A Liga da Discórdia ou Concórdia?

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A Federação Portuguesa de Futebol apresentou a Liga 3, uma competição que irá ser, a partir da próxima época, o terceiro escalão do futebol português, situando-se entre o Campeonato de Portugal e a Segunda Liga. Em termos desportivos, tratar-se-á de uma decisão daquelas que são tomadas só para mostrar que se tomam decisões e que se fazem coisas, ou será algo verdadeiramente útil para os clubes portugueses?

Acompanhar o Campeonato de Portugal é algo incrível, recomendo vivamente a todas as pessoas que nos leem. Um campeonato, no qual 91 equipas com realidades bem distintas lutam entre si, possibilita a existência de jogos fantásticos. Trata-se de uma competição em que é possível encontrar grandes disparidades. Uma equipa profissional ou semi-profissional, com jogadores bastante rodados no futebol português e com jovens repletos de potencial, pode defrontar uma equipa amadora, na qual boa parte dos jogadores trabalham durante a semana e aturam os seus chefes. Podem passar a semana a carregar paletes e ao fim da tarde vão dar uns toques na bola a troco de um baixo ordenado e de uma sandes de courato. No entanto, apesar de uma situação destas por vezes ser caricata e proporcionar um espetáculo curioso, não deixa de ser desportivamente questionável.

O surgimento de uma competição como a Liga 3, permite que estas diferenças competitivas sejam atenuadas. A Liga 3 será disputada na próxima época, pelas 22 melhores equipas do Campeonato de Portugal que não consigam ascender à LigaPro (à qual apenas dois clubes vão subir) e pelos dois emblemas despromovidos da LigaPro. Com isto, as equipas semi-profissionais, e que almejam alcançar a elite do futebol português, jogarão entre si, numa luta acesa e que promete grandes jogos.

Enquanto isto, aquelas equipas que ambicionam apenas a estabilidade nas provas nacionais veem ficar enfraquecido o grande adversário que tem sido a diferença orçamental e estrutural dos clubes do Campeonato de Portugal, e jogarão umas com as outras, proporcionando também belos momentos para a modalidade.

Esta alteração aparenta ser positiva, visto que permitirá um aumento da competitividade por culpa do maior equilíbrio que haverá entre as equipas. Ainda assim, foi possível ouvir, aqui no Bola na Rede, na primeira pessoa, as críticas do Caldas SC à abordagem da Federação Portuguesa de Futebol a todo o desenvolvimento e criação desta nova competição.

Apesar de faltar quase um ano para o início da Liga 3, uma garantia pode ser dada. Aos domingos, por volta das três da tarde, quando o árbitro apitar, seja na Liga 3 ou no Campeonato de Portugal, iniciar-se-á um espetáculo entusiasmante, porque a qualidade dos jogadores continuará presente e, acreditem, é imensa.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Mário Silva da Costa
Mário Silva da Costahttp://www.bolanarede.pt
Natural de Vila Franca de Xira, Mário é a descrição perfeita de um típico idoso português. Chega ao domingo, almoça uma feijoada e vai ver a bola às três da tarde. Para além disso, nos tempos livres ocupa-se com um curso de jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social.                                                                                                                                                 O Mário escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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