Regresso do Campeonato e um possível Verão de alto risco

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A interrupção do campeonato no início do ano pôs em causa todas as competições como as conhecemos; vencedores, despromovidos, promovidos, apurados, tudo ficou em suspenso. Com o regresso paulatino da maior parte das competições, a promessa de se desenlaçar tamanho problema ganha força e parece cada vez mais real de se cumprir até ao fim.

O que não se pensou até há algum tempo foi na transferência de esforços, cargas de treino e jogo de três ou quatro meses para apenas um. Por quase todos os países faltam cumprir os respetivos campeonatos e taças nacionais. Se é verdade que o campeonato vai na reta final e as taças já conhecem os finalistas, também não é menos verdade que isso não beneficia o descanso necessário.

À medida que os jogos retomam, acumulam-se as notícias de atletas lesionados e que terminam as épocas mais cedo. Na primeira semana de Bundesliga, por exemplo, foram oito os lesionados em apenas seis jogos.

O facto de se decidirem destinos nestas jornadas fará de todos os jogos autênticas finais, com intensidade e combatividade em níveis acima do que seria esperado numa pré-época, que é aquilo que se vive neste momento. Além disso, agrava o facto de todas essas jornadas intensas se disputarem em tão curto espaço de tempo.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

De forma a tentar contornar o grande número de lesões, há medidas que devem ser tomadas ou pelo menos discutidas e estudadas. Uma delas, já posta de parte, seria o aumento para cinco do número de substituições por jogo.

Com dúvidas relativamente à legalidade da proposta, e para evitar que no fim do campeonato algum clube tente a sua impugnação devido à base ilegal das cinco substituições, a Liga optou por não aprovar esta medida no seu regresso, ao contrário do que se passa, por exemplo, na Bundesliga.

Posta de parte a principal medida, há que ter atenção ao período em que se desenrolarão as jornadas finais, muito próximo do verão. Seja maioritariamente na primavera ou no verão, as temperaturas nesta altura do ano já são consideravelmente elevadas.

Uma vez que o público não é permitido nas bancadas, não haverá tanta preocupação em adequar os horários à deslocação da massa adepta. Com isto não quero defender jogos às 23h ou meia-noite, mas seria mais conveniente jogar quando a temperatura é mais amena, mais baixa.

Não me admiraria, portanto, ver mais jogos como o FC Famalicão x FC Porto desta quarta-feira, jogados às 21h15. Por fim, e recuperando uma medida tão famosa no último Mundial, seria útil voltarmos a ter as breves pausas para hidratação.

Seria bom, para variar, que o nosso campeonato se adaptasse às dificuldades vigentes e definisse o exemplo a seguir pelos campeonatos e provas europeias que ainda estão à espera do seu regresso.

Diogo Pires Gonçalves
Diogo Pires Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo ama futebol. Desde criança que se interessa por este mundo e ouve as clássicas reclamações de mãe: «Até parece que o futebol te alimenta!». Já chegou atrasado a todo o lado mas nunca a um treino. O seu interesse prolonga-se até ao ténis mas é o FC Porto que prende toda a sua atenção. Adepto incondicional, crítico quando necessário mas sempre lado a lado.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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