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Não é fácil, é o terminar de uma etapa da vida que durou anos e, por vezes, décadas. É perceber que já não se tem as características precisas para fazer algo com a qualidade que se espera. A vida é assim, e o futebol não é exceção. Não é assim, Luisão?

Alguns apreciadores de futebol afirmam que a idade não tem de ser vista como um impedimento no futebol, porque além das limitações físicas que naturalmente acarreta, traz também a experiência que em muito momentos é necessária. Porém, e como na vida, o futebol também evolui e hoje já não é necessário jogar quinze, vinte anos para se ter a experiência de que se fala. O futebol é já quase uma ciência e todos os pequenos detalhes são abordados e vividos desde muito cedo, o que permite aos jogadores serem mais experientes cada vez mais novos.

Por isso, e com todo o respeito por quem o merece, acredito que o capitão benfiquista já não é o jogador indicado para ser titular indiscutível numa equipa que, segundo o presidente, se quer afirmar como uma das grandes da Europa. Nem a experiência de que se podia fazer valer tem sido visível para que o desempenho do jogador tenha sido o esperado. Não perceber isso é não conseguir colocar de lado a admiração que se tem pelo jogador, nem atentar apenas à parte objetiva do jogo.

Luisão é uma lenda viva do SL Benfica Fonte: Instagram Oficial de Luisão
Luisão é uma lenda viva do SL Benfica
Fonte: Instagram Oficial de Luisão

“Ah, mas o futebol não é uma ciência exata”. Correto, não podia concordar mais, mas aquilo em que Luisão pode ser essencial não tem de passar pelo facto de estar dentro de campo. Uma vez no banco e no balneário pode transmitir aos seus colegas toda a sua experiência, e ser uma mais valia ao nível dessa parte subjetiva do futebol. Ser o reflexo das pretensões do clube dentro do plantel, ser o motivador nos momentos menos positivos da equipa ou ser o rosto do equilíbrio nos momentos de maior enfase desportivo é um trabalho que Luisão pode continuar a fazer no backstage.

Entendo que analisar o caso de Luisão por estes parâmetros e não mencionar e enaltecer tudo aquilo que Luisão já fez pelo clube – o golo ao Sporting que foi um passo gigante para a conquista do campeonato ou o golo ao Liverpool já na fase a eliminar da Liga dos Campeões – pareça algo insensível, mas, pelo contrário, é precisamente por ter na memória todos esses momentos que defendo que o tempo de Luisão como titular chegou ao fim. Forçar a sua continuação só vai colocar à vista de todos as fragilidades consequentes da sua idade.

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529 jogos, e 45 golos marcados, depois, a equipa necessita de arranjar substituto para aquele que foi, e é, talvez o jogador mais importante do clube desde a mudança do milénio. Contudo, não será fácil nem tão rápido como se quer acreditar,  jogadores como Luisão não aparecem de um dia para o outro. Que tal Rúben Dias?

Foto de Capa: SL Benfica

artigo revisto por: Ana Ferreira