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“Ignorem o ruído”

Ignorem, simplesmente. Não podia concordar mais com o Presidente, Luís Filipe Vieira. Isto porque parece que há por aí um senhor, presidente de um clube “grande”, que passa grande parte do seu dia a delinear maneiras de atacar o Benfica. Falo, claro, de Bruno de Carvalho (BdC) , eleito em Março de 2013 como Presidente do Sporting, grande instituição desportiva que merece o meu inteiro respeito.

Do alto do seu interminável ego, BdC tende a ignorar a opinião que os próprios sportinguistas têm dele. Deve haver tantos adeptos leoninos a gostarem do seu presidente como benfiquistas a adorarem Pedro Guerra. Mas para ele pouco importa. Como tanto gosta de apregoar, despende todo o tempo profissional com o clube que lidera e o pouco que tem livre usa para criar mais uma ou outra insinuação infundada com o objetivo de tentar descredibilizar, diminuir, atacar (ou seja lá o que for que lhe passe pela cabeça) o maior clube português, uma instituição com mais de 111 anos de história, o Sport Lisboa e Benfica, 34 vezes campeão nacional e 2 vezes campeão europeu. Falhou, falha a cada tentativa patética de o fazer e falhará quantas vezes o tentar. É porque a este senhor falta muita coisa: estatuto, credibilidade, humildade.

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Mas, sobretudo, razão. Sem esta última, a razão, BdC nunca passará do campo do “ridículo”, onde ele insiste em posicionar-se, para o do “minimamente correto”, onde eu espero que ele chegue a médio/longo prazo, a bem da imagem do nosso futebol. Como dizia um certo comentador, agora tão odiado, “já ninguém o leva a sério”. Mas para ele pouco interessa. Desde que continue a ter a atenção da comunicação social (que o acompanha a cada jantar, sempre de microfones ao alto à espera de mais uma picardia que alimente mais uma ou outra guerra de palavras, onde BdC gosta sempre de estar envolvido, desviando as atenções de dentro para fora dos campos), o espetáculo pode e deve continuar.

E nem a lengalenga habitual de que BdC nunca se esquece de falar quando dá uma entrevista (refiro-me às tais medidas mágicas de que só este virtuoso clube e o seu iluminado presidente se lembraram, tais como a redução do IVA dos bilhetes, sorteio dos árbitros, a regulação do jogo online, as novas tecnologias, blá blá blá) disfarça o seu verdadeiro objetivo: instalar um clima de guerrilha permanente no meio desportivo nacional. Uma contagem recente feita por um jornal desportivo português garantia que BdC, cumpridos apenas dois anos e meio do seu mandato, já tinha levado a cabo mais de 50 guerras. É um feito incrível, diga-se. Salvo devidas diferenças, não posso deixar de notar algo em comum entre BdC e o líder supremo da Coreia do Norte na forma como atuam.

Ora, ambos comandam um conjunto de homens que lhes são fortemente fiéis, não se atrevendo sequer a questionar os passos do seu líder, nem que o destino seja o abismo; quando se sentem ameaçados disparam em todas as direções, contra o rol de inimigos que ao longo dos anos foram colecionando; criticam, acusam, expulsam antigos líderes/dirigentes, acusando-os de todos os males que se abateram sobre os seus subordinados. No caso de BdC, todas estas manobras têm o propósito de ofuscar o se passa dentro do Sporting. A saber: violação do fair-play financeiro exigido pela UEFA; resultados abaixo do esperado da equipa de futebol e, sobretudo, das várias modalidades; auditorias encomendadas, literalmente, onde se esmiúçam e espezinham, até à humilhação pública, antigos presidentes; perseguições a jogadores que não querem renovar contrato ou mostram intenção de sair do clube; falta de patrocínio oficial.

Luís Filipe Vieira pediu na sexta feira aos benfiquistas: "ignorem o ruído. Falemos de nós e preocupemo-nos apenas com o Benfica"; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Luís Filipe Vieira pediu aos benfiquistas: “ignorem o ruído. Falemos de nós e preocupemo-nos apenas com o Benfica”;
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Tenho, contudo, de admitir que pouco me interessa se o Sporting está à beira da guerra civil ou da falência técnica. Embora prefira, como fervoroso adepto do Benfica, um Sporting forte e a dar luta ao meu clube nas várias provas. Mas já não posso ficar indiferente quando BdC se dirige por duas vezes num curto espaço de tempo ao Benfica de forma leviana, rasteira e cobarde. Primeiro, em plena assembleia-geral, quase que conseguiu pôr em causa uma verdade de La Palice: o Benfica tem mais sócios e mais adeptos que o Sporting. Muito mais. BdC sabe disso, todos os sportinguistas sabem.

Mas, fazendo uso da sua perícia em modificar a realidade, não se resignou. Fez questão de criar em segundos mais umas centenas de milhares de adeptos para o seu clube (são agora, segundo ele, três milhões e meio, quando a anterior estimativa, de três milhões, também feita por si, se podia considerar bastante nivelada por cima/ exagerada) e de reduzir a massa adepta encarnada para 4,5 milhões. Se não fosse tão ridiculamente patética, esta ideia até passava por verdadeira, tal foi a forma entusiasmante como BdC a apresentou aos sócios.

Depois, foi até ao café-esplanada “Prolongamento”, lá para os lados de Carnaxide, fazer um número deplorável de televisão, que devia envergonhar todos os desportistas, partilhando o protagonismo com o benfiquista Pedro Guerra. Aproveitou as mais de duas horas de programa em que o moderador lhe concedeu a palavra para, além de propagandear a habitual narrativa, anunciar que só não tem Cervi e Mitroglou porque não quis (deixando-os, assim, livres para o seu grande rival de Lisboa, qual Roman Abramovich português, que controla o mercado ao seu belo prazer) e tirar um derradeiro trunfo sujo da manga, perante centenas de milhares de portugueses que acompanhavam em direto: o conjunto camisola-visita ao museu Cosme Damião-jantares, que alegadamente oferecido a árbitros, delegados e ao observador dos jogos do Benfica.

Se BdC tivesse um pouco de respeito institucional, ou só respeito, porque a outra palavra pode ser demasiado complexa para o léxico dele, não o teria feito em direto numa estação de televisão mas sim reportado a acusação e provas, se as tivesse, às instâncias próprias (FPF e Ministério Público). Mas este nem sequer é o ponto fundamental. A grande questão é, a confirmarem-se estas suspeitas, por que raio o Benfica distribui estes kits. Sou totalmente contra esta prática, seja qual for a intenção. Não acredito, no entanto, que o objetivo do Benfica seja corromper a atuação destes profissionais nem nada do género. Sempre pugnámos pela verdade desportiva e sofremos na pele anos de corrupção que beneficiavam sempre o mesmo clube e nos custaram uns troféus a menos no palmarés. Mas, como diz o ditado, “à mulher de César não basta sê-lo, tem de parecê-lo”.

Numa entrevista ao Expresso do passado sábado, BdC ripostava: “Sou considerado incendiário. Mas sou frontal, direto, por vezes corrosivo. Detesto a estupidez, a hipocrisia e os falsos intelectuais”. Ninguém diria.