O futebol atravessa uma fase de transformação há alguns anos e a mais recente contribuição chegou no campo da tecnologia. Depois da introdução do VAR por períodos experimentais e a tempo inteiro em alguns campeonatos e competições, medida para manter e avançar nos restantes, agora foi a vez da FIFA entrar em campo e regular novas situações com pequenas, mas impactantes regras.

Entre as principais destaca-se, desde logo, o pontapé de baliza. Com a nova regra, a bola já não tem de sair da grande área, pode ser tocada pelo jogador de campo ainda dentro do limite. Isto permite uma reposição um pouco mais rápida e beneficia uma construção apoiada a partir de trás. Outra de grande impacto será a relação entre a bola e a mão.

A partir de junho, a mão na bola passou a ser uma situação analisada mais a fundo e punida com maior detalhe. As situações que escapam ao castigo são aquelas em que a bola bate num braço encostado ao corpo, num braço que apoia uma queda ou no caso de um remate efetuado a uma curta distância. Tudo o resto são situações advertidas pelo árbitro, levando mesmo à anulação de golos que ocorram depois de tocar/desviar na mão de um atleta, incluindo aumento da volumetria do corpo e quando o braço estiver acima do nível dos ombros.

Nos pontapés livres, os jogadores da equipa beneficiada pela falta não poderão estar a menos de um metro da barreira. Já no caso dos pontapés de grande penalidade, o jogador pode ser assistido e proceder à cobrança, sem ter de sair do terreno. Por sua vez, o guarda redes não se pode mexer antes da cobrança e estão incluidos os habituais “números de distração”, como as conversas junto ao cobrador, os toques nos postes ou na barra. Além disso, terá de estar em contacto com a linha da baliza com pelo menos um pé na altura em que a bola é rematada.

Copa América 2019 é uma das primeiras provas a contar com as novas alterações das regras do jogo
Fonte: FIFA

Além das anteriores, as pequenas mudanças vão também desde o pontapé de saída até ao comportamento dos treinadores. No momento da moeda ao ar antes da partida, o capitão que vencer esse sorteio passa a escolher o campo e a dar o pontapé inicial. Tendo em vista a segurança de todos os intervenientes da partida, será possível, se necessário, recorrer a paragens para arrefecer ou hidratar, à semelhança do que se tem verificado nas competições em pleno verão ao longo dos últimos anos. A primeira, mais longa, pode ir até três minutos, a outra não poderá ultrapassar os 60 segundos.

O tempo de jogo tem sido uma das lutas das entidades reguladores e é nesse sentido que surgiram as indicações para que os árbitros não “tenham medo de abusar” no período de compensação, deixando de traçar o limite nos três ou quatro minutos que se verificava. Agora, reforçando essa posição, o atleta substituído está obrigado a abandonar o terreno de jogo na linha lateral mais próxima, evitando assim que se afaste momentos antes da troca e se inutilizem alguns minutos de jogo.

Os atletas admoestados por celebrações indevidas (tirar a camisola, exibir publicidade, etc.) não verão o cartão ser retirado mesmo que o lance seja anulado. Outra das mudanças diz que sempre que o árbitro interferir no caminho da bola deve parar o jogo e lançá-la ao solo. No entanto, a maior novidade vem punir os agentes desportivos em campo com cartões amarelos e vermelhos sempre que se justificar. O objetivo é acabar com as pressões constantes nas linhas laterais e em direção ao quarto árbitro. Na eventualidade de não conseguir identificar o infrator, o árbitro deve punir o treinador.

As novas indicações entraram em vigor no primeiro dia de junho e já podem ser vistas em ação na Copa América, a realizar no Brasil, assim como na próxima edição da Primeira Liga. As opiniões dividem-se e uma grande franja de adeptos defende que a modernização do futebol lhe tira a essência pela qual sempre o conheceram. Por enquanto, resta avaliar as novas regras e proceder a ajustes, se se justificar.

Foto de Capa: FIFA

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