A década de 60 e também a de 80 são os glorioso pergaminhos da aventura europeia do Sport Lisboa e Benfica. A cinco finais da Taça dos Campeões Europeus – duas vitoriosas –  juntaram-se nos anos 80 outras duas e ainda uma final da Taça UEFA.

A década de 90 trouxe-nos a grande depressão do Sport Lisboa e Benfica. Com o novo século foi-se recuperando o clube das trevas em que se tinha afundado. A raras conquistas nacionais juntou-se o melhor desempenho europeu benfiquista do século às mãos de Ronald Koeman.

O grande salto futebolístico foi dado já com Jorge Jesus. Voltou a afirmação nacional, o clube cresceu em infraestruturas e principalmente na qualidade da sua Formação, e em 2013 e 2014 o Sport Lisboa e Benfica marcou presença em mais duas finais europeias – desta vez na Liga Europa.

Apesar de todo o crescimento a nível estrutural e nacional, o clube continua com enormes dificuldades em se afirmar verdadeiramente na Europa. Com um sorteio favorável parece que o máximo que pode almejar é chegar esporadicamente aos Quartos de Final da Liga dos Campeões – competição onde as verdadeiras Lendas deixam o seu Marco na história do Futebol.

Com a recente total afirmação no futebol nacional, com o crescimento financeiro do clube e com o exímio desenvolvimento de jovens jogadores no Centro de treinos do Seixal, o que tem faltado ao SL Benfica para se afirmar definitivamente como um clube de Liga dos Campeões?

Provavelmente Visão e definitivamente Estratégia. São as decisões que têm limitado o crescimentos europeu do clube.

A constante venda dos seus melhores jovens antes que estes tenham tempo para se afirmar verdadeiramente na equipa principal. A constante venda dos melhores jogadores do plantel quando os adeptos já olham para o plantel como tendo qualidade para atacar a Europa. E durante alguns anos até a decisão de insistir numa equipa técnica que não correspondia à grandeza do clube – limitava-a.

O primeiro grande desafio será passar esta fase de grupos
Fonte: UEFA

Nem é necessário recuar além deste Verão. Os benfiquistas ansiavam por um investimento que permitisse ao clube lutar na Europa dos Grandes. Depois da conquista do último campeonato nacional, do surgimento de enormes novos talentos e da afirmação de craques que até então ainda não tinham explodido, os adeptos viam um potencial tremendo no futebol encarnado sustentado por uma maior saúde financeira. Todos sonhavam na manutenção do plantel campeão nacional reforçado cirurgicamente nas posições mais carenciadas – sobretudo os sectores mais defensivos.

Mas o que vimos?

A saída do maior craque da equipa e a venda milionária do maior talento da Luz. Saídas nunca colmatadas. Vieram reforços que pouco acrescentaram à qualidade do plantel. Não se investiu nos sectores mais defensivos da equipa. Mais uma vez a Direcção do Sport Lisboa e Benfica impôs um Benfica não-Europeu.

Resta a Bruno Lage e aos seus jogadores contrariarem a SAD do Clube e operarem um Milagre Europeu.

O primeiro grande desafio será o apuramento na Fase de Grupos. Os adversários serão o FC Zenit, o Olympique Lyonnais e o RB Leipzig. A Sorte sorriu neste sorteio ao não ter colocado nenhum colosso europeu como cabeça de série no caminho do SL Benfica, contudo não foi tão evidente ao equilibrar o grupo nos restantes potes. À partida será uma mini-competição de seis jogos onde os encarnados poderão tanto perder pontos como vencer os duelos seja em que estádio for e contra que adversário for.

O RB Leipzig será certamente o adversário mais complicado. As equipas alemãs são de má memória para o Sport Lisboa e Benfica e o RB Leipzig tem se afirmado no campeonato alemão e se mostrado na Europa nos anos mais recentes.

