Lusitano FCV 1-3 SL Nelas: Expulsão marcou o jogo

    A CRÓNICA: SL NELAS INVERTEU CICLO NEGATIVO

    Ainda só a conhecerem o sabor da derrota em 2022/23, Lusitano FCV e SL Nelas entraram em campo para tentar dar tons mais positivos a esta campanha.

    O jogo começou a um ritmo baixo, com os jogadores a disputarem os lances a meio. Houve mais força do que em criatividade. Só depois dos 10´ surgiu o primeiro remate do jogo, nesse caso, para a equipa visitante.

    Perto dos 20´, houve a primeira grande oportunidade. Desatenção da defesa do Nelas com a bola a sobrar para Barry à entrada da grande área, mas o experiente goleador solto de cabeça não aproveitou o adiantamento do guarda-redes forasteiro e atirou fraco para as mãos de Coli.

    Aos 26´, o marcador iria ser inaugurado. Depois de um livre marcado para a esquerda para o Nelas, a equipa do Lusitano procurou iniciar pela esquerda uma transição rápida, porém Pedro Silva recuperou o esférico e deu para Hélder Rodrigues, ex jogador e capitão da equipa adversária, que no vértice da grande área cruzou. No centro da grande área, perante um emaranhado de jogadores do Lusitano, Franck cabeceou de forma assertiva para dentro da baliza de Baía.

    A formação da casa tentou ir em busca do empate, conseguindo vários cantos pelo lado esquerdo, mas sem criar perigo à baliza adversária. À medida que os minutos passavam, o Nelas parecia mais confortável a conseguir ter mais posse, controlando melhor o jogo

    Já perto do intervalo, nova contrariedade para a equipa do Lusitano. Tatiano tem a bola dominada perante Franck. No entanto, o central guineense perde a bola para o avançado do Lusitano que parecia encaminhar-se para a baliza e derruba-lo. O árbitro Dylan Fernandes não teve dúvidas e expulsou o jogador da formação da casa dois minutos antes do descanso.

    Na segunda parte, o Lusitano tentou, apesar de em inferioridade numérica, aproximar-se da baliza do Nelas. Sem conseguir grandes desequilíbrios, foi mesmo a equipa do Nelas, em transição rápida, a criar o primeiro lance de perigo com Thales a rematar para defesa segura de Baía.

    No entanto, aos 67´, a equipa da casa conseguiu mesmo empatar. No lado direito, Pedro Pereira cruzou para dentro da grande área e Causso antecipou-se à defesa do Nelas e cabeceou com a bola a entrar na baliza junto ao poste ao contrário sem hipóteses para Coli. O empate chegou por pouco tempo. Dois minutos depois, o Nelas aproveitou uma transição rápida pelo lado direito com a dupla Pedro Silva e Hélder Rodrigues a combinar com este último a cruzar para dentro da grande área e depois de uma série de ressaltos Pedro Silva assistiu de cabeça para Franck que à meia volta disparou para o fundo da baliza adversária.

    A equipa da casa sentiu este balde de água fria e ao arriscar mais, deu ainda mais espaço para os visitantes explorarem. Assim, o Nelas chegou ainda ao terceiro golo na partida. Novamente do lado direito, Hélder Rodrigues, centrou e Bra Semedo a tentar fazer o alívio introduziu a bola na baliza para o resultado final.

    Vitória acaba por ser justa para a equipa que produziu mais no encontro.

     

    A FIGURA

    Hélder Rodrigues – O ex-jogador do Lusitano e capitão voltou aos Trambelos e foi decisivo frente à sua antiga equipa. Duas assistências e participação ativa em todos os golos foram decisivos para a vitória do Nelas. Destaque também para Pedro Silva que fez uma dupla de qualidade com Hélder Rodrigues pelo lado direito do ataque dos visitantes.

     

    O FORA DE JOGO

    Tatiano – O central do Lusitano foi expulso e deixou a equipa com menos um jogador à beira do intervalo. Foi precipitado no lance ao perder a bola para Franck e acabou por travá-lo quando o avançado se preparava para se isolar. Fica a dúvida se agrediu o jogador adversário, mas o árbitro não teve dúvidas em mostrar o cartão vermelho.

    ANÁLISE TÁTICA – LUSITANO FCV

    Fábio Farias inovou e jogou em 3x5x2 com o trio de centrais a ser composto por João André, Calico e Tatiano. Na frente de ataque, Barry era a referência ofensiva com João Martins a deambular mais pelo lado direito.

