A valorização do português

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Tal como na Era dos Descobrimentos em que os portugueses partiram para descobrir o mundo, existe, hoje, uma atividade próxima desse conceito. Obviamente, não no mesmo sentido, mas naquele em que os portugueses têm sido chamados a intervir em determinadas zonas do planeta. Tal como estávamos na vanguarda naquela época, também hoje continuamos a estar.

Falo exatamente dos treinadores de futebol. Existe uma grande representatividade de treinadores nacionais a atuar no estrangeiro e é comum vermos alguém num país ou clube tão distante como desconhecido. Muitos destes homens que partem para fora têm alcançado feitos consideráveis e fazem com que o produto nacional seja reconhecido. Com mais ou menos conquistas, a verdade é que a procura pelo que é luso tem sido notória e é algo que costuma sair valorizado. Porque neste caso, Portugal costuma rimar com sucesso.

De certa forma, já é normal vermos um treinador português emigrar. E eles estão em todo o lado. Não é só na Europa, mas em todo o mundo. No país mais improvável ou no clube mais desconhecido, tem existido sempre um toque lusitano. Aliada à boa capacidade de adaptação que o nosso povo costuma ter, também a capacidade de comunicação é um ponto fulcral. E isto é um ponto que joga a nosso favor, visto que temos mais facilidade de acesso a conteúdos de língua estrangeira, em relação a outros países. Ou seja, muitos saem do país mais bem preparados nestes termos.

A capacidade de contornar situações adversas e responder positivamente às dificuldades são uma das imagens de marca dos nossos técnicos lá fora e isso reflete-se nos bons desempenhos que muitos alcançam. Seja em África, na Ásia ou mesmo na Europa, o sucesso já foi alcançado com as cores lusitanas, mas ainda faltava conquistar um último bastião neste mundo do futebol: o continente americano.

Mais um técnico bem-sucedido: José Morais venceu na Coreia do Sul
Fonte: Jeonbuk Motors FC

Pedro Caixinha realizou um grande trabalho no México e tem o seu nome inscrito na curta galeria de portugueses com sucesso naquela parte do globo, mas foi Jorge Jesus o último a chegar ao topo, tendo conseguido um feito que elevou ainda mais o nome de Portugal. O mais recente êxito do ‘Mister’ ficou à vista não só no Brasil, mas em toda a América do Sul. O efeito JJ invadiu toda aquela região e também o nosso país. A excessiva mediatização que foi dada ao caso só foi possível porque se trata de um personagem especial do futebol nacional e leva a pensar, ao mesmo tempo, que a nossa imprensa tem bastantes saudades de Jesus e não se importava nada de o voltar a ter por cá.

Contudo, o seu trabalho continua a merecer todos os elogios e voltou a colocar o tema sobre a competência dos técnicos lusos na ordem do dia. O seu efeito foi tão grande que colocou o público português a ver jogos do campeonato brasileiro e a acompanhar uma competição que devia ser desconhecida para muitos – a Copa Libertadores. E pode, também, ter aberto as portas a mais treinadores estrangeiros de ingressarem no futebol brasileiro, inclusivamente de portugueses.

O último bastião acaba assim de ser conquistado, visto que os continentes europeu, africano e asiático já foram ‘vitimas’ do sucesso lusitano ao longo dos tempos. Em locais mais ou menos conhecidos, de maior ou menor importância para o adepto, o rasto nacional costuma ser deixado com competência, fazendo jus à história de um país pequeno mas de gente corajosa.

Diz-se que Mourinho foi quem abriu as portas, embora Manuel José já conquistasse títulos internacionais naquela altura, por exemplo. Os títulos são algo que não se esgota, visto que, mais recentemente, José Morais e Horácio Gonçalves conseguiram ser campeõs na Coreia do Sul e em Moçambique, respetivamente. Neste momento, Jorge Jesus é uma das principais figuras de uma atividade que nos deve encher de orgulho e pode, dentro de poucas semanas, conquistar novo troféu internacional. Que todos os treinadores portugueses no estrangeiro consigam alcançar grandes feitos e continuem a elevar bem alto o nome da nação.

De França a Inglaterra. Da Itália à Grécia. Da Ucrânia à Arábia Saudita. Da Índia à China. Da Coreia à Indonésia. De Moçambique aos Camarões. Do México à Colômbia e Brasil. Porque, daqui eles partiram, para o mundo conquistar.

Foto de capa: CR Flamengo

André da Silva Amado
André da Silva Amadohttp://www.bolanarede.pt
O desporto em geral atrai este jovem aveirense mas é o futebol a sua maior paixão. As conversas com amigos e familiares costumam ir dar ao futebol, hábito que preserva desde sempre. Poder escrever sobre esta vertente é o que o satisfaz, com o intuito de poder acrescentar algo de positivo ao ambiente em torno do futebol nacional.                                                                                                                                                 O André escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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