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24 de Janeiro, 2022

CF União 0-1 Moreirense FC: Uma malassada com mel de cana para adoçar a boca

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União da Madeira, 12.º classificado, a receber o Moreirense, que se encontrava três lugares abaixo. Novidades do lado do União da Madeira: Rafael Alves substituiu forçosamente André Moreira, que se lesionou e só volta a estar disponível na próxima temporada. Ênfase no regresso de Soares, depois de ter cumprido um jogo de castigo na cidade berço, e para a ausência de Joãozinho, a cumprir um jogo de castigo.

Do lado da equipa que viajou de Moreira de Cónegos, e que nos últimos jogos tem sofrido muitos golos – recordem-se os cinco, por exemplo, no Estádio do Marítimo –, destaque para o regresso de Rafael Martins e Filipe Gonçalves.

Foi um início de jogo confuso, com as equipas do União e do Moreirense a tentarem tomar as rédeas da partida. Aos três minutos, depois de muita confusão do lado direito do ataque do União, Toni Silva ganhou a bola, tentou colocar em Danilo Dias, com a bola a ressaltar na defesa do Moreirense; na sobra, com toda a equipa visitante à espera do fora-de-jogo, Toni Silva cruza para Danilo Dias, que insere a bola na baliza de Stefanovic, com Manuel Mota a invalidar o golo. Na resposta, o Moreirense, pelo regressado Rafael Martins, na pequena área, carrega Paulinho pelas costas. Sem perigo.

Continuava a resposta de um lado e de outro, e Danilo Dias, uma vez mais, criava perigo para a baliza da equipa adversária, com um excelente trabalho de Toni Silva pela direita, a entregar para o camisola 20, que com a baliza escancarada atirava por cima. Na resposta, e jogava-se o minuto 11, rasgo pela direita de Vitor Gomes, que, depois de chamar a si dois defesas do União, entrega em Rafael Martins, que vê o posicionamento de Rafael Alves e envia a bola para o fundo da baliza do União da Madeira. Adiantava-se o Moreirense, com Norton de Matos, treinador do União da Madeira, a pedir para que a sua equipa tomasse as rédeas do jogo.

Com o onze visitante na frente da partida, as peças de ambos os lados ficaram baralhadas e voltou a confusão à partida. Jogo muito confuso, com lances sem nexo, excetuando o minuto 19, quando os de Moreira de Cónegos podiam ter ampliado a vantagem, depois de um canto na direita de Iuri Medeiros que quase enganava o guardião do União.

Continuava a enorme posse de bola do União, que controlava o jogo, mas que quase não criava lances de perigo, e, numa contraofensiva por parte da equipa visitante, novamente os suspeitos do costume: Iuri Medeiros servia Rafael Martins, que, cara-a-cara com Rafael Alves, rematava, e o guardião do União, com a ponta dos dedos, defendia e fazia a bola ainda esbarrar no poste. Estava carimbada a primeira meia hora. Continuavam a controlar os azuis e amarelos, e aos 34 minutos Amilton cruza para a área adversária com Cádiz a cabecear sem perigo para a baliza de Stefanovic. Por esta altura, estava mais interessante olhar para a queda de água de cerca de 70 metros do que para o que se jogava no interior das quatro linhas. Consultavam-se os resultados de Inglaterra, Itália e Espanha, ligava-se o streaming da rádio pública, fazia-se um refresh no Facebook, faziam-se previsões e antevisões para o Super Bowl. Bocejava-se. Estava frio, o chá das quatro da tarde. Nem mesmo as mesquinhices dentro de campo, sempre resolvidas por Manuel Mota, animavam os que estavam nas bancadas. Mesquinhices que resultaram num cartão amarelo – “alaranjado”, diga-se – para Toni Silva, que, num anto de impaciência, leva os pitões direitos à perna de Palhinha. Para pôr cobro a esta situação, Manuel Mota mandava toda a gente para os balneários, e os adeptos do União pediam explicações a Toni Silva. No mesmo instante em que aplaudiam Rafael Alves, apupavam o quarteto de arbitragem.

