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Num dia chuvoso de Inverno, pouco favorável à prática do futebol, o Benfica deu seis alegrias aos mais de trinta mil corajosos que, mesmo assim, foram até ao Estádio da Luz a meio da semana. Os que esperavam um jogo algo monótono, condicionado pelo mau tempo e com menos qualidade ainda não tinham olhado bem para a composição do onze encarnado. Estava lá Carcela, o desbloqueador de nulos. As expetativas em relação ao que os insulares poderiam fazer depois da vitória de há uma semana no Porto duraram pouco mais de meia hora.

O jogo até começou por ser equilibrado. Depois de uma gigantesca “perdida” de Jiménez, isolado, os leões do Funchal meteram as garras de fora e quase faziam mossa por Dyego Sousa. O atrevimento tático da formação de Ivo Vieira, que veio a Lisboa jogar no seu tradicional 4-3-3, sem cautelas adicionais frente ao melhor ataque do campeonato, só poderia dar dois resultados: ou corria muito bem ou corria muito mal. E só começou a correr muito mal no último quarto de hora da segunda parte, quando, em cinco minutos, o Benfica faz três golos sem ninguém o esperar. Aquela que até ali estava a ser mais uma incómoda exibição no plano do “mediano” a tombar para o “mau”, transformou-se num ápice em goleada, com o contributo decisivo de Carcela. Foram dele a arrancada e o excelente cruzamento que estiveram na origem da primeiro golo e foi também dele o passe de rutura que ajudou a contruir o segundo. Dois golos de Pizzi a que se seguir outro de Jiménez e o Marítimo a dez minutos do intervalo estava destroçado e tinha o jogo perdido.

Carcela foi decisivo no arranque da goleada Fonte: SL Benfica
Carcela foi decisivo no arranque da goleada
Fonte: SL Benfica

Os madeirenses entraram para a segunda parte sem nenhum tipo de reação e cometeram dois penáltis escusados que Jonas aproveitou para se destacar ainda mais na liderança dos melhores marcadores da Liga. E aos 53 minutos, o placard já indicava 5-0 a favor do Benfica. Pela cabeça de muitos já passava a hipótese de hoje serem igualados ou até ultrapassados os míticos 9-0 com que, em 1985, o Benfica tinha derrotado os verde-rubros. Acabou por não acontecer, não porque o Marítimo tivesse resistido, mas porque os encarnados baixaram claramente o ritmo por causa da carga de jogos que se avizinham, a começar já na sempre difícil Choupana no domingo. Ainda houve tempo para Talisca marcar um bom golo. Continuo a não perceber a utilização sistemática deste jogador que, na minha opinião, nada traz à equipa, muito pelo contrário.

Devido à forma como o jogo se foi desenrolando, não é possível dizer se houve uma evolução significativa na qualidade exibicional em relação ao jogo em Guimarães mas notaram-se hoje mais movimentações de Jonas e Jiménez entre os defesas a pedir passes de rutura, quer rasteiros quer pelo ar. Diria que a equipa ainda não está “no ponto”, ainda não apresenta uma regularidade exibicional que transmita total confiança aos adeptos (longe disso), mas, numa altura em que estamos praticamente no fim da primeira volta, há vários jogadores em clara subida de forma e, se não houver mais nenhuma lesão grave (e com os regressos de Salvio e Semedo), temos plantel que baste para chegar ao tri.

A figura:

Carcela- Frenético. Explosivo. O belga/marroquino tem uma capacidade de aceleração estonteante e raramente não ganha um “um-para-um”. Não marcou mas desbloqueou o jogo mais uma vez. Já estive mais preocupado com uma possível saída de Gaitán.

O fora de jogo:

Equipa do Marítimo- Uma semana depois de ter ganho no Dragão (para a Taça da Liga, é certo), apresentou-se na Luz com excesso de confiança e poucas cautelas e saiu goleada. Os jogadores estiveram apáticos e a lesão de Salin no início do jogo não ajudou.

Foto de capa: SL Benfica

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