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Podem acusar Luís Filipe Vieira de ser hipócrita, ou mesmo oportunista. Podem fazê-lo recorrendo ao seu passado, recordando as suas palavras e os seus actos, enumerando os seus defeitos, os erros que cometeu e todos os maus exemplos que já nos deu. Podem dizê-lo – sem se acanharem, a vosso bel-prazer – por escrito, ou de viva voz, alto e em bom som: o presidente do Benfica não é perfeito! Nunca foi, não é e, perdoem-me a natureza pessimista, receio que nunca o venha a ser. A questão, neste caso, é que tal não constitui uma novidade para o benfiquista comum, com mais conhecimento sobre o percurso do homem e do dirigente, bem como sobre os seus defeitos e virtudes – atributos devidamente escalpelizados, avaliados repetidamente, nos sítios e locais apropriados, com respeito pela tradição democrática.

No Benfica não há vacas sagradas; e os intocáveis (pois que os há!) existem em versões feitas de bronze, às portas do estádio, de uma matéria sobre-humana e eterna, criada, por princípio, pelo mérito de quem o teve e, em definitivo, pelo voto popular, esclarecido e unânime. Luís Filipe Vieira revela ainda, a meu ver, certas lacunas, objectivas e até palpáveis – algumas de pormenor, outras nem por isso. Mas esta opinião pessoal, que assumo sem complexos, antes mesmo por necessidade militante, não me impede, no entanto, de reconhecer a sua significativa evolução enquanto líder e gestor, ao longo dos quase treze anos que já leva na presidência do meu clube. O seu recente apelo – “Não falem dos outros clubes.” – confirma esse progresso, definindo, de forma clara e inequívoca, o seu actual estilo de liderança; transmitindo segurança e tranquilidade e, acima de tudo, fixando o discurso oficial do clube num patamar elevado, digno e eficaz, com o qual todos os benfiquistas se podem identificar e orgulhar.

LFV trocou as peças e vence (também) o campeonato da comunicação Fonte: SL Benfica
LFV trocou as peças e vence (também) o campeonato da comunicação
Fonte: SL Benfica

Pese a realidade: o tema da comunicação dos clubes e entre os clubes tem, ultimamente, gerado enorme discussão. Ou melhor, algumas leituras extraviadas. Para quem não quer perceber (ou não consegue fazê-lo) torna-se inútil explicar; porém, tentarei uma vez mais: a propalada troca de palavras entre Benfica e Sporting, esses galhardetes praticamente diários – que vêm nos jornais, são muito comentados no mundo virtual e real, e destacados recorrentemente, mas não inocentemente, por vários notáveis portistas – simplesmente não existe.

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O João já nasceu apaixonado por desporto (onde até inclui o Curling). Depois, veio a escrita. A natureza tosca dos seus pés levou-o a ser jogador de andebol e jornalista de jornal e de rádio - a ambição cumpriu-se, mas os bolsos continuaram vazios. Adora uma boa história envolvendo desporto e os seus protagonistas. E apoia (fervorosamente) o Benfica e a Académica.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.