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SL Benfica 4-1 CD Nacional: se fosse fácil não era para nós!

João Amaral Santos · 3 min

A força do Benfica nasce em cada um de nós Fonte: SL Benfica

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Escrevo estas linhas e admito, caro leitor, a minha inabilidade para colocar por palavras tudo aquilo que, como benfiquista, já vivi e senti neste dia tão único e especial. O Benfica é tricampeão nacional e ao escrever esta simples e curta frase compreendo, no imediato, a importância do momento. Aguardei uma vida inteira, suportei o fim do Benfica europeu, o período mais negro da história do nosso clube – que colocou a sua própria existência em risco – e o seu renascimento, no início deste século, lento e paciente. As vitórias regressaram, já não tão esporádicas, mas naturais e frequentes, consequência de um trabalho extraordinário (porém, não isento de erros) de consolidação desportiva por parte do presidente Luís Filipe Vieira. Este jogo, toda esta época que hoje termina, representa muito mais que a conquista de um campeonato: o actual Benfica é, mais do que nunca, aquele com que sempre sonhámos.

Rui Vitória é o grande protagonista deste título. Foram muitas as dúvidas – que tantas vezes partilhei – em torno da direcção seguida por este projecto; mas foram muitos mais os obstáculos ultrapassados brilhantemente. Rui Vitória uniu o grupo na adversidade; grupo que, já sem apostas a favor, com doses imprescindíveis de trabalho e humildade, pensando cada jogo como se de uma final se tratasse, realizou uma época de superação, que se conclui com a maior pontuação jamais obtida no campeonato português a 18 equipas. O Benfica termina na 1.ª posição com mais pontos, com o melhor ataque, com a segunda melhor defesa, com o melhor (Jonas, com 32 golos) e o terceiro melhor (Mitroglu, 19) marcadores, e com Renato Sanches, valorizado em 35 milhões de euros, como grande revelação da prova – é , por isso, um campeão justíssimo e inequívoco.

Benfica
A força do Benfica nasce em cada um de nós
Fonte: SL Benfica

A tarde foi de festa. Benfiquistas de todo o mundo rumaram à Luz para aquilo que, no coração de todos, só poderia desaguar na festa do tricampeonato. Milhares na Catedral e milhões, muitos milhões, espalhados pelos quatro cantos do globo. Rui Vitória não contou com os castigados Eliseu e Renato Sanches, fazendo entrar para os seus lugares Talisca e Grimaldo. O regresso de Gaitán (por troca com Carcela) foi a outra alteração comparativamente com a jornada anterior.

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O Benfica assumiu a iniciativa desde o apito inicial; o Nacional optou pela consistência defensiva, arriscando, dentro das suas possibilidades, fazer saídas apoiadas e rápidas para o contra-ataque. O jogo desenrolou-se perto da área dos insulares e, sem surpresas, as águias chegaram à vantagem, numa jogada de insistência, com Gaitán (de despedida? Não creio!), aos 23 minutos, a colocar o esférico no sítio certo. Com a vantagem garantida, a equipa reconquistou confiança e segurança – e nem os desenvolvimentos do outro jogo do dia alteraram essa toada. O Benfica cresceu e, ainda antes do intervalo, aos 39 minutos, fez o golo da tranquilidade, da autoria do inevitável Jonas.

A 2.ª parte serviu, essencialmente, para ensaiar os festejos pelo 35.º título de campeão. Ainda assim, a equipa não menosprezou o adversário – usando de um dos segredos do sucesso – e foi em busca de mais golos, que surgiram, com naturalidade, por Gaitán (65’) e Pizzi (84’) (este último, numa grande execução). Já com Paulo Lopes, um de nós, na baliza do Glorioso, o Nacional reduziu para 4-1, por Salvador Agra; um prémio justo para um grupo que, tal como todos os que lhe antecederam, deu o que tinha e o que não tinha na tentativa de roubar pontos ao Benfica.

A festa dos jogadores no balneário Fonte: SL Benfica
A festa dos jogadores no balneário
Fonte: SL Benfica

Para terminar, deixo uma palavra para os vencidos. O Sporting valorizou muito este título – pelo futebol praticado, pela qualidade individual e colectiva apresentada. Poderia perfeitamente ter sido campeão e só não o foi por ter falhado, embora pouco, em momentos cirúrgicos. A postura menos digna de Bruno de Carvalho e de Jorge Jesus – a deste último demonstrada, uma vez mais, no final do encontro de Braga –, em relação ao Benfica e aos seus profissionais, foi, a bem da verdade, uma ajuda inestimável em determinada altura da época. Portanto, sem rancores, só temos a agradecer, esperando que, no próximo ano, a luta seja travada, única e exclusivamente, dentro das quatro linhas.

Agora, deixo-vos abruptamente – vemo-nos no Marquês!

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

João Amaral Santos

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