A equipa de Julian Nagelsmann – treinador jovem acabado de assinar pelo clube depois de uma boa experiência no Hoffenheim – fixou-se no top 6 alemão nos últimos três anos, tendo inclusive alcançado um vice-campeonato e o 3.º lugar na época passada. Esta temporada conta já com três vitórias em três jogos. Há dois anos calhou no grupo da Champions do FC Porto tendo ficado em 3.º lugar e posteriormente eliminado o SSC Napoli e FC Zenit na Liga Europa, sendo eliminado pelo Olympique de Marseille nos Quartos de Final. Já na época transacta não se conseguiu superiorizar ao Celtic FC e FC Red Bull Salzburgo na fase de grupos da Liga Europa.

O RB Leipzig optou por investir fortemente no plantel tendo somente vendido o Bruma e investido 55M em reforços. Esta equipa tem-nos oferecido grande capacidade de ataque em velocidade e reacção à perda de bola. Com Julian Nagelsmann poderá vir a apresentar um maior controlo da posse sempre liderado no ataque por Timo Werner.

O jovem avançado Timo Werner poderá ser decisivo na eliminatória
Fonte: RB Leipzig

Também o Olympique Lyon se afigura como uma equipa muito interessante. Longe daquela equipa que foi heptacampeã, tem-se rejuvenescido na sombra do PSG e começa a apresentar bons jogadores, bom futebol e bons resultados.

A equipa francesa arranca esta época com um estreante enquanto treinador principal – o ex-internacional brasileiro Sylvinho. Nos últimos quatro anos têm-se afirmado no top 4 francês com um vice-campeonato e dois terceiros lugares. Depois de há dois anos terem sido eliminados nos Oitavos da Liga Europa pelo PFC CSKA Moscovo, a época passada garantiram o apuramento no grupo da Champions tendo então sido eliminados pelo FC Barcelona nos Oitavos da competição. Esta época contam com 7 pontos em quatro jogos. Arrancaram com duas goleadas mas posteriormente foram perder ao terreno do Montpellier HSC.

Neste mercado apresentaram-se como um clube vendedor com mais de 130M feitos em transferências. No sentido inverso investiram praticamente 90M no reforço do plantel.
O O. Lyon que tenho visto é uma equipa que gosta de praticar bom futebol, com uma posse de bola muito técnica e jogadores bastante criativos para fazerem a diferença no último terço do terreno. Memphis Depay é certamente o jogador mais decisivo do ataque da equipa de Lyon.

O FC Zenit é já um clássico europeu no percurso moderno do SL Benfica. Está longe daquele que há sete anos se reforçava com Hulk e Witsel vivendo hoje mais focado no produto nacional.

Foi com Sergey Semak no comando técnico que a equipa de São Petersburgo voltou a sentir o sabor do título nacional. O actual campeão russo conta com recentes modestos desempenhos na Liga Europa – em 2017 foi eliminado nos 16-avos pelo RSC Anderlecht, em 2018 nos oitavos pelo RB Leipzig e em 2019 também nos oitavos mas pelo Villarreal CF.

Neste mercado de tranferências vimos um Zenit muito activo no reforço do seu plantel. Foram 66M investidos principalmente nos brasileiros Malcom e Douglas Santos. Actualmente encontra-se em 3.º lugar no campeonato mas em igualdade pontual com o FK Krasnodar e o líder FK Rostov.

Malcom é a nova estrela de São Petersburgo
Fonte: FC Zenit São Petersburgo

Parece-me a equipa mais frágil do grupo e será pelas alas que tentará causar alguns desequilíbrios nas defesas adversárias. A comandar a defesa estará um dos carrascos das finais europeias do SL Benfica – Branislav Ivanovic.

Estes são os três primeiros obstáculos que o Sport Lisboa e Benfica terá na tão almejada afirmação europeia. São duelos ao alcance da equipa de Bruno Lage que seria certamente a favorita do grupo se tivesse havido uma diferente abordagem ao mercado.

Um SL Benfica forte no ataque causará muitos problemas a qualquer uma desta equipas mas necessitará sempre de ganhar o meio-campo, de conseguir ter bola e controlar o ritmo do jogo. Sem um meio-campo à altura a defesa encarnada será demasiado permeável à velocidade e criatividade dos atacantes adversários. Um bom Gabriel poderá ser a diferença entre um SL Benfica forte neste grupo ou um SL Benfica de passagem nesta competição.

 

Foto de Capa: SL Benfica

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