A CRÓNICA: “CHAPA 4” AOS POLACOS MAIS UMA VEZ

Se, na primeira jornada, o SL Benfica despachou sem grande dificuldade o Lech Poznan no seu reduto, a partida desta quinta teve um remake glorioso para os comandados de Jorge Jesus: na Luz, as águias receberam e venceram confortavelmente a turma polaca por quatro golos sem resposta, o que permitiu desde já garantir a qualificação para a fase a eliminar da Liga Europa.

A entrada encarnada na partida foi decidida e com a clara intenção de marcar o quanto antes para estabilizar algum nervosismo, que parece ter tomado conta dos jogadores do Benfica nos últimos encontros devido às exibições menos bem conseguidas.

Apesar dessa boa vontade, os homens mais avançados não estavam a conseguir furar a muralha polaca que tinha prometido lutar pelo triunfo na Luz. Foi sem surpresa que o primeiro lance de perigo apenas surgiu aos 21 minutos: numa jogada bem trabalhada pelo ataque encarnado, Grimaldo cruzou para Darwin assistir Pizzi que dispara de pronto para uma boa defesa de Bednarek. Na recarga, o avançado uruguaio em excelente posição rematou por cima.

A procura pelo golo inaugural estava difícil de ser bem sucedida e foi preciso pedir ajuda aos homens lá de trás: minuto 36, canto cobrado do lado direito por Pizzi e Vertonghen subiu ao segundo andar para fazer o 1-0, naquele que foi o seu primeiro golo ao serviço do Benfica.

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Ora, o golo sofrido já era uma má notícia, o treinador Dariusz Zuraw teve mais um duro revés com a lesão grave do avançado Kacharava, tendo sido chamado Ishak para ocupar o seu lugar. Esse foi o último apontamento de uma primeira parte sem grandes motivos de interesse, mas com o Benfica a ir para o descanso na frente de marcador e isso é o que mais importava.

Tal como no primeiro tempo, as águias entraram com vontade de dilatar a sua vantagem e Pizzi logo aos 49’ podia ter feito o 2-0, contudo o seu remate saiu desviado da baliza adversária. A primeira ocasião para os visitantes surgiu pelos pés de Awwad aos 55’ que atirou à figura de Vlachodimos.

Era importante o Benfica chegar o mais rápido possível ao segundo golo, e eis que dois minutos depois, aparece Núñez para marcar: numa boa combinação com Pizzi na entrada da área, o uruguaio voltou a marcar ao Lech Poznan, tal como havia acontecido na partida na Polónia. Nem deu tempo para acabar de escrever o lance do 2-0, e Pizzi já me estava a obrigar a retificar o marcador com o terceiro golo aos 58 minutos num remate colocado de pé esquerdo.

Com uma vantagem confortável no marcador e a qualificação já garantida, Jorge Jesus fez as cinco substituições e o grande destaque foi para a entrada de Weigl que também recuperou da Covid-19. As várias mudanças trouxeram menos interesse ao que faltava jogar desta partida, embora Seferovic tenha ficado perto de entrar na lista de marcadores ao minuto 84, mas sem o sucesso pretendido pelo suíço.

Quem marcou foi o regressado Weigl no penúltimo minuto do encontro com um remate forte à entrada da área e sem grande hipótese de defesa para o guardião Bednarek.

Poucos minutos depois, o árbitro dava por terminado a partida na Luz. Vitória sem contestação do Benfica, que permite às águias juntarem-se ao SC Braga na próxima fase da Liga Europa.

 

A FIGURA

Darwin SL Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Darwin Núñez – O avançado uruguaio é mesmo o reforço mais importante neste Benfica versão 20/21. Após recuperar da Covid-19, o número 9 foi titular e trouxe outra vida ao ataque encarnado: bastante móvel e sempre à procura de ter a bola nos seus pés, acabou por marcar outra vez ao Lech Poznan e vai ser certamente uma peça importante para o ciclo infernal de sete jogos neste mês de Dezembro.

O FORA DE JOGO

Fonte: Lech Poznan

Mohamad Awwad – O ponta de lança israelita poderia ter aproveitado alguma intranquilidade evidenciada por Otamendi no jogo dos Barreiros, mas o defesa argentino esteve à altura do desafio e conseguiu secar por completo Awwad. Sem conseguir criar espaços na frente de ataque dos polacos, o seu único lance de perigo foi num remate de longe aos 55’ que foi de fácil defesa para Vlachodimos. Acabou por ser rendido após o 3-0 e certamente quererá esquecer rapidamente esta má exibição.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O Benfica apresentou-se esta noite no seu habitual 4-4-2. O regresso do avançado Darwin Nuñez foi a grande novidade apresentada para mais uma jornada da Liga Europa, que, em caso de triunfo ou empate, garantia a passagem encarnada à próxima fase da competição europeia. Os comandados de Jorge Jesus entrou com vontade de resolver o jogo o mais cedo possível, mas foi apenas aos 36 minutos que inaugurou o marcador.

