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Há uns tempos atrás, falei aqui da situação de muitos jovens talentos do futebol português que emigram precocemente, sendo que vários deles, ainda não estão preparados para darem o salto para um clube de topo.
No entanto, existem muitos jogadores jovens que começam a despertar a cobiça de clubes estrangeiros ainda em adolescentes, durante a sua etapa de formação. E nesta década, têm sido vários os casos de jogadores portugueses que vão para o estrangeiro ainda durante a sua formação. E o que é facto, é que estes jovens jogadores acabaram por atrasar a sua evolução ou até mesmo desaparecer do mapa ao darem este salto. Falarei aqui de alguns exemplos.
Começo por um jogador que se lançado recentemente por Fernando Santos na selecção nacional: Rony Lopes. Formado no Benfica, sagrou-se campeão nacional de juvenis em 2010/2011, numa equipa onde Bernardo Silva (que é um ano mais velho que Rony) pouco jogava. Após essa época, foi para o Manchester City com 16 anos. Ao serviço dos citizens chegaria a realizar alguns jogos pela equipa principal nas taças e seria emprestado ao Lille em 14/15. Em 14/15, foi vendido ao Mónaco, mas seria novamente emprestado ao Lille, afirmando-se apenas nesta época na equipa monegasca ao ocupar a vaga deixada por… Bernardo Silva.

Fonte: Facebook oficial de Rony Lopes
Falando na formação do Sport Lisboa e Benfica, o clube encarnado é possivelmente o grande mais visado neste aspecto, tendo em conta a reputação que o clube ganhou nos últimos anos, tanto a nível da formação, como pela colocação de jogadores em clubes de topo; reputação que atrai alguns jovens jogadores que vêm o Benfica como uma rampa de lançamento para um clube de topo.
E um dos motivos pelos quais venho falar disto é pela cobiça de clubes como o Manchester United no jovem Úmaro Embaló. Este jovem extremo de 16 anos é na minha opinião, a maior pérola do Caixa de Futebol Campus a seguir ao Renato Sanches, é titular da equipa de juniores com idade de juvenil e tem sido apontado pela imprensa como um alvo de clubes como o Manchester United, o Real Madrid e o RB Leipzig. Mas ainda há alguns jogadores com formação no Seixal e com percurso nas selecções jovens que já se aventuram no estrangeiro, como o guarda-redes João Virgínia no Arsenal e o defesa-central Luís Silva no Stoke City.
Mas voltando aos exemplos, sendo o Sporting Clube de Portugal uma referência mundial do futebol de formação há muitos anos, também já teve casos de jogadores que deram este salto. O ano em que tal situação mais se verificou foi em 2012, após o clube leonino se ter sagrado campeão nacional de juniores com uma das gerações mais promissoras desta década. Numa equipa onde pontificavam jogadores como João Mário, Rúben Semedo, Ricardo Esgaio ou Iuri Medeiros, existem jogadores que emigraram.
Começando pelo caso de João Carlos Teixeira, foi vendido nesse Verão ao Liverpool. Fez um total de oito jogos oficiais pela equipa principal dos reds e a única época em que jogou regularmente de forma competitiva foi em 2014/2015, quando esteve emprestado ao Brighton no Championship. Depois de uma época em que mal jogou no FC Porto, está actualmente emprestado ao Sporting de Braga, onde procura relançar a carreira.

Fonte: Facebook Oficial João Vilaça Teixeira
Outros dois casos são os do defesa-central Edgar Ié e do médio Agostinho Cá. Ambos transferiram-se para o Barcelona em 2012, com ainda um ano de júnior por jogar. Edgar Ié, também acabado de se estrear na selecção A, esteve vários anos pelas equipas B do Barcelona e do Villareal e após meia época de bom nível ao serviço do Belenenses, transferiu-se para os franceses do Lille, onde está a lutar pela manutenção. Já Agostinho cá, após poucas utilizações no na equipa B blaugrana e empréstimos mal sucedidos, está actualmente a jogar na Lituânia.
Posso falar aqui também dos casos de Bruma e Tiago Ilori, que forçaram a saída do clube leonino em 2013 após alguns meses como titulares na equipa principal. O defesa-central esteve emprestado a clubes como o Granada, o Brodeaux e o Aston Villa, não tendo jogado com muita regularidade em nenhum deles. Agora joga no Reading no Championship. Já o extremo, que esteve o Verão de 2013 inteiro em diferendo com o Sporting, acabaria por ser vendido ao Galatasaray. Entre lesões e empréstimos, o extremo recém-internacional português transferiu-se neste Verão para o RB Leipzig após a sua primeira época de grande nível no estrangeiro.
Mas depois de referidos alguns exemplos, há-que chegar ao cerne da questão: afinal de contas, porque é que isto acontece?
Primeiro que tudo, um jogador ao ir para um clube de um dos principais campeonatos europeus, irá para um clube que joga num patamar competitivo superior ao nosso, o que por si só já dificulta a sua transição para sénior. Depois, os clubes de topo só conseguem dar um lugar no onze titular a uma jovem promessa em condições muito excepcionais.

Fonte: Facebook Oficial de Bruma
Outro factor a ter em conta é que hoje em dia, os clubes de topo também possuem infraestruturas de topo para as camadas jovens, e com isso conseguem também produzir jovens jogadores de grande valia. Mas depois raramente conseguem aproveitar esses jovens jogadores porque não têm tempo para os trabalhar. E isto faz com que eles se submetam a ficar muito tempo sem jogar de forma competitiva, acabando por estagnar e prejudicar a sua evolução.
Para que uma “pérola” da formação consiga singrar no futebol mundial, é preciso que este jogue regularmente a um nível competitivo na sua transição de júnior para sénior. E nesse aspecto, creio o nosso campeonato é uma boa escada para o topo. Se observarmos o nosso historial, verificamos que Pauleta foi o último jogador português a singrar no futebol europeu e na selecção nacional sem ter jogado na Primeira Liga. Actualmente, há o caso do Bruno Fernandes que veio para o Sporting CP após cinco anos no futebol italiano, sem esquecer os casos excepcionais dos filhos de emigrantes como Anthony Lopes e Raphael Guerreiro.
Como tal, espero que qualquer jovem jogador pense duas vezes antes de se deixar deslumbrar por um desafio potencialmente ambicioso no estrangeiro. Mas caso essa seja a sua vontade, o que eu posso desejar enquanto fã de futebol, é que seja o mais profissional possível, que trabalhe duro e que mantenha os pés assentes na terra.
Foto de capa: Sport Lisboa e Benfica – Formação













