Esta noite, em Pesadelo da cozinha, fomos até ao centro de Lisboa. Visitámos ‘A Tasca da Liga’. Um restaurante com uma longa história de altos e baixos, e onde, actualmente, parece reinar a falta de gosto e a discórdia.

Pedro Proença é o proprietário. Há alguns anos à frente do negócio, Pedro abraçou o ramo da cozinha depois de ter estado durante muitos anos ligado à restauração, mais concretamente à pastelaria. Infelizmente, Pedro Proença tem metido os pés pelas mãos no que ao seu restaurante diz respeito, desde o planeamento da sua ementa, passando pela confeção dos próprios pratos e na ‘falta de voz’ de comando. Com uma ementa grande de mais, parece querer agradar a vegetarianos, aos que gostam de carne ou aos que só gostam de peixe. Mas, com tudo isto, o restaurante parece estar ‘sem rei nem rock’. E o staff também não ajuda muitoPesadelo

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O cozinheiro! Neste restaurante de média dimensão, não há um, mas dois cozinheiros. Luís e Jorge são ‘os homens da cozinha’. No entanto, a comunicação entre eles é bem deficitária, e não poucas vezes entram em discórdia. Assistimos também a largos momentos em que simplesmente não havia  troca de ideias entre ambos.

Luís é o criador de algumas comidas mais típicas da zona lisboeta, e tem mão para a pastelaria, tentando adoçar a boca dos clientes. Jorge é o outro lado da moeda: é mais dado a petiscos nortenhos, e a sua fama vem de longe, de muito longe mesmo.

Dois cozinheiros que parecem ser dos melhores que poderia haver se trabalhassem em prol do bem comum. Mas não trabalham. Cada um faz o que basicamente quer, sem dar satisfações, nem mesmo ao proprietário.  Ambos estão ao serviço de si mesmos, e não há, parece, quem os coloque na linha. Quem é afinal o patrão? Pedro Proença, o Sr. Luís Filipe ou o Sr. Jorge Nuno?

Na copa temos o Frederico. Está apenas há um ano na cozinha da Liga e parece que para já, está a correr… menos bem. Muitos são os raspanetes e poucas as palavras de conforto. Parece querer aprender com os chefes da cozinha, mas não tem, para começar, a personalidades forte e vincada que estes têm.

Frederico parece, lá no fundo, ter o desejo de ir o quanto antes para a cozinha, quem sabe para fazer frente aos chefes. Parece querer aprender com eles, mas na esperança de rapidamente ‘lhes passar a perna’. Diz que ninguém faz troça dele, mas depois é ver todos a ‘carregar’ em cima do ‘aprendiz’ da cozinha. E nem a ‘falsa tranquilidade’ de Pedro lhe parecem ser suficientes.

Pedro Proença conseguirá algum dia oferecer a todos os portugueses um bom cozinhado?
Fonte: FPF

Na sala temos o chefe de sala e dois empregados de mesa:

O chefe de sala é um senhor de larga experiência. António é um homem carismático, que sabe o que faz, mas que parece ambicionar mais do que talvez possa conseguir. Da-se bem com ambos os homens da cozinha, mas parece ter mais afeição para o lado do chefe Luís. No entanto, do lado da sua figura cordial e bem posta, facilmente se entende que se acha tão ou mais importante que o resto do staff da casa. Procura, sempre sem excepção, ter opinião em todos os assuntos da tasca, e não poucas vezes tenta que a mesma seja a seguida pelo ‘chefe’. Lá no fundo, o homem quer ter tanta influência na gestão da casa, como os homens da cozinha. E todos os restantes sabem disso.

Se António se dá bem com os cozinheiros, o mesmo não se pode dizer com um dos membros da sala. Miguel, ou Lisboa, é um dos dois empregados de mesa. Faz as coisas sem levantar muitas ondas, mas, volta e meia, transborda e ‘deita tudo cá para fora’. De boa aparência, há no entanto algo que prejudica, consideravelmente, a casa: Lisboa e António mal se falam. Têm valores totalmente contrários, e parece existir até, entre eles, uma luta constante. Em alguns momentos parece até existir um ‘ódio patente’ nos seus olhares para com o outro, ou não fossem eles ‘migrantes’ de cidades próximas do norte do país.

Por fim temos o outro empregado de mesa. De uma classe média-baixa, vive com algumas dificuldades e aceita praticamente tudo o que lhe dizem. Parece ser o género de pessoa que ‘quer mas não consegue mais’. Recebe menos, vive na sombra dos outros e quase sempre tem de se contentar com as escolhas dos restantes. Poucas vezes se consegue fazer ouvir e quando o faz, acaba por ser camuflado pelas ideias ou exigências do restante staff. Não parece ter grandes perspectivas de evoluir muito e quando surge algo advindo de si, rapidamente os demais tomam conta ‘do caso’, abafando-o na maioria das vezes.

Conseguirá o chefe dar a volta a toda esta falta de comunicação? Conseguirá que a casa deixe de arder? Que a comida passe a ser servida com qualidade e que os clientes fiquem satisfeitos por serem tratados de forma correcta, cuidada e com paixão?

Não perca, já a seguir… Pesadelo na cozinha da Tasca da Liga.

Foto de Capa: Ljubomir Stanisic

Revisto por: Jorge Neves