    No meio-campo, Salú era o médio defensivo com ordens para destruir mas também com função construtiva no jogo do Lusitano, sem contudo ter grande eficácia em ambos as tarefas. Kiku e Mané ocupavam as posições do setor intermédio mais adiante. Nos corredores, Pedro Pereira e Délcio funcionavam como alas e mantiveram-se assim, mesmo depois da expulsão de Tatiano.

    A troca de Causso por João Martins trouxe mais objetividade ao ataque do Lusitano.

    11 INICIAL E PONTUAÇÕES

    Baía (6)

    Calico (5)

    João André (5)

     Tatiano (4)

    Pedro Pereira (6)

    Salú (5)

    Mané (5)

    Délcio (5)

    João Martins (5)

    Kiku (4)

    Barry (5)

    SUBS UTILIZADOS

    Causso (6)

    Bra Semedo (-)

    Edi Cá (-)

     

    ANÁLISE TÁTICA – SL NELAS

    Paulo Listra apostou num 4x3x3, com o jogo ofensivo a estar mais fletido para o lado direito, tornando o lateral esquerdo, Ricardo Ferreira, uma espécie de central. Pedro Silva, lateral direito, juntava a Hélder Rodrigues, ambos ex- Lusitano, no corredor destro. Franck era a referência ofensiva, mas pela sua mobilidade deambulava também pelos corredores. Na defesa, o capitão José Lopes era o elemento do meio campo mais próximo dos centrais, jogando muitas vezes encostado a eles.

    Nos últimos minutos, em superioridade numérica e com o adversário a arriscar no ataque, o Nelas explorou muito bem o espaço livre na defesa do Lusitano pelos corredores.

    11 INICIAL E PONTUAÇÕES

    Alberto Coli (7)

     Bernardo F. (7)

    José Lopes (7)

    Tiago Gonçalves (7)

    Gonçalo Santos (7)

    Luis Cardoso (7)

    Ricardo F. (7)

    Hélder Rodrigues (9)

    Pedro Silva (9)

    Franck (9)

    Thales (6)

    SUBS UTILIZADOS

    Zé Pedro ()

    Chisom ()

    Pedro Martins (-)

     André Guilherme (-)

    Bruno Fereira (-)

     

    BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

    LUSITANO FCV

    BnR: O Lusitano sofreu a terceira derrota consecutiva esta época. Que balanço faz a este jogo?

    Fábio Farias [técnico principal]:  Antes de mais, dar os parabéns à minha equipa. Hoje foi uma derrota que tivemos, mas de salientar a boa atitude com que entrámos na segunda parte já com menos um. Enfrentámos uma equipa que já no ano passado tinha feito um excelente campeonato.

    Na primeira parte, a partida foi bem disputada em que as oportunidades de golo não foram muitas nem para um lado nem para o outro. O Nelas conseguiu fazer cruzamento e golo através de uma combinação do lado direito. Depois com a expulsão do nosso jogador, tivemos de alterar um bocadinho o sistema de jogo e a maneira como íamos enfrentar o jogo.

    Na segunda parte, entrámos com uma atitude muito boa e é de realçar essa atitude dos atletas. Conseguimos fazer o empate e depois no lance a seguir fazem o 1-2 e depois já com o adiantamento do jogo eles fizeram o 1-3. Foi um jogo bem disputado e claro que tenho de dar os parabéns à equipa do Nelas que foi um vencedor justo neste caso.

    BnR: A expulsão à beira do intervalo e golo sofrido depois de terem chegado ao empate foram decisivos até para o ânimo dos jogadores para darem a volta.

    Fábio Farias [técnico principal]: A expulsão é decisiva porque nos põe a jogar com menos um. No entanto, o segundo golo foi pior porque mesmo a jogar com menos um, entrámos na segunda parte com a atitude que os atletas tiveram, criámos duas ou três oportunidades de golo, fizemos golo. Estar a correr contra mais um, sofrer um golo depois de fazer o empate, é normal que a malta vá abaixo. Estiveram a lutar tanto durante 20 minutos para fazer o empate e no lance a seguir sofrer o 1-2, é normal que a equipa vá abaixo. Acho que aí foi o ponto decisivo.

    BnR: Hoje o Lusitano jogou com três centrais. Foi uma forma de tentar lidar com a capacidade dos homens do Nelas para desequilibrar em transição rápida?