O segundo tempo trouxe um Benfica ainda mais determinado em marcar e isso aconteceu em dose dupla no espaço de um minuto, com Núñez e Pizzi a faturarem e garantir a passagem do Benfica à fase seguinte da prova. A partir daí, os encarnados limitaram-se a gerir o rumo dos acontecimentos e ainda conseguiram chegar ao quarto tento, através de Julian Weigl.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Odysseas Vlachodimos (6)

Gilberto (5)

Jan Vertonghen (6)

Nicolás Otamendi (6)

Álex Grimaldo (6)

Gabriel (6)

Pizzi (7)

Rafa (6)

Everton (5)

Chiquinho (6)

Darwin Núñez (8)

SUBS UTILIZADOS

Julian Weigl (6)

 Haris Seferovic (5)

Luca Waldschmidt (5)

Pedrinho (5)

Cervi (5)

 

ANÁLISE TÁTICA – KKS LECH POZNAN

O conjunto polaco apresentou-se na Luz num 4-4-2, e pretendia vencer para ainda sonhar com a passagem à próxima fase da Liga Europa. Ciente da difícil tarefa, o treinador Dariusz Zuraw prometeu na antevisão à partida um Lech a jogar de forma ofensiva e com vontade de marcar a Vlachodimos.

Tendo entregado por completo o domínio de jogo ao Benfica, o conjunto polaco passou a maior parte da partida no seu meio-campo defensivo, e aí o esquema tático transfigurava-se para um 5-4-1 que se mostrava bastante compacto na hora de proteger a sua baliza.

O Lech tentou aproveitar algumas distrações do miolo encarnado para lançar contra-ataques venenosos que pudessem ferir as águias, mas a estratégia adotada durou até ao minuto 36, altura em que Vertonghen fez o golo inaugural. A partir desse momento, aliada à lesão grave de Kacharava, a formação visitante não conseguiu criar grande perigo e saiu de Lisboa com uma goleada.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Filip Bednarek (4)

Bogdan Butko (5)

Lubomír Satka (4)

Tomasz Dejewski (4)

Tymoteusz Puchacz (4)

Michal Skoras (4)

Karlo Muhar (4)

Filip Marchwinski (4)

Jan Sýkora (5)

Muhamad Awwad (3)

Nika Kacharava (-)

SUBS UTILIZADOS

Mikael Ishak (4)

Vasyl Kravets (4)

Alan Czerwinski (4)

Dani Ramírez (5)

Jakub Moder (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SL Benfica

BnR: Julian Weigl regressou em grande à competição com um golo. Que importância poderá ter este golo na recuperação da confiança do médio alemão e que peso pode ter no ciclo de sete jogos que o Benfica irá ter até ao final do ano?

Jorge Jesus: Nos últimos três dias, começámos a trabalhar com o grupo todo. Os que estavam com Covid-19 e os que tinham problemas musculares. O ambiente ficou mais feliz, começaram todos a trabalhar juntos. Estes jogos, este deu para cinco substituições, são jogos que dão mais competitividade a quem não tem jogado tanto e põe toda a gente a competir com mais intensidade. Amanhã, nos próximos jogos, podemos modificar e não sentir que os jogadores não têm andamento necessário para esses jogos. O Julian não dava para muito mais tempo do que o que jogou. Ele teve Covid-19, como sabem, e alguns jogadores sentem mais dificuldades do que outros que não sentem quase nada, como foi o caso do Darwin. O Julian treinou quatro dias e já deu para jogar. A grande qualidade do Julian é ofensiva. É um jogador com uma qualidade de passe extraordinária, mas a posição em que ele joga, exige uma grade capacidade física. Hoje, como jogou mais para a frente, não se notou tanto. É um jogador daqueles que faz parte do plantel, está a lutar pela posição, a concorrência numa grande equipa é assim.

Outras declarações

«O objetivo foi obtido: a vitória garantia a passagem. Foi uma vitória tranquila, poderíamos ter feito mais golos e tivemos 93 minutos de alta qualidade. Quando as minhas equipas fazem este tipo de exibição, é sinal de que os jogadores vão tendo confiança para mostrar o seu potencial. Além disso, foi importante não sofrer golos».

«A Liga Europa não é tão fácil como em anos anteriores. As equipas que vierem da Liga dos Campeões vão trazer maiores dificuldades à competição. Temos a noção do nosso valor e queremos ir mais além».

«Deverei rodar a equipa na Bélgica por causa das outras competições, embora o facto de ficar em primeiro possa ter peso no futuro do Benfica na prova».

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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