SL Benfica e o número 10

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Quem é que achas que vai ser o número 10 de Schmidt?

 

Gorada a hipótese Götze, cabe ao SL Benfica arranjar o seu ‘10’. Não parece haver no plantel quem faça Roger Schmidt repensar a urgência de uma contratação antes de uma readaptação do sistema que pretende implementar, o 4-2-3-1 com que brindou Eindhoven e que já é uma divergência do 4-4-2/4-2-2-2 com selo Red Bull com o qual começou a carreira e consolidou em Leverkusen.

Na Luz não se encontra ninguém com estilo de clássico fantasista desde João Félix, que interrompeu a seca que havia desde Pablo Aimar – porque Jonas nunca foi esse playmaker a tempo inteiro, antes tinha nível suficiente para conciliar essas tarefas com as de nove de área, sendo mais apropriado classificá-lo de nove e meio, como se classificou Saviola.

As diferenças entre eles e um organizador ou trequartista ficaram provadas na transição entre 2010-11 e 2011-12, quando Jorge Jesus foi obrigado a reinventar o seu losango fruto do fracasso Champions e desse choque competitivo, arrastando Aimar uns metros em frente de forma a abrir espaço para um ‘8’ como Witsel, sacrificando Saviola: o que resultou num futebol muito mais cerebral, muito menos errático e impulsivo mas igualmente ofensivo.

Exatamente o mesmo processo evolutivo pelo qual passou Roger Schmidt, agora mais interessado em fazer dinamizar o último terço com a introdução de alguém pronunciadamente nas entrelinhas ao invés de emparelhado com o outro ponta-de-lança.

Neste momento há João Mário – boas indicações no treino aberto ao público – Chiquinho e Pizzi, mais médios que homens de último toque, e Gonçalo Ramos, que pode fazer esse papel de forma exemplar como na época que findou, mas que terá sempre o auge do seu jogo na zona de penalty.

Ao SL Benfica sempre se associou o futebol virado para a frente, o golo como objetivo principal de um jogo que para o adepto será sempre romântico, intolerável será sempre a vitória recorrendo a outras ferramentas que não o futebol bonito. Por isso, é fácil identificar os ‘dezes’, por mais que o sistema histórico do SL Benfica – o 4-2-4 primeiro, herdado dos húngaros e de Béla, e a natural evolução para 4-4-2 – não o incorporasse no papel.

Antes, no 2-3-5 com que se ganha a Taça Latina, já Rogério fazia as vezes de playmaker apesar de assumir pela ala esquerda ou como interior, ao lado de Arsénio e atrás de Julinho. Nos anos 60, Coluna organizava a partir de trás e Eusébio, normalmente explorando os terrenos em volta de Águas ou Torres, era quem mais se aproximava do papel de trequartista.

Na chegada dos anos 70 e do 4-4-2 em linha, houve o ressurgimento de um oito menos combativo do que Coluna ou Jaime Graça e mais criativo, com Vitor Martins ou João Alves a abrirem caminho para Carlos Manuel ou Diamantino nos 80s.

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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