Na segunda metade, o União entrava decidido a resolver a partida. Dois lances finalizados por Danilo Dias, primeiro sem grande perigo para a baliza adversária, e depois, aos 11 minutos, num belo rasgo da direita para o centro do terreno, Amilton tirava quatro adversários do caminho e servia o brasileiro, que rematava para excelente defesa de Stefanovic.

A carimbar a meia hora, Boateng, que vinha a ameaçar a defesa insular, cruza e Nildo remata com perigo para a baliza de Rafael Alves. Um minuto depois, Norton de Matos percebia que tinha de “colocar a carne toda no assador”, e substituía o capitão Soares para a entrada do extremo Breitner. Pelo início da segunda parte, a partida parecia prometer um jogo mais emotivo para quem está a ver de fora. Mas como diz o ditado: “de promessas está o inferno cheio”. Confirmo! Prometia. Mas conseguiu ser pior do que a primeira parte, com um Moreirense tranquilo com a vantagem que queria levar na bagagem e com um União a procurar, no mínimo, o golo da igualdade. Poucos foram os lances de perigo, apesar de uns quinze minutos iniciais com toada ofensiva; a verdade é que depois o Moreirense voltou a tomar as rédeas da partida e, tal como um cozinheiro que controla a temperatura do forno, os onze de Miguel Leal controlavam a partida. Por mais que o União tentasse, por mais que Norton de Matos trocasse defesas por avançados, por mais remates que se fizessem à baliza de Stefanovic, a verdade é que os três pontos estavam já bem confortáveis no autocarro do Moreirense, à espera do resto da equipa rumo a Moreira de Cónegos.

Miguel Leal era um treinador feliz
Miguel Leal era um treinador feliz

No final, resta reconfortar o estômago e a alma com uma típica malassada com mel de cana. Afinal é Carnaval, mas vir ao Futebol para jogos deste calibre é de levar a mal.

A Figura:

Rafael Martins – Fez falta ao Moreirense nos dois últimos jogos com o Benfica e foi a figura em destaque na tarde de hoje. Foram dele os maiores lances de perigo. Foi dele o golo que faz os três pontos viajarem para Moreira de Cónegos. É de referir também o bom trabalho efetuado pela equipa comandada por Manuel Mota. Com pequenos erros, não teve qualquer influência no resultado final. Por muito que tenha havido assobios, já se sabe que ninguém gosta de perder.

O Fora-de-Jogo

Num jogo frio e com poucos lances de perigo, como o que esta tarde se jogou no Vale da Serra D’Água, não há um fora de jogo. Foi um jogo em que ambas as equipas procuraram levar o adversário de vencido, mas foi mais inteligente e organizado o Moreirense.

Sala de Imprensa:

Miguel Leal

Miguel Leal estava ciente de que a equipa do Moreirense havia sido superior na partida desta tarde. O treinador dos verde e brancos de Moreira de Cónegos referiu que “esta segunda volta tem sido muito melhor” para a equipa do Moreirense, fazendo um paralelismo com a primeira volta, quando por esta altura o Moreirense só tinha um ponto, curiosamente ganho com o adversário desta tarde.

“Fomos sabendo sofrer, mas acima de tudo era importante não perder este jogo”, disse ainda o treinador do Moreirense. Quanto ao facto de o Moreirense não ter sofrido, desde há algum tempo, tantos golos como os que sofreu diante do Marítimo ou do Benfica, e questionado pelo BnR, Miguel Leal referiu que “o Moreirense soube ser uma equipa superior e corrigir os erros do passado”. Por esse facto, Miguel Leal destaca esta vitória também pela motivação que passa para a equipa do Moreirense.

Norton de Matos

“É futebol”. Foi desta forma que Norton de Matos respondeu à nossa pergunta com a derrota no jogo diante do Moreirense. O treinador do União aproveitou ainda para lançar uma farpa à equipa de arbitragem, que logo aos três minutos de jogo anulou um golo ao União da Madeira, dizendo que “se não foi bem anulado penaliza-nos, e muito, nas aspirações que tínhamos para o jogo de hoje”.

Norton de Matos não culpa a equipa do União pela derrota de hoje, realçando que com o golo do Moreirense, e com um segundo lance de perigo por parte dos visitantes, a equipa sentiu a pressão e não teve inteligência para dar a volta ao resultado.