Sonhem, mas cepticamente

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    Quando, no final da temporada passada, apenas sobraram críticas depois de meses num pedestal a fazer sonhar os benfiquistas, Jorge Jesus parecia ter perdido todo o crédito. Aí, apenas os pobres de espírito se vangloriavam de ter estado nas decisões. Como se isso enchesse museus do clube e a alma do adepto. Renovado que foi o seu contrato, não seria difícil de adivinhar o que o futuro iria trazer à equipa: início de época desastroso; Jorge Jesus com o seu lugar salvo no limite em alguns jogos; apatia generalizada nos jogadores, que se arrastavam no relvado enquanto tentavam superar o trauma de Maio. Depois da contestação e da ira de que foi alvo no início da época, Jesus e os jogadores ganharam novamente a confiança dos benfiquistas. Dos sonhadores, que acham que 2013/14 será o reverso de 2012/13. Dos mais cépticos, que segredam ao colega de bancada a sua confiança, mas dizem que ainda é cedo. Dos pragmáticos, que apenas vêem Maio de 2013 repetir-se em Maio de 2014. Mas depois de Maio de 2013, como não os perceber? Verdadeira montanha-russa de ambições e desejos, que Jesus e os jogadores terão de colocar em títulos.

    Elogiar quando é de se elogiar, criticar quando é de se criticar. Enorme chavão, sim, mas que se aplica perfeitamente à avaliação que deve ser feita acerca do trabalho de um treinador. E está na altura de voltar a elogiar Jorge Jesus, sempre com a perfeita noção de como isso poderá ser perigoso e fatal nas nossas ambições. É difícil sonhar com o Luisão a levantar troféus enquanto o Enzo dança com o Gaitán e, ao mesmo tempo, manter os pés no chão. Mas é o que deve (e tem de!) ser feito. E para que isto aconteça têm de ser dirigentes, jogadores e treinador a dar o mote. Não repetindo a palhaçada que aconteceu depois do jogo nos Barreiros em Abril último, consequência da pouca cultura de vitória que temos em nosso redor. Essa avaliação de Jorge Jesus é, por esta altura, positiva. Se há mérito que lhe reconheço acima de muitos outros, é o de recuperar a equipa quando tudo parece ir contra si. E fê-lo mais uma vez nesta temporada. Depois de cinco pontos de desvantagem para o Porto, tem neste momento quatro à maior. Demérito do clube do norte? Sim, obviamente. Mas muito mais mérito de Jesus, que conseguiu recuperar a dinâmica ofensiva que caracteriza a equipa, juntando-lhe ainda uma enorme solidez defensiva: um golo sofrido nos últimos 12 jogos. Pelo discurso e pelo onze apresentado na Grécia, a Liga Europa não será mais do que um bónus e não uma prioridade. O que interessa fundamentalmente é o campeonato, sim. Mas com um plantel tão rico em qualidade e quantidade, se calhar não é necessária uma gestão tão radical.

    Jesus e os jogadores têm os pés no chão neste momento? Sim. Mas a comunicação social vai-lhes massajando o ego e recordo que temos apenas quatro pontos de vantagem sobre o Porto. Sim, o Porto está péssimo e com um fio de jogo a roçar o deprimente, mas todos sabemos que esse fantasma só está enterrado quando matematicamente morto. Como os dois últimos anos comprovaram. Quero acreditar que a passada temporada serviu para aprendermos com os erros. O possível ganhar do Benfica estará na forma como perdeu e como se levantou disso. Nem sonhador, nem céptico. Talvez no meio.

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    Francisco Vaz de Miranda
    Francisco Vaz de Miranda
    Apoia o Sport Lisboa e Benfica (nunca o Benfas ou derivados) e, dos últimos 125 jogos na Luz, deve ter estado em 150. Kelvin ou Ivanovic não são suficientes para beliscar o seu fervor benfiquista.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.
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