrência demolidora).

Já numa fase de descompressão, o Benfica ainda consentiu o golo de honra da formação visitante, apontado pelo venezuelano Velázquez. Resta agora esperar por um deslize do primeiro classificado em Paços de Ferreira para assumirmos a liderança da liga. Se não acontecer esta jornada, ainda mais haverá quinze jogos para que cheguemos à meta na frente. E só dependemos de nós.

A Figura:
Pizzi- Está num excelente momento de forma. Além de cobrir a ala direita do ataque, aparece muitas vezes na zona central a fazer passes de rutura e por vezes até em zona de finalização. Parece omnipresente e se mantiver este nível pode ser mais uma boa dor de cabeça para Fernando Santos.

O fora-de-jogo:
Confusão no topo sul – Não se sabe bem o que terá acontecido mas ver famílias benfiquistas a correr pelas bancadas fugindo da confusão e da violência não é uma imagem bonita. Espera-se que seja um caso isolado.

Foto de capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Artigo de Tiago Caeiro e André Conde