    Fábio Farias [técnico principal]:  O Lusitano já vem a jogar com três centrais há algum tempo. Simplesmente no momento de construção, deslocámos um deles para outro espaço. A alteração foi na composição do meio-campo. Em vez de jogar com dois médios e um 10, jogámos com um médio mais defensivo [Salú] e com dois oitos. Aí alterou um bocadinho as dinâmicas e começámos a construir com uma linha a três.

    BnR: Para lidar com este mau momento de resultados, qual é a estratégia para dar a volta por cima?

    Fábio Farias [técnico principal]: Trabalhar, trabalhar, trabalhar. Acho que é a palavra certa para isto tudo. Se nós não trabalharmos, não vamos conseguir ter sucesso. Vamos ter de nos unir e de repensar todos o que está bem e o que está mal. Continuar ou melhorar o que está bem e alterar o que está a dar errado. Aí também passa por nós, equipa técnica, repensar algumas coisas do jogo.

    O grupo está unido, mas ainda temos de nos unir mais e trabalhar. Temos de ganhar em Santa Comba e dar a volta a esta bola de neve que está aqui a suceder. Eu acredito que temos capacidade para dar a volta.

    BnR: No último jogo em Molelos, a equipa sofre a derrota nos descontos finais, depois de ter estado a ganhar. Isso influenciou de certa forma a moral dos jogadores para esta partida?

    Fábio Farias [técnico principal]: Eu não acredito que existam vitórias ou derrotas morais. Influencia no momento porque estivemos bem nesse jogo com bola, sinto que controlámos o jogo. Não criámos muitas oportunidades, mas marcámos golo e a partir daí não soubemos estar a ganhar, é diferente. A equipa adversária optou muito pelo jogo direto e fez um golo de bola parada e aí a equipa abanou um bocadinho. Em relação à moral, claro que na terça e na quarta-feira, os jogadores estavam um bocadinho mais em baixo, mas depois já se notava mais alegria nos atletas.

    Sinto que a energia não teve nada a ver com o jogo passado. Acabou o ciclo e temos agora de preparar o Santa Comba porque temos de ir lá ganhar.

     

    SL NELAS

    BnR: Que balanço faz desta vitoria?

    Paulo Listra [técnico principal]: Todas as vitorias são importantes, ainda para mais num campo como o do Lusitano. Sabíamos as dificuldades que íamos ter e tivemos algumas pelo menos até à expulsão. As expulsões acabam por ajudar quem fica em vantagem. Em relação ao jogo, acho que o Nelas é um justo vencedor. Estivemos melhor desde o primeiro minuto.

    Fizemos o golo e depois claro as expulsões acabam por ajudar quem fica em vantagem. A equipa com dez fica sempre fragilizada. Depois do revés do empate, conseguimos reagir rapidamente e fizemos logo o 2-1 que, para além de nos dar segurança no jogo, acabou por deitar abaixo o Lusitano.

    BnR: Ficou surpreendido com o Lusitano jogar com três centrais?

    Paulo Listra [técnico principal]: Sobre alterações táticas, nós não temos um conhecimento profundo sobre como o Lusitano joga, nem o Lusitano tem de como nós jogamos. O conhecimento que nós temos é dos jogadores. Temos um grande conhecimento sobre a maioria dos jogadores do Lusitano como o Lusitano tem dos nossos.

    A partir do momento que entram em campo, ficamos sempre na dúvida: será que o Calico vai jogar a central ou a trinco? Tinha visto um jogo em que vi que o Calico jogou a trinco. Depois do jogo começar, essas dinâmicas também acabam por se alterar um pouco. Temos sempre de nos preocupar connosco primeiro e depois claro tentarmo-nos adaptar ao adversário porque tem qualidade. De certeza que o campeonato vai mostrar que todas as equipas vão ser muito difíceis. Hoje tivemos a sorte e o mérito de ganhar.

    BnR: O Nelas explorou muito o lado direito do ataque com as combinações entre o Pedro Silva e o Hélder Rodrigues. Foi algo utilizado para explorar as fragilidades do adversário?

