A SAD do SC Braga anunciou durante a semana que obteve um resultado líquido positivo de 6,2 milhões de euros no exercício de 2018/19.

Nas palavras da administração arsenalista, o lucro obtido trata-se do “melhor de sempre da história da sociedade”, que sucede ao resultado líquido negativo de 1,8 milhões de euros registado no exercício de 2017/2018. Um resultado conseguido, segundo refere a larga maioria da comunicação social, sobretudo por via da venda de jogadores, que superou os 28 milhões de euros, destacando-se, sobretudo, as vendas de Vukcevic (Levante), Pedro Neto e Bruno Jordão (Lazio), Dyego Sousa (Shenzhen) e Loum (FC Porto), o que contribuiu para um volume de negócios superior a 44 milhões de euros. Já os gastos com pessoal ascenderam a 18,5 milhões de euros, dos quis 12,7 milhões de euros representam as remunerações.

A administração da SAD do Sp. Braga notou também que o activo cresceu cerca de 25%, para cerca de 72 milhões de euros, “em larga medida reflexo do aumento dos montantes a receber decorrentes de operações com direitos de jogadores” e o passivo verificou um aumento de cerca de 18%, registando 52 milhões de euros. essencialmente motivado por compromissos assumidos com o reforço do plantel principal, bem como no âmbito de alienações de direitos de atletas que, embora reconhecidos, vencem na cadência dos respetivos montantes a receber.”

Por fim, a SAD do Sp. Braga enfatizou este lucro inédito na medida em que é “tanto mais relevante quanto coincide com um importante ciclo de investimentos, tanto no reforço das equipas profissionais de futebol, como nas infraestruturas, sendo aqui obrigatória a referência à Cidade Desportiva e à sua extensão para Fão”.

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A confirmarem-se estes valores e a serem aprovados na assembleia de accionistas que irá ter lugar no próximo dia 11 de outubro, não deixa, de facto, de ser surpreendente. Tanto mais quanto é certo que na passada época o clube minhoto não conseguiu apurar-se para a Liga Europa e, por conseguinte, não obteve os rendimentos gerados pela participação nessa competição europeia.

Todavia, a informação divulgada pela SAD bracarense suscita algumas dúvidas que podem e devem ser colocadas pelos seus sócios do Sp. Braga, já que este também é accionista da respectiva SAD.

Em primeiro lugar, o produto da venda de Dyego Sousa foi incluído nas contas do exercício 2018/2019? É que esse exercício encerrou a 30 de Junho de 2019 e o jogador brasileiro assinou a 5 de Julho do mesmo ano pelo Shenzhen (China)… será que o clube chinês pagou em adiantado?

A venda de jogadores continua a ser a principal fonte de receita dos clubes portugueses. Fonte: Facebook oficial do SC Braga

Depois, se por um lado o passivo bancário é nulo, mas por outro os resultados operacionais são negativos, onde é que Sp. Braga angaria verba para custear, por exemplo, academias, infra-estruturas e quem “cobriu” os resultados negativos dos exercícios anteriores?

É certo que a estabilidade financeira de qualquer clube português depende e muito da venda constante de activos, diga-se de jogadores. O Sp. Braga é bem exemplificativo desse facto. No entanto, também é verdade que em todos os clubes portugueses, uns mais que outros, existem problemas de liquidez. Ou seja, há dificuldade em ter fundos disponíveis para cumprir obrigações ou compromissos a curto prazo (por exemplo, fornecedores, manutenção das infra-estruturas, etc.), o que obriga os clubes a recorrerem constantemente a linhas de crédito.

Como disse, a confirmar-se é um óptimo resultado financeiro para o Sp. Braga, na medida em que tenta cada vez mais encurtar a distância que o separa do espectro dos Três Grandes.

Em qualquer SAD, o Relatório e Contas de um determinado exercício só é conhecido na sua íntegra após ser votado e aprovado em assembleia de accionistas. No entanto, é um direito e ao mesmo tempo um dever de qualquer sócio de qualquer clube indagar sempre as respectivas administrações sobre as contas. Sobretudo quando aquelas divulgam “resultados inéditos”. É que editar folhas de Excel qualquer um pode fazê-lo…

Foto de Capa: SC Braga

artigo revisto por: Ana Ferreira