FC Vizela e FC Arouca indicados para subir à Segunda Liga

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A Federação Portuguesa de Futebol anunciou, na tarde deste sábado, que indicará para a subida à Segunda Liga o FC Vizela e FC Arouca. A base da decisão prendeu-se no mérito desportivo das equipas, e, para tal, apurou os dois líderes de série com maior número de pontos amealhados até à última jornada disputada. Ainda assim, para ambas as subidas se concretizarem, falta também o aval da Liga sobre as mesmas.

O Campeonato de Portugal é disputado por 72 equipas divididas em quatro séries. Assim, para esta discussão, entraram os quatro líderes: FC Vizela, FC Arouca, SC Praiense e SC Olhanense. Até à data da interrupção (25ª jornada), faltavam jogar-se nove jornadas para o fim da primeira fase.

Sem condições para a realização do playoff, a FPF apurou os dois líderes com maior pontuação. Assim, a sorte grande sorriu a vizelenses e arouquenses, com 60 e 58 pontos, respetivamente. Açorianos (53 pontos) e algarvios (57 pontos), por outro lado, ficam com um amargo na boca, devido uma decisão tão arriscada quanto injusta.

Com a perfeita noção de que seria sempre impossível agradar a todos os emblemas, esta é, de longe, a forma mais injusta e inadequada para resolver a situação. Alegar que o número de pontos amealhados é a forma mais clara de distinguir méritos é assumir que o segundo e terceiros classificados da série A são qualitativamente iguais aos da série B, C e D.

Por outras palavras, é impossível medir os pontos da mesma forma entre séries. São unidades diferentes. Uma série mais disputada, mais difícil, terá um líder com menos pontuação, da mesma forma que, numa série com menor qualidade, o líder terá menor dificuldade em alcançar o playoff.

Ou seja, os 60 pontos do FC Vizela, oito de vantagem para a AD Fafe, não têm o mesmo valor dos 57 do SC Olhanense, os mesmos do segundo classificado, Real SC, e apenas mais quatro do que o terceiro posicionado, FC Alverca.

Este assunto traz de novo à mesa de discussão o modelo competitivo do terceiro escalão do futebol português. São 72 clubes a competir durante um ano, apenas oito avançam para o playoff, e, desses só, sobem dois. Os moldes da competição são, por si só, injustos, por isso qualquer decisão que surgisse dificilmente seria ajustada.

Mais incompreensível se torna se tivermos em conta que todas as competições foram canceladas – de formação, profissionais e das modalidades – e apenas se admite a retoma da Primeira Liga e da Taça de Portugal. É um claro sinal do escalão que realmente importa aos órgãos decisores.

Em nenhum momento se coloca em causa a qualidade dos emblemas escolhidos para alcançar a Segunda Liga já na próxima época, mas de certeza que o SC Praiense e o SC Olhanense (e também AD Fafe, Lusitânia Lourosa FC, SC Espinho, Sport Benfica e Castelo Branco, Anadia FC, Real SC ou FC Alverca, entre muitos outros) prepararam um época inteira para chegar ao playoff e, eventualmente, à subida.

São épocas inteiras desperdiçadas por uma decisão de secretaria que retira qualquer hipótese de luta aos demais emblemas. Diga-se, no entanto, que a despromoção do FC Vizela, em 2009, por alegados contactos ilícitos – e que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Penafiel declarou nula – fica, assim, vingada.

O SC Praiense já reagiu e promete queixa na justiça. O Real SC, também em comunicado, criticou duramente a FPF, apontando falta à verdade e a compromissos assumidos e pedindo saída do presidente, Fernando Gomes. São tempos que se prometem tempestuosos. Já no reino da Primeira Liga, tudo corre às mil maravilhas. Que país de contrastes.

Artigo revisto.

Diogo Pires Gonçalves
Diogo Pires Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo ama futebol. Desde criança que se interessa por este mundo e ouve as clássicas reclamações de mãe: «Até parece que o futebol te alimenta!». Já chegou atrasado a todo o lado mas nunca a um treino. O seu interesse prolonga-se até ao ténis mas é o FC Porto que prende toda a sua atenção. Adepto incondicional, crítico quando necessário mas sempre lado a lado.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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