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O tempo cinzento que se abateu sobre Coimbra condizia de forma perfeita com o estado de alma vivido pela Académica, privada de vitórias desde há quatro jogos a esta parte e afundada, por esses resultados, para um lugar impensável (16.º) dados os objectivos traçados (subida) no início da temporada.

O cenário podia ganhar contornos dramáticos caso a Briosa perdesse para um Casa Pia que, em zona de despromoção, podia ultrapassar os estudantes.

Feridos no orgulho, provavelmente, os comandados de João Carlos Pereira, montados num 4x3x3 clássico, entraram a todo o gás. Barnes Osei deu o primeiro sinal de perigo, logo aos dois minutos, numa boa iniciativa individual caída nas mãos de Rodolfo, antes de Derik Lacerda atirar à trave num lance que culminaria no primeiro golo do jogo – Cerqueira insistiu sobre o lado esquerdo e cruzou para o coração da área, onde apareceu Marcos Paulo a inaugurar o marcador com quatro minutos decorridos.

Parecia bom demais para ser verdade. E a verdade é que o golo do empate não demorou a surgir – astuto e aguerrido, Jeka trabalhou sobre o flanco esquerdo do ataque do Casa Pia e serviu Kenidy para uma finalização fácil.

Estes oito minutos de alta intensidade conheceram, de imediato, um travão. O Casa Pia soube trazer água ao seu moinho, com a organização do seu 5x3x2 a neutralizar todas as iniciativas dos capas negras, que só voltaram a criar perigo através de um canto – Mike, ao primeiro poste solicitou a entrada de Ricardo Dias, mas o seis da Briosa chegou atrasado.

Barnes marcou dois dos três golos da Académica
Fonte: Bola na Rede

A segunda parte começou com um ritmo ainda mais lento. O Casa Pia assumiu o controlo do jogo tanto de forma ativa (em posse) como passiva (linhas defensiva e do meio-campo bem compactas) e foi preciso esperar até aos 60 minutos para se encontrar uma oportunidade de perigo – Jeka foi rápido demais para os centrais da Académica e isolou-se perante Mika, mas o antigo vice-campeão do mundo de sub-20 impôs-se.

A Briosa pareceu acordar com este lace e, na primeira oportunidade de que dispôs na segunda parte, foi eficaz e voltou à liderança do marcador. Aos 64’, Barnes Osei, servido por Traquina, disparou para o fundo das redes de forma impiedosa.

O Casa Pia tentou reagir, mas, três minutos depois, um tiro do meio da rua (vale a pena ver, mas só no fim de ler esta crónica) do mesmo Barnes Osei afundou a moral dos Gansos.

Rui Duarte mexeu na equipa, tirando Pedro Machado para incluir mais gente na frente, mas foi a Académica a estar mais perto de ampliar – Traquina tentou um chapéu, mas tinha a aba larga.

O final do encontro foi pintado por bons momentos de recreação dos jogadores da Académica com a Académica, em jeito de reconciliação e harmonia com os 1429 adeptos que se deslocaram ao Estádio Cidade de Coimbra. O tempo cinzento passou a ser, apenas, um adereço contrastante com a alegria dos conimbricenses.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Académica OAF: Mika; Mike, Zé Castro, Silvério, Cerqueira; Ricardo Dias, João Mendes (Ki, 85’), Marcos Paulo (Leandro Silva, 41’); Traquina, Barnes Osei e Derik Lacerda (Dani, 77’)

Casa Pia AC: Rodolfo; Rosa, Machado (Sountoura, 68’), Marcelo, Lucas e Jorge Ribeiro; Kikas, Jean (Tharcysio, 73’) e Mateus; Kenidy (Sávio, 63’) e Jeka

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