A CRÓNICA: QUANDO EDWARDS ARDE, QUARESMA DEITA FOGO

O Vitória SC viajou esta segunda-feira até ao Porto para defrontar o Boavista FC, no Estádio do Bessa para fechar uma das mais interessantes jornadas da Primeira Liga 2020-21. Frente a frente estiveram dois grandes rivais de quem se esperava, à partida, um arranque mais forte do que tem efetivamente sido. Dum lado, os conquistadores que em três jogos já experimentaram uma vitória, um empate e uma derrota, e onde se estreia hoje no banco o ex-técnico do CD Santa Clara, João Henriques. Do outro os boavisteiros, que em três jogos apenas conseguiram fazer dois pontos.

Os vimaranenses entraram mais perigosos. Literalmente, até porque bastaram três minutos para que saísse o primeiro cartão amarelo para Ricardo Quaresma, que foi o autor duma entrada dura sobre o Campeão do Mundo por França, Adil Rami. O defesa-central viu-se obrigado a ter de abandonar o terreno de jogo por lesão, dando lugar ao colombiano Cristian Castro.

Depois duma série de ameaças sucessivas, quase sempre lideradas por Quaresma, o Vitória SC acaba mesmo por chegar ao golo. Numa jogada ofensiva construída rapidamente, Bruno Duarte beneficia dum cruzamento exímio de Ouattara e assiste Marcus Edwards para aquele que será um dos grandes candidatos a golo da jornada. O inglês picou a bola por cima do defesa boavisteiro e fuzilou Léo Jardim. Ao minuto 19, estava feito o 1-0 a favor dos conquistadores.

O Vitória SC viajou esta segunda-feira até ao Porto para defrontar o Boavista FC, no Estádio do Bessa para fechar a jornada.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Apesar do evidente domínio do Vitória, o Boavista teimou em contrariar a aparente superioridade dos rivais. Numa oportunidade dourada para devolver a igualdade ao marcador ao minuto 32, o norte-americano Reggie Cannon serve com régua e esquadro Benguché que ia fazendo o golo, mas acaba por cortar a bola com o seu próprio braço. Lance de alguma infelicidade para o avançado hondurenho do Boavista. No minuto seguinte, foi a vez do Vitória SC devolver o falhanço. Quaresma serviu de trivela a Bruno Duarte que falhou por muito o alvo, com a baliza praticamente escancarada.

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Quando o juiz Nuno Almeida apitou para os jogadores irem ao descanso, o Vitória ia batendo o Boavista por 1-0 no Bessa, mas o jogo estava bastante mais equilibrado do que no início da partida.

Ao longo da segunda parte, o tempo foi correndo sem que o espectador desse por isso. Sem muitas ocasiões de perigo para nenhum dos lados, ressalva-se uma boa jogada de contra-ataque do Boavista aos 64 minutos, onde foram vários os jogadores boavisteiros que tentaram igualar a partida. Javi, Benguché e Nuno Santos ensaiaram remates após ressaltos sucessivos. Mérito para o compromisso defensivo do Vitória, a resolver o perigo.

O Boavista guardou os trunfos que tinha na manga para a reta final da partida. Aos 81 minutos, surge uma das melhores jogadas ofensivas da turma de Vasco Seabra. Nuno Santos recebe à entrada da área um passe e testa a atenção de Bruno Varela, que disse presente. Aos 82, foi a vez do francês Hamache tentar a sua sorte, mas o guardião português voltou a defender. No tempo de compensação, ainda houve tempo para duas situações perigosas a favor dos boavisteiros, que nunca conseguiram fazer o golo do empate.

No fim do jogo o marcador assinalava uma vitória por 1-0 para os conquistadores, que foram os justos vencedores duma partida que nunca saiu do seu controlo. Em pouco tempo, já se nota a mão de João Henriques na equipa dos vimaranenses que está de parabéns por uma excelente exibição coletiva.

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Marcus Edwards – Não é novidade para ninguém que o extremo britânico se arrisca seriamente a ser um dos melhores jogadores da partida cada vez que sobe a um relvado de futebol. Hoje, não foi exceção. Marcou o único golo da partida – e que golo! – e foi, apesar do grande jogo coletivo do Vitória, o melhor em campo. Pode dizer-se que, no fim do dia, Edwards foi o melhor dos melhores. É um título que lhe assenta bem!

O FORA DE JOGO

O Vitória SC viajou esta segunda-feira até ao Porto para defrontar o Boavista FC, no Estádio do Bessa para fechar a jornada.
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Vasco Seabra – Começa a ficar difícil compreender a pobre qualidade de jogo da pantera. Ao fim de quatro jornadas, a equipa portuense ocupa o penúltimo lugar do campeonato. Isto com jogadores fora de série, e bastante acima da média dos restantes plantéis da Primeira Liga. A falta de pragmatismo, a inabilidade para compreender as várias alturas do jogo e a insistência num sistema que não funcionam foram três das grandes razões que levaram à derrota caseira no Bessa. E como o futebol é injusto, cabe perguntar… Será culpa do treinador?

 

ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC 

Vasco Seabra levou a jogo um 4-3-3, mas pareceu ao longo de toda a partida ficar aquém do seu plano para o jogo. O Boavista foi uma equipa com muita posse de bola, mas não soube definir as jogadas de construção ofensiva. Dando preferência ao jogo pelo meio, muito do seu jogo corrido passava pelo Javi García, que estava mais marcado que os seus colegas. As jogadas mais perigosas da pantera acabaram por ser aquelas que pareciam menos planeadas; em contra-ataque ou recuperações inesperadas de bola.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES 

Léo Jardim (5)

Ricardo Mangas (5)

Adil Rami (-)

Chidozie (5)

Reggie Cannon (7)

Javi García (7)

Show (5)

Gustavo Sauer (6)

Paulinho (5)

Nuno Santos (7)

Jorge Benguché (6)

 

SUBS UTILIZADOS

Cristian Castro (6)

Hamache (6)

Juwara (6)

Elis (5)

Miguel Reisinho (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC

A estrear-se no banco do Vitória Sport Clube, João Henriques desenhou um 4-3-3 para a visita ao sempre difícil Estádio do Bessa. O Vitória SC aparentou ser uma equipa paciente sem a bola, não se privando de estar sem ela antes do seu último terço defensivo. Contudo, os vimaranenses foram ao longo da partida a equipa mais capaz de criar situações de perigo, explorando algumas das evidentes fragilidades defensivas do Boavista. Ofensivamente, a equipa de João Henriques preferia lançar os seus ataques pelas alas, servindo-se da qualidade de dois nomes que falam só por si: Ricardo Quaresma e Marcus Edwards. A qualidade técnica dos dois extremos dos conquistadores foi sempre capaz de criar perigo e causar desconforto à pantera.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Bruno Varela (6)

Ouattara (6)

Suliman (7)

Jorge Fernandes (7)

Sílvio (6)

André André (6)

Mikel Agu (6)

Rochinha (6)

Marcus Edwards (7)

Ricardo Quaresma (7)

Bruno Duarte (6)

SUBS UTILIZADOS

Pepelu (5)

Noah Holm (5)

Janvier (5)

Abou Ouattara (-)

Artigo revisto por Joana Mendes