Última horaEm Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)
Publicidade

SL Benfica | Pausa, Jorge, ainda há por onde melhorar

Márcio Francisco Paiva · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O SL Benfica chegou a esta fase de interrupção do calendário para compromissos de seleções com a presença na Liga dos Campeões assegurada e na liderança da Primeira Liga.

No entanto, e pese embora a consistência vitoriosa e a maior solidez defensiva (em contraste com o que sucedia na temporada anterior), há sempre aspetos a trabalhar e melhorar.

A pausa no calendário competitivo abre espaço a eventuais mudanças, ainda que 13 elementos do plantel principal estejam ausentes em representação das suas seleções.

Assim, há um aspeto sobre o qual poderá incidir maior atenção da equipa técnica nesta quinzena de paragem: a integração de jovens da equipa B nos trabalhos do plantel, procurando suprir as lacunas remanescentes do fim de mercado de menor fulgor das águias.

Roman Yaremchuk leva já um golo e duas assistências em apenas três jogos no SL Benfica
Roman Yaremchuk foi a contratação mais cara do SL Benfica neste defeso
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Apesar de algumas boas movimentações nesta janela de transferências, os encarnados permanecem com um plantel algo desequilibrado. Este é o momento ideal para procurar soluções internas para contrariar isso.

Talvez o exemplo mais gritante seja o da lateral/ala esquerda. Gil Dias não foi sequer inscrito na Liga dos Campeões e o português parecia ser “a” alternativa de Jorge Jesus para o lugar de Grimaldo.

Parece não ter agradado. E agora? De uma forma pessoal (e ainda que rogue por uma maior, mas não cega e descabida, aposta nos jovens), não me parece que Sandro Cruz ou Rafael Rodrigues estejam preparados para serem a sombra do espanhol ex-FC Barcelona B. Todavia, mereceriam pelo menos mostrar-se e compor o grupo de trabalho durante a ausência de outros elementos.

Contudo, não são apenas os novatos a precisarem de espaço de montra. Também elementos que partem em claro segundo ou terceiro plano devem ter nestes 15 dias uma oportunidade maior para se mostrarem ao treinador.

Ferro, por exemplo, poderá beneficiar das ausências dos habituais centrais para demonstrar a JJ que este não precisava, como apregoado em conferência de imprensa, de mais um central.

Todavia, as mudanças vão além do plano individual. Coletivamente, a equipa poderá igualmente crescer nesta quinzena sem partidas oficiais. Naturalmente, não é fácil trabalhar os automatismos e os processos da equipa com gente em falta, mas Jorge Jesus vai com certeza querer consolidar a solidez defensiva das águias.

Ainda que o SL Benfica tenha melhorado em relação a 20/21, nas partidas frente ao PSV e frente ao CD Tondela avistaram-se vislumbres de dificuldades nas transições defensivas, sobretudo quando as águias perdiam a posse de bola ainda no seu meio-campo. Os golos de Gakpo e de Salvador Agra na Luz evidenciaram tal.


Com a integração de Lázaro no plantel, o SL Benfica poderá agora aprimorar também o seu jogo exterior, tentando criar desde já rotinas que envolvam o jogador austríaco, que se espera que assuma o papel de titular. Todavia, as ausências de Rafa e Nemanja irão dificultar ao máximo a tarefa.

Por fim, a pausa que decorre servirá também para que a equipa técnica liderada por JJ perceba com que médios poderá verdadeiramente contar quando não for possível alinhar com a dupla Weigl-João Mário. Gabriel não conta, Paulo Bernardo (infelizmente) idem. Com Meité e Taarabt mais acima na hierarquia, Gedson será o elemento que mais necessitará de mostrar valor por estes dias.

O restante trabalho será de consolidação do que de bom tem sido feito, preferencialmente com maior afinco na finalização. O regresso à competição de clubes encerra partidas complicadas, com a deslocação aos Açores para defrontar o CD Santa Clara e a estreia na Liga dos Campeões, em Kiev. Que SL Benfica vamos ter? É esperar para ver…

Márcio Francisco Paiva

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.