As equipas B voltaram a existir desde a temporada de 2012/2013 e é consensual que a criação destas para competir na Segunda Liga tornou-se numa mais-valia para o desenvolvimento dos jovens jogadores formados nas principais equipas portuguesas. No entanto, há uma questão que tem gerado discussão entre os adeptos: qual é a importância dos resultados na equipa B, e qual a sua influência no desenvolvimento dos jovens?

É evidente que as equipas B estimulam os jovens de uma forma que os outros escalões jovens não estimulam. Os jogadores têm o seu primeiro contacto com o futebol profissional, e enfrentam uma série de contextos que não enfrentam nos escalões anteriores. Enfrentam equipas muito mais experientes e que jogam mais resguardadas na defesa, procurando partir para o contra-ataque e jogar no erro do adversário, situações a que os jovens da formação estão pouco habituados.

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Na Segunda Liga, todos os jogos são competitivos para estes jovens, enquanto que nos escalões jovens, em cerca de 40 jogos numa época, haverá cerca de dez que são competitivos. E a verdade é que, por muito talentosos que os jovens sejam, ao chegarem à equipa B na Segunda Liga, estes levarão tempo para se adaptarem a esta nova realidade e amadurecerem com a mesma e, com isso, é de esperar que, pelo menos numa primeira fase, os resultados não sejam os melhores.

Num clube como o SL Benfica, um jogador das camadas jovens tem ao longo do seu percurso uma percentagem de jogos ganhos na casa dos 90%. Ora, a equipa B do SL Benfica sempre teve uma taxa de vitórias inferior a 50% em todas as épocas. E dos treinadores que já passaram pela equipa B dos encarnados, Bruno Lage foi o único que teve uma percentagem de vitórias superior a 50%, muito graças ao facto de que, nos seis meses em que treinou a formação secundária dos encarnados, este contava com uma equipa-base composta por jogadores que já iam para a segunda ou terceira época na equipa B, e, como tal, já tinham alguma experiência de Segunda Liga.

Outra questão que também interfere nos resultados da equipa B é que, ao longo da semana, são frequentes as ocasiões em que há jogadores a ser chamados para treinar com a equipa principal, sendo que, com isso, o treinador da equipa B prepara os seus jogos sem saber com que jogadores pode contar.

Apesar de já ter havidos épocas em que o SL Benfica esteve perto dos lugares de descida, isso não impediu que a equipa B transitasse vários jogadores para a equipa principal, bem como para outros clubes da Primeira Liga, ou até mesmo para o estrangeiro. No entanto, também existem casos que demonstram o oposto.

Por exemplo, a equipa B do FC Porto que foi campeã da Segunda Liga em 15/16. Quantos jogadores se afirmaram na equipa principal? Apenas um, André Silva. E da equipa de sub-23 do CD Aves que conquistou a Liga e a Taça Revelação em 18/19, quantos jogadores estão a competir na Primeira Liga? Apenas um, Ricardo Mangas (que, atualmente, joga no Boavista FC).

Cristiano Ronaldo, um dos melhores jogadores de sempre, nunca foi campeão nacional na formação do Sporting CP e isso não o impediu de chegar ao topo do futebol mundial nem de ser alguém que trabalha arduamente para ser melhor do que todos os outros.

Ter bons resultados na formação é uma falácia. E a equipa B, mesmo estando inserida num contexto sénior e profissional, também é uma etapa de formação. Como tal, a prioridade numa equipa B deverá sempre passar pela evolução e desenvolvimento individual dos jovens jogadores.

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