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O treinador do Benfica tinha ficado sem Luisão, depois viu Lisandro lesionar-se e, finalmente, perdeu Jardel e André Almeida para este jogo por castigo. Uma linha defensiva desfeita. A solução para reduzir ao mínimo os estragos provocados por tudo isto foi fazer baixar Samaris para central, ao lado do já consistente Lindelof, e colocar Nélson Semedo na direita. Mas depois havia uma perda irreparável: a ausência de Júlio César – mesmo que Ederson tenha feito um bom jogo em Alvalade, percebe-se que não dá a mesma segurança.

Rui Vitória gosta de começar o jogo a todo o gás, como já tínhamos visto no sábado. E assim foi hoje. O Benfica pegou no jogo, subiu o bloco, conseguiu fazer a bola circular de um flanco ao outro e, assim, tirou a iniciativa aos russos, impedindo-os de marcar cedo (o que poderia enervar a equipa portuguesa e desequilibrar a eliminatória). Jonas ameaçou marcar logo a abrir, de livre direto mas o guarda-redes russo respondeu com uma boa defesa. O Zenit respondeu com um lance muito perigoso, quando Dzyuba apareceu isolado com Ederson mas não conseguiu faturar. Numa primeira parte de parada e resposta, Jonas voltou a criar perigo e Renato Sanches quase fazia golo num remate rasteiro forte aos 20 minutos. Depois foi Nélson Semedo a rematar para defesa de Lodigin, o guardião do Zenit.

Os encarnados conseguiam aproveitar, através de rápidos contra-ataques, a descompensação no meio campo russo, já que a equipa de Villas Boas estava balanceada para a frente. Mas o golo acabou por não surgir no bom período que o Benfica atravessou no jogo e o Zenit foi aumentando a pressão à medida que o primeiro tempo se ia esgotando, em busca de um golo que acabou por não surgir. Viu-se uma equipa do Benfica personalizada na primeira parte, sem medo de ter iniciativa e que conseguiu quase sempre manter um bloco relativamente subido, o que afastou o perigo de perto da sua área (ao contrário do que tinha acontecido sábado, quando Rui Vitória mandou recuar a equipa em demasia e só conseguiu levar os três pontos com uma boa dose de sorte).

O Benfica regressa aos 'quartos' da Champions 4 anos depois Fonte: #SL Benfica
O Benfica regressa aos ‘quartos’ da Champions 4 anos depois
Fonte: SL Benfica

À procura de uma presença inédita nos quartos da Champions, os russos entraram para a segunda parte mais fortes e com licença para chutar. A formação portuguesa baixou as linhas e já se adivinhava um segundo tempo de sofrimento para os benfiquistas, pela segunda vez em cinco dias. Dzyuba teve uma boa oportunidade por volta da hora de jogo mas, já dentro da área, atirou por cima. Pouco depois, Jonas desmarcou-se no momento certo pelo flanco esquerdo, ficou isolado diante de Lodigin mas não conseguir fazer golo. Quando o Benfica parecia ter o jogo controlado, o árbitro húngaro Viktor Kassai decidiu desequilibrar a partida. Ficou por marcar uma falta evidente de Zhirkov sobre Nélson Semedo. O jogador russo aproveitou a autoestrada aberta, foi à linha de fundo e cruzou para o golo fácil de Hulk.

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A partir do golo, o Benfica voltou a melhorar e podia ter empatado logo a seguir num cabeceamento de Lindelof. É verdade que Dzyuba também teve uma grande oportunidade para fazer o 2-0 mas o jogo tinha mudado e percebia-se que os encarnados poderiam nem sequer precisar de prolongamento para resolver a questão. Primeiro Eliseu fez um aviso e depois Jiménez encheu-se de fé e rematou, de primeira, de fora da área. A bola tinha selo de golo. Lodigin ainda a conseguiu desviar para o poste mas Gaitán levou-a até ao seu último destino, o fundo das redes. Estávamos a cinco minutos dos 90´ e rebentava a festa entre os adeptos benfiquistas no estádio Petrovsky.

O Zenit desorientou-se, arriscou tudo e o improvável Talisca ainda teve tempo para dar a primeira vitória ao Benfica em São Petesburgo na história (1-2). Confirma-se que os encarnados raramente deixam escapar uma vantagem trazida da primeira mão. A passagem aos quartos é inteiramente justa. Se na próxima fase nos apresentarmos com esta vontade, esta qualidade de jogo e um pouco de sorte, porque não poderemos ser nós a comer um tubarão? Eu acredito.

A Figura
Samaris: Grande exibição numa posição que não é a sua. Fez cortes decisivos, impôs o seu físico no meio dos também possantes jogadores do Zenit e por isso foi essencial. Excelente jogo de Eliseu também.

O Fora de Jogo
Nélson Semedo: Ninguém põe em causa as suas qualidades mas a verdade é que ainda não recuperou totalmente da grave lesão que sofreu. Fez muitos passes errados em zonas críticas, faltou-lhe muitas vezes confiança para ganhar duelos no corpo a corpo. Precisa de mais ritmo.

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