De raízes humildes e ambição ponderada: Maniche e um novo capítulo na AD Camacha

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Cabeçalho Futebol NacionalCorria a temporada 1999/2000. Nuno Ribeiro era um jovem futebolista de 22 anos, mais conhecido pelo nome que usava nas costas da camisola, em homenagem a Manniche, antigo avançado dinamarquês. Nessa época, Maniche, o centrocampista lisboeta, regressava ao SL Benfica, clube da sua formação, depois de três épocas a amadurecer em Alverca. Naquela formação. treinada por Jupp Heynckes, o jovem futebolista dava um ar da sua graça e era até opção regular, somando 35 jogos e 12 golos. Seguir-se-iam equipas como FC Porto, Sporting CP, Chelsea FC, FC Inter Milão ou Atlético Madrid.

Seria, no entanto, através da equipa B dos encarnados que Maniche teria o seu primeiro contacto com a AD Camacha, que disputava, à altura, a Zona Sul da II Divisão B. Anos mais tarde, os caminhos do agora ex-jogador e da coletividade madeirense voltam a cruzar-se e o antigo internacional português prepara-se para assumir a presidência da futura Sociedade Anónima Desportiva (SAD) da Camacha, emblema que milita na Série B do Campeonato de Portugal.

Depois de uma carreira de jogador que se estendeu à Rússia, Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha, Maniche prepara-se para vestir agora a pele de dirigente e escolheu a Madeira para dar o próximo passo, mais concretamente na vila da Camacha. Pelo meio, a aventura enquanto treinador adjunto na equipa técnica do amigo e antigo companheiro Costinha, que agora reencontra na Região.

Segundo direção e investidor, esta não se trata apenas de uma parceria financeira, mas, sobretudo, de um projeto desportivo que pretende manter a identidade de formação, dotando o clube de melhores condições para alcançar os objetivos traçados, numa relação que ambas as partes esperam se revele duradoura. Na origem do interesse de Maniche estão aspetos como a capacidade organizativa e a estabilidade diretiva, que deixaram o antigo internacional português bem impressionado, além da forte presença social de um clube intimamente ligado ao Bairro da Nogueira, um dos mais carenciados da ilha. Também ele oriundo de um bairro social pobre, o agora empresário mostrou-se sensibilizado e compreensivo com as origens humildes de clube e jogadores e salientou a importância desse facto na sua decisão.

A AD Camacha compete atualmente no Campeonato de Portugal, mas assume, com Maniche, a ambição de alcançar o futebol profissional  Fonte: AD Camacha
A AD Camacha compete atualmente no Campeonato de Portugal, mas assume, com Maniche, a ambição de alcançar o futebol profissional
Fonte: AD Camacha

Num primeiro ano que será essencialmente de adaptação, Maniche procurará conhecer melhor o clube, que no passado sábado aprovou, em Assembleia Geral, a constituição da SAD, cuja maioria do capital social será detida pelo antigo jogador, numa percentagem que deverá rondar os 70 a 80 por cento, segundo várias fontes. De modo a garantir uma gestão permanente, Maniche vai passar a residir na Madeira e assumirá em breve a administração da equipa principal e da equipa B, contando com a colaboração de Filipe Azevedo, antigo colega de equipa no FC Alverca, que será o novo diretor desportivo.

A aposta ambiciosa, rumo ao futebol profissional, foi olhada com alguma desconfiança, mas bem recebida pela maioria dos sócios e simpatizantes, orgulhosos e esperançosos numa nova etapa de crescimento desportivo na história do clube da terra, onde pela primeira vez se jogou futebol em Portugal. O principal objetivo passa, por agora, por colocar a formação camachense na Segunda Liga, embora, ressalvam os dirigentes, sempre de forma sustentada e ponderada, sem comprometer a estabilidade e o equilíbrio financeiro.

Depois de vários anos marcados por uma gestão rigorosa, a Camacha procura assumir-se definitivamente como um dos maiores clubes da Região, apoiada num projeto que visa sustentar a afirmação desportiva, ao mesmo tempo preservando as preocupações sociais, de formação e integração de jovens, conforme referido por dirigentes e investidor.

Para a Camacha, a parceria com o antigo internacional apresenta-se como uma grande oportunidade de crescimento financeiro, desportivo e até patrimonial. A associação do clube à imagem do ex-jogador garante uma nova visibilidade e mediatismo pouco usual para a modesta coletividade insular, mas também à freguesia da Camacha, ao concelho de Santa Cruz e à Madeira.

Marco António Milho
Marco António Milhohttp://www.bolanarede.pt
Nascido no Funchal, licenciou-se em Ciências da Comunicação, antes de passar pela redação do Diário de Notícias da Madeira. Dividido entre a rádio e a escrita, é amante incorrigível do jornalismo, do cinema, da história e do desporto em geral, onde o futebol e o basquetebol ocupam o lugar de destaque.                                                                                                                                                 O Marco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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