Começa a paragem para a disputa de jogos entre as seleções nacionais, jogos estes que contam para a qualificação para o Mundial de 2018, na Rússia. Numa altura em que a Liga NOS termina a oitava jornada sem vitórias dos grandes, a distância entre Benfica, Sporting e FC Porto mantém-se a mesma: Benfica com menos três do que o Sporting e menos cinco que o líder FC Porto.

Que os encarnados estão em “crise” é um tema que já fez correr muita, e até talvez demasiada, tinta em Portugal. É verdade que o clube apenas ganhou metade dos jogos que disputou e que perdeu uma oportunidade de ouro para diminuir a distância para os rivais, e também é verdade que tais acontecimentos são raros quando se trata de um clube como o Benfica, quanto mais depois de vencer 12 dos 16 títulos nacionais possíveis nos últimos anos; no entanto, exatamente por ter ganho um tetracampeonato, e nem todos eles terem começado da melhor forma, há que colocar a hipótese de uma subida de performance na equação. Há dois anos atrás, no primeiro ano de Rui Vitória, a equipa perdera a oportunidade de passar para a frente do campeonato após desaires dos rivais, mas acabou por perder frente ao Arouca, fazendo-o recuar um passo, na vez de avançar dois.

Contudo, uma série de vitórias consecutivas, levou as águias a recuperar pontos que os adversários iam deixando cair, enquanto estes faziam a sua escalada positiva. Mesmo após o desastre por 0-3 na Luz, frente ao principal rival nesse ano, Sporting, quando se dizia que o bicampeão poderia estar a deixar fugir a coroa, nova série de vitórias consecutivas no término da temporada, levou mais um título de campeão nacional para o palmarés encarnado.

Com isto, não estou a fazer prognósticos, atenção, pois é preciso muito cuidado com as palavras para que não seja mal entendido. O que quero com isto dizer é que maus momentos, o Benfica tem mostrado (infelizmente) várias vezes, embora que as performances da equipa nunca tenham estado tão abaixo da fasquia imposta em anos anteriores. Não obstante a má fase que se apresenta, só agora estamos em Outubro e há muita bola para chutar daqui até Maio.

Se há boa altura para que os encarnados possam rever a matéria e corrigir os erros nos vários testes desta época, é agora. Competições em Portugal em pausa, há que pegar nos apontamento e praticar, trabalhar (como o treinador encarnado gosta de dizer) e criar rotinas num onze base, algo que tem falhado imenso no plantel.

Rui Vitória terá de ensinar de novo ao plantel a jogar futebol, a saber trocar a bola, pressionar, defender, atacar e tudo mais, pois parece andar tudo a falhar seja qual for o onze que entra em campo. Penso ser oportuno criar um onze base que garanta bons resultados, trabalhar esse onze e, quando for preciso alguma alteração, esse substituto saber como tem de jogar, e os outros dez, saberem como ele vai proceder em campo. Quebrar o estilo de jogo lento, sem ideias e incrivelmente previsível que se tem visto nas quatro linhas é uma tarefa prioritária. Já não me lembrava de ver um Benfica com tanta qualidade em campo e a jogar com tão precárias e primitivas ideias de jogo que se cingem no passar a bola para os centrais de modo a virar o jogo, subir as linhas com a posse de bola e meter a bola no Pizzi para que tente colocar em linhas mais ofensivas, ou então colocar nas laterais para um cruzamento onde não tem ninguém (na maioria das vezes), ou Jonas, rezando para que esteja em dia sim e faça algo de extraordinário.

Não se vê um contra ataque rápido e mortífero, entendimentos entre os médios e os extremos ou avançados, já nem bolas nas costas da defesa se consegue fazer com qualidade, como se fazia no início para Seferovic, valendo-lhe alguns dos golos que marcou.
Outra coisa que anda a falhar, e para terminar, é a vontade. Os jogos andam a passo, não estão confiantes de que tudo aquilo vai correr bem logo no momento seguinte ao apito inicial. Não basta gritar cá do fundo e juntar a equipa no festejo do golo de Jonas para que tudo melhore. É preciso concentração e deixar a cabeça no lugar que é preciso. Ninguém num clube como o Benfica se pode dar como vencido como estes jogadores aparentam fazer enquanto jogam de águia ao peito. Se assim acontece, não são dignos de usar o manto sagrado. O treinador tem de recolocar essa chama nos jogadores e fazê-los ver o tamanho da instituição que representam, inspirá-los a fazer melhor, transmitir mais força e confiança do que aquela com que apareça nas conferências de imprensa. Chega do mesmo discurso, é preciso mais. Os jogadores precisam de ver um novo vídeo do Guilherme Cabral antes de cada jogo para chegarem ao campo e não restar relva.

É muito cedo para tirar quaisquer conclusões. Há tempo para recuperar os danos causados neste miserável início de época. Mas se é tempo de corrigir tudo, é agora. Não podemos corrigir quando for tarde demais. Podemos fazer história em conquistar o penta, isso não é suficiente para vos dar gana para vencer qualquer um?

É mais do que possível, pois só depende de nós. O presidente disse na assembleia geral para os adeptos acreditarem, mas parece que somos os únicos a acreditar. Só faltam vocês. Isto ainda é nosso. “ACREDITEM, PORRA!”, peço-vos. Saudações Benfiquistas

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Desde pequeno que o Benfica faz parte da vida do Pedro Estorninho. Avô e pai benfiquistas deixaram-lhe no sangue a chama das águias. A viver nos Açores nunca teve muitas oportunidades de ver o clube ao vivo, mas os estudos trouxeram-no à capital, onde pode assistir de perto aos jogos do tricampeão. A paixão pela escrita sempre foi algo dentro dele que nunca conseguiu mostrar e surge agora a oportunidade de juntar o melhor dos dois mundos.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.