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A Primeira Liga portuguesa estende-se de norte a sul do país, desde Chaves a Portimão, e este é um facto saudado e relevado constantemente. No entanto, surgem também críticas à falta de representação de certas zonas e regiões do nosso país e estas visam não só as entidades responsáveis que pouco ou nada apoiam os clubes, como os próprios clubes e os seus dirigentes.

Estas regiões, além dos campeonatos distritais, fazem representar-se sobretudo no Campeonato de Portugal e esporadicamente na Segunda Liga. Longe vão os tempos em que O Elvas CAD, SC Campomaiorense e Lusitano de Évora, por exemplo, disputavam a Primeira Liga. O Alentejo estava representado e o campeonato, além de se estender de Norte a Sul, distribuía-se também entre a fronteira espanhola e o oceano Atlântico.

Também o Algarve consegue, a espaços, a sua merecida representação ao mais alto nível, nomeadamente através de SC Farense, SC Olhanense e Portimonense SC. No entanto, toda esta diversidade traz também o seu lado negativo. O sorteio das provas ditará, naturalmente, a visita a todos os estádios e, se para os maiores clubes em dimensão e massa associativa não é um problema, para aqueles que procuram cimentar a sua presença neste escalão pode revelar-se uma missão impossível.

Adeptos algarvios na Vila das Aves; poucos em número, mas enormes no amor ao clube
Fonte: Fábio Guerra

Assim, se quanto à distância que separa os clubes nada se pode fazer, a não ser percorrê-la, por que não minimizar custos e outros encargos? Para quê dificultar, deliberadamente ou não, o apoio aos clubes ditos menores? Há muito para limar, muito por onde melhorar e atirar um ponto de partida é essencial.

Desde logo a deslocação. É sabido que certas Câmaras Municipais apoiam os “seus” clubes, e bem, quanto às mais variadas despesas, entre elas, as deslocações de sócios e adeptos aos estádios adversários. Mas até aqui há espaço para melhorar. De certo, clubes de menor dimensão não movimentam vários milhares de pessoas por fim de semana, como por muitas vezes os três grandes fazem, mas o modo como o fazem podia ser mais cómodo, seguro e barato…

Porque não chamar a CP-Comboios de Portugal para o assunto? Seria assim tão descabido articular os horários das partidas com um comboio exclusivamente dedicado ao transporte de adeptos da cidade ‘A’ para a cidade ‘B’? A verdade, e também o mais triste, é que sim, é descabido. Para já, devido aos problemas que a CP tem internamente e que muitas vezes lhe custa para cumprir o serviço a que se compromete semanalmente. Depois, pelos horários das partidas. É certo e sabido o ‘problema’ que se arranja para alterar a data ou a hora de uma partida, com televisões e direitos de transmissão ao barulho…

Esta é a maior distância percorrida por uma equipa de uma só vez na Primeira Liga. GD Chaves e Portimonense SC, precisamente quando se defrontam
Fonte: Google

Por fim, mas não menos importante, outro problema se levantaria; o estado de algumas linhas férreas. Esta ideia cai por terra simplesmente pela impossibilidade de pôr a circular carruagens em qualquer linha, para além de algumas zonas não serem servidas deste tipo de transporte. Mas será isto um entrave a esta solução, ou um ponto de partida para melhorar? A cada concerto de uma estrela mundial, a CP disponibiliza um comboio especial de ida e volta exclusivamente para o evento. Será o futebol um espetáculo menos rentável em Portugal? Não merecerá iguais soluções e alternativas de transporte?

No entanto, não haverá comboio expresso, alfa ou TGV que ajude os adeptos a apoiar o seu clube numa segunda-feira, às 20h15, no outro extremo do país. É simplesmente inconcebível. Por uma ou outra vez, o adepto ainda faz o esforço e o amor ao clube suplanta tudo. Se já é complicado para quem se desloca por uma ou duas horas de caminho, o que dizer daqueles que no fim da partida têm um país a percorrer e no dia seguinte trabalham…

Os horários e calendarização das partidas são um atentado à sobrevivência dos clubes ‘pequenos’. Os três grandes não se livram deste problema, mas sabem dar a volta, ‘viram-se sozinhos’. Quem olha pelos outros, senão os seus adeptos incansáveis? E as ideias, por mais impossíveis que pareçam, têm de ser debatidas. Delas surgirão outras mais reais. E há que começar a dar tiros certeiros, porque de tiros de aviso estamos todos fartos.

 

Foto de Capa: White Angels

Diogo Pires Gonçalves
Diogo Pires Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo ama futebol. Desde criança que se interessa por este mundo e ouve as clássicas reclamações de mãe: «Até parece que o futebol te alimenta!». Já chegou atrasado a todo o lado mas nunca a um treino. O seu interesse prolonga-se até ao ténis mas é o FC Porto que prende toda a sua atenção. Adepto incondicional, crítico quando necessário mas sempre lado a lado.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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