A última pausa no campeonato para as datas FIFA ficaria marcada por três mudanças de treinador na Primeira Liga. O Vitória FC e o CD Aves já tinham despedido os seus respectivos treinadores, Sandro Mendes e Augusto Inácio, sendo interinamente orientados.

Para além destes, o CS Marítimo também anunciou a saída de Nuno Manta Santos, após o emblema madeirense ter realizado um dos piores arranques de campeonato dos últimos anos, sendo substituído por José Gomes, que havia deixado recentemente os ingleses do Reading FC.

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Seria já na pausa do mês de Novembro que os sucessores efectivos de Sandro Mendes e Augusto Inácio seriam anunciados. Nuno Manta Santos não ficaria muito tempo no desemprego, ao ser anunciado como o novo treinador do CD Aves poucos dias após ter sido despedido do clube insular. Já do lado do Vitória FC, o clube setubalense acabaria por anunciar a contratação do espanhol Julio Velázquez, que já tinha tido uma passagem pelo CF “Os Belenenses” no ano de 2016.

Aqui, não está em causa a qualidade e a competência dos treinadores em questão. Nuno Manta Santos fez uma época de estreia na Primeira Liga notável, onde lutou arduamente contra uma direcção que insistia que ele fizesse omeletes sem ovos. Julio Velásquez tentou implementar um futebol positivo num contexto que não era favorável e José Gomes viu serem-lhe abertas as portas do futebol inglês após uma curta, mas bem sucedida, passagem pelo Rio Ave FC.

Nuno Manta Santos não ficou sem clube por muito tempo
Fonte: CD Aves

O principal ponto em comum que relaciona estes três casos é que ambos os clubes contrataram treinadores cujo perfil e modelo de jogo, pouco ou nada tem a ver com o dos seus respectivos antecessores.

Os três clubes mudaram de treinador com o pretexto de procurar melhorar os resultados da equipa e conseguir subir na tabela classificativa. Até aqui não há nada de errado, mas quando um clube substitui um treinador por outro com uma filosofia diferente no decorrer da época, isso demonstra uma clara falha de planeamento por parte da estrutura do clube. Ainda para mais quando os contextos onde estes treinadores estão inseridos não são favoráveis a um processo de transição que permita uma adaptação mais tranquila destes.

O CS Marítimo é um clube que me habituei a ver a lutar pelo acesso às competições europeias, mas que nos últimos anos tem vindo a cair exponencialmente na hierarquia do futebol português, sendo que após o jogo da última jornada contra o SL Benfica, José Gomes assumiu que apresentou uma proposta de jogo completamente diferente da do seu antecessor e que iria levar tempo a ser assimilada por parte dos jogadores.

O CD Aves sofreu uma revolução no plantel no último mercado, tendo perdido dez jogadores titulares da última época, o que faz com que Nuno Manta Santos chegue a uma equipa que ainda esteja em construção e que agora terá de assimilar nova ideias e novos processos de jogo, diferentes daqueles implementados por Augusto Inácio.

Já o Vitória FC é um clube que não tem qualquer linha estrutural, onde parece que é cada um por si. E num contexto ainda mais desfavorável ao que encontrou em Belém, Julio Velásquez corre sérios riscos de ser vítima do preconceito que atinge os treinadores estrangeiros.

Para além de falta de planeamento, este tipo de mudanças de treinador em cima do joelho demonstra a falta de capacidade dos clubes em pensar fora da caixa, recorrendo ao primeiro treinador que aparece na lista em vez de apostar em alguém com o mesmo perfil, mesmo que tenha menos renome.

Foto de Capa: Vitória FC

Artigo revisto por Diogo Teixeira