    Paulo Listra [técnico principal]: Não foi tanto isso. Proporcionou-se que conforme começámos o jogo, estávamos a ser mais fortes do lado direito e continuámos a canalizar o jogo por aí porque o Pedro é um lateral que sobe muito e temos o Hélder que aqui conhecem-no bem. É um jogador que realmente hoje esteve muito bem assim como o resto da equipa

    O objetivo era canalizar o jogo pelos dois lados, mas por intervenientes diferentes é normal não ser igual. O Luis Cardoso não tem características de extremo. O objetivo era o Luís Cardoso fletir para dentro para dar o corredor ao Ricardo. Do lado esquerdo, não conseguimos fazer isso tão bem como do lado direito se calhar porque estavam lá dois jogadores que fazem muito bem o corredor, que se conhecem tão bem e que conhecem bem os colegas que estavam no outro lado.

    BnR: Depois do segundo golo, os espaços dados pelo Lusitano permitiram à equipa do Nelas mostrar a sua qualidade nas transições rápidas com os jogadores velozes que tem na frente?

    Paulo Listra [técnico principal]: Exato e atenção: o facto de estarmos a jogar contra dez no início da segunda parte, é normal dizerem que o Nelas relaxou. Não, não foi nada disso. Simplesmente há o Lusitano do outro lado também que tem jogadores competentes e o mérito de chegarem ao empate é todo deles.

    O lance realmente não pode acontecer visto que não podemos permitir a igualdade na linha lateral onde o jogador do Lusitano cruzou. Esse golo teve o condão de nos despertar outra vez e, aí sim, como temos sorte de fazer logo o 2-1, não entrámos no nervosismo de estar a jogar contra dez e sofrer um golo. Também aquele entusiasmo que o Lusitano ganhou, imediatamente o perdeu.

    Aí sim, a ideia de jogar com mais um central, no caso o Pedro Martins, e depois explorar as alas com o Bruno e o Chisom e o Franck baixou um bocado. Isso foi bem conseguido pelos meus jogadores. A vitória não sofre contestação.

    BnR: Frente ao Penalva, a equipa sofreu dois golos com aparente dificuldade por parte do Nelas para controlar os corredores. Foi algo trabalhado durante a semana para evitar que se repetisse o mesmo tipo de situação nos Trambelos?

    Paulo Listra [técnico principal]: O que aconteceu no domingo passado, teve a ver com a qualidade com o Penalva. Houve alguns erros que tentámos corrigir claro, mas não teve relação com isso.

    Chegámos aos 70´, depois de estarmos a jogar com menos um desde os 30´, é natural que haja algum cansaço. Depois do golo do Penalva, sentimos ainda mais dificuldades e o Penalva tem uma equipa muito boa à imagem de todas as outras equipas do campeonato. Quando se apanham em superioridade com um futebol longo que já vem bem trabalhado de outros anos, apanhou uma equipa na primeira jornada tanto tempo com dez que o cansaço se apodera.

    Curiosamente tal como aconteceu com o Lusitano, temos uma reação muito boa ao golo sofrido por mérito dos nossos jogadores que, com dez, acharam que era possível chegar ao empate.  Não conseguimos e o segundo golo acaba por arrumar o jogo por mérito da qualidade do Penalva. O futebol é assim com mérito de parte a parte e com erros: se não, todos os jogos acabavam 0-0.

    BnR: A presença de vários jogadores ex-Lusitano na equipa do Nelas facilitou a preparação para este jogo e para o ambiente tenso no Estádio dos Trambelos?

    Paulo Listra [técnico principal]: O que ajudou a preparar esta partida assim como as outras todas é a disponibilidade que os jogadores têm para o trabalho. Isso é inquestionável. Seja com o Lusitano, com o Molelos ou com o Mangualde, a equipa prepara-se e os jogadores têm essa predisposição. Quando assim é, tudo é mais fácil.

    Em relação ao ambiente, pode ter os dois campos. Podem vir mais nervosos com ansiedade para mostrar ou mais motivados. Para os jogadores das outras equipas, sei que jogar nos Trambelos é sempre uma motivação extra. Eu passei por esta casa, fui aqui feliz e é um ambiente que me motiva. Se serviu de motivação, ainda bem para nós.

    Queria dedicar esta vitória a todos os elementos que fazem parte do Nelas, jogadores que não estiveram presentes que não entraram porque também são importantes neste processo e igualmente a uma pessoa muito especial que se vir isto, sabe bem que estou a falar dela.

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    Pedro Filipe Silva
    Pedro Filipe Silvahttp://www.bolanarede.pt
    Curioso em múltiplas áreas, o desporto não podia escapar do seu campo de interesses. O seu desporto favorito é o futebol, mas desde miúdo, passava as tardes de domingo a ver jogos de basquetebol, andebol, futsal e hóquei nacionais.