O SL Benfica tem atravessado os dias mais negros da sua história. A detenção de Luís Filipe Vieira foi fruto de um efeito bola de neve que acumulou uma série de problemas acontecidos nos últimos tempos, tanto do ponto de vista desportivo, como do ponto de vista negocial e administrativo.

Depois das polémicas e suspeitas em redor das eleições de 28 de outubro de 2020, da Comissão de Inquérito Parlamentar de dez de maio de 2021 e da ação judicial contra o presidente do SL Benfica interposta pelo advogado Jorge Mattamouros, os pedidos de demissão a Luís Filipe Vieira estavam mais acentuados do que nunca.

Dado o desenrolar do processo nos últimos dias, o advogado de Luís Filipe Vieira anunciou que o primeiro presidente em funções detido da história do emblema encarnado suspendeu o seu mandato sem ainda ser anunciada a sua medida de coação. Após reunião da Direção, na tarde da última sexta-feira, Rui Costa foi eleito, por unanimidade, como o 34º presidente da história do SL Benfica.

Foi esta a história que se fez transparecer cá para fora quando, na verdade, todo este processo em redor da presidência das águias é muito pouco claro. Isto porque a suspensão de mandato proclamado pelo advogado de Luís Filipe Vieira não está estipulada nos estatutos do clube – estatutos esses que definem que a sucessão imediata e interina de um vice apenas se poderá dar aquando da cessação de funções do presidente em vigor, situação que não se verifica atualmente, visto que suspensão não é a mesma coisa que demissão.

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Moral da história: Luís Filipe Vieira ainda é presidente do SL Benfica e nada garante que não regresse a desempenhar funções. Mas esta situação vai muito além desta ilegítima “passagem de testemunho fantasma” que se sucedeu nesta semana.

Rui Costa foi administrador da SAD do SL Benfica durante vários anos. Como tal, não consigo acreditar que não tenha estado a par dos negócios pouco claros e transparentes que levaram à detenção de Luís Filipe Vieira, situação que também se aplica com os restantes elementos dos Órgãos Sociais e do Conselho Administrativo da SAD, que poderão estar coniventes com o presidente nestes esquemas.

Neste momento, há uma época para preparar e um Empréstimo Obrigacionista por fechar. Mas os sócios do SL Benfica também têm o direito de usar a palavra, sendo que ainda existe uma Assembleia Geral Extraordinária por marcar.

Depois disso e do fecho do mercado, caso haja uma cessação de funções de Luís Filipe Vieira, seja quem for o seu sucessor, estando na Direção atual ou não, este deve ser alvo do escrutínio dos sócios encarnados, tal como é exigível em qualquer estado democrático.

Muita coisa ainda pode acontecer e muita tinta ainda há de correr. Mas uma coisa é certa: esta novela em torno do SL Benfica e de Luís Filipe Vieira ainda está longe de estar acabada.

 

Artigo revisto por Andreia Custódio

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