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Fim do Cartão de Adepto: A grande vitória da união dos Adeptos

É unânime entre os adeptos de Futebol que o Cartão de Adepto foi uma medida fracassada e sem cabimento, que apenas estragou os ambientes nos estádios durante três meses.

Este cartão foi criado, segundo afirmam os organismos fundadores, para combater a violência e os comportamentos inapropriados e criminosos dentro dos estádios. No entanto não se consegue perceber o porquê de se assumir que estes comportamentos veem exclusivamente das áreas destinadas às claques e que se um adepto quiser ocupar um lugar específico no estádio tem de pagar 20 euros e registar-se para ter um cartão que dura três anos e nada mais é que um registo.

A luta contra estes comportamentos criminosos não é feita através de nenhum cartão, pois esse registo de nada vai servir para a identificação dos adeptos. Se assim fosse porque é que é apenas destinado a uma área específica das bancadas e não em todo o estádio, ou porque é que não se pede o registo gratuito de todos os adeptos antes da compra dos bilhetes?

Centremo-nos então nas claques ou nos grupos organizados de adeptos, como alguns lhe chamam. Umas são registadas e legalizadas, estando em sintonia com o que é pedido pelas forças de segurança, mas outras podem continuar a beneficiar dos mesmos privilégios sem que exista um registo. Aqui não interessam que clubes são, mas sim uma igualdade para todos. Se são as claques que, erradamente, são sempre acusadas dos maus comportamentos porque é que não se tornam todas legais e ligadas aos clubes para que a identificação seja mais fácil? Assim a responsabilidade era rapidamente assumida sem que fosse preciso um adepto pagar uma taxa extra para poder acompanhar o clube.

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Todos conseguiram ver o quão triste é um estádio sem adeptos e a falta que estes fazem, no entanto são estes quem mais andam a sofrer, pois para além de serem os últimos a poder ter a liberdade de ir ver um jogo, são também eles que se veem obrigados a lutar contra uma lei que os quer impedir de apoiar o seu clube. Um adepto com o Cartão é obrigado a pagar por esse registo, pelo bilhete, pela quota de sócio e muitas vezes pela deslocação, isto não é viável para ninguém e parece ser apenas mais uma estratégia para se dizer que se está a fazer algo contra os comportamentos criminosos nos estádios e para o bem dos adeptos, quando depois vemos multas irrisórias e a continuidade da permissão de entrada nos estádios por parte dos infratores. Isto para nem falar dos horários inadmissíveis por parte da liga, que colocam jogos a horas tardias e que obrigam os adeptos a fazerem esforços desumanos para poderem acompanhar a sua equipa. Não tentem disfarçar esta decisão do Cartão com a proteção do adepto, pois é este quem mais está a sofrer com a decisão.

A maioria das áreas destinadas aos portadores do Cartão de Adepto estão vazias e isso deve-se à luta e persistência dos adeptos. Não é dos clubes que ficaram calados e nunca se rebelaram contra a decisão e muito menos da Liga Portugal que sempre se mostrou favorável à decisão e chegou até a pedir aos adeptos para aderir. Se houve coisa que esta decisão trouxe de bom foi a união dos adeptos de Futebol contra algo que os castigava a todos. Foram ouvidos cânticos, foram vistas tarjas, foram feitos sacrifícios monetários, tudo em prol da queda do Cartão de Adepto.

É triste chegar a um estádio e ver uma bancada toda despida porque os adeptos não foram tidos em conta nem ouvidos e ainda estão a ser castigados por atos de quem nunca deveria ser considerado adepto. Alguém que ama um clube não escolhe violentar os seus atletas, nem insultar desumanamente aqueles que jogam pelo emblema. Um adepto apoia tanto nas vitórias como nas derrotas e quem não o faz não merece dizer que ama um clube, quanto mais alguém que estraga a imagem deste e obriga a que pague multas e sofra consequências pelos atos criminosos.

Adeptos Sporting CP
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O racismo, a xenofobia, a violência, entre tantos outros atos criminosos têm de ser punidos severamente, e dentro de um recinto desportivo não é exceção, pois se queremos uma sociedade e um espetáculo melhor todas essas atitudes criminosas têm de ser extintas. No entanto não é com a punição de todos os adeptos e com o pagamento para um registo que essa situação muda. São necessárias mais ações de sensibilização, maiores multas, o impedimento de entrada nos recintos por parte dos infratores, entre muitas mais decisões que possam ser tidas através de diálogos entre todos os intervenientes, incluindo os adeptos. Mas mais importante que tudo isso, é necessário tratar esses atos pelo que são e a verdade é que são crimes puníveis por lei, mas que por alguma razão parecem ser sempre perdoados porque se passaram dentro de um estádio.

O Cartão de Adepto felizmente caiu por terra e parece que finalmente se percebeu o quão errada foi a decisão da sua criação. No entanto o término deste tormento não pode ser sinónimo do encerramento da luta pela qual, supostamente, foi criado que é o combate aos comportamentos criminosos.

É hora de voltar a encher os estádios e mostrar que é possível fazer espetáculo de apoio sem crimes. É hora de mostrar que uma claque não é um grupo de infratores e uma coisa a ter medo. A revogação da lei do Cartão de Adepto é uma vitória de todos os adeptos que lutaram e sofreram com a decisão, ninguém mais que eles merece esta sensação de vitória e de conquista por uma luta que enfrentaram, na maioria, juntos e com objetivo.

Componente 5 – 1 (1)

Pós graduado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação, é no desporto que possui um dos maiores amores, com especial atenção ao futebol. Ávido adepto da Primeira Liga nacional, mas é na Premier League que encontra o futebol que mais ama e assiste.Tem como grande objetivo singrar no mundo do jornalismo desportivo.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Pós graduado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação, é no desporto que possui um dos maiores amores, com especial atenção ao futebol. Ávido adepto da Primeira Liga nacional, mas é na Premier League que encontra o futebol que mais ama e assiste.Tem como grande objetivo singrar no mundo do jornalismo desportivo.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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