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Cabeçalho Futebol NacionalO futebol em si é uma arte. E o saber faz parte. Saber jogar e saber comandar. Estas duas vertentes podem coexistir no mesmo indivíduo, mas o habitual é que aquele que trata bem a bola e pensa bem o jogo seja um e o que monta a equipa e desenha a estratégia seja outro. Mas haverão, certamente, exceções. Deliciosas e saudosas exceções.

O treinador português é hoje muito cobiçado e elogiado pela Europa fora. Apesar de, por vezes, não ser valorizado e admirado dentro de portas, mais tarde todos lhes reconhecerão o seu engenho e talento. Ainda assim, algo parece estar a mudar nas mentalidades dos nossos clubes; dos 18 clubes competidores da Primeira Liga, 17 contam com treinadores portugueses. A exceção, para já, é o CD Aves que recorreu ao angolano Lito Vidigal para render Ricardo Soares. Mas então qual o sucesso do treinador português? Poderá ser o seu passado enquanto jogador?

É difícil encontrar a resposta a esta pergunta, senão mesmo impossível. Pode estar na capacidade de liderança ou astúcia e inteligência proveniente do gene lusitano. Certo é que pouco terá que ver com o passado enquanto jogador, senão este sucesso não era exclusivo dos portugueses e qualquer Bola de Ouro se tornaria num treinador invencível. Prova disso são os casos de Rui Vitória, Daniel Ramos, Miguel Cardoso, Nuno Manta, Luís Castro, Manuel Machado ou Lito Vidigal. Todos estes são treinadores no nosso campeonato. Nenhum deles se destacou a níveis estratosféricos enquanto atleta, mas desempenharam e têm vindo a cumprir com distinção as suas funções enquanto líderes de equipa. Rui Vitória, por exemplo, representou, enquanto jogador, clubes como o Alverca, Vilafranquense, Seixal FC ou SC Farense.

Nuno Manta Santos conseguiu um excelente oitavo lugar com o Feirense na época passada Fonte: CD Feirense
Nuno Manta Santos conseguiu um excelente oitavo lugar com o Feirense na época passada
Fonte: CD Feirense

Sem mediatismo algum, assumiu o cargo de treinador de equipas menores e, passado algum tempo, subiu o CD Fátima à Segunda Liga, passou pelo FC Paços de Ferreira e conduziu o Vitória SC ao quinto lugar da Primeira Liga. Chegado ao SL Benfica, prolongou o sucesso do seu antecessor e depressa conquistou os adeptos. Por outro lado, Miguel Cardoso e Nuno Manta, sem que se encontrem registos alguns de terem jogado futebol a nível sénior, causam toda esta sensação e espanto ao trilharem caminhos firmes para os seus clubes. Se o trabalho de Nuno Manta no CD Feirense foi uma tarefa heróica (pegou no Feirense nos últimos lugares e não só garantiu a manutenção, como um confortável 8º lugar), o de Miguel Cardoso no Rio Ave FC é motivo de artigos, opiniões e múltiplos elogios.

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