O futebol português é uma referência a nível mundial no que a treinadores diz respeito. Porém, poucas vezes aprofundamos a avaliação dos treinadores limitando-nos a olhar para os resultados. Infelizmente, muitos dos fãs de futebol em Portugal são adeptos “resultadistas”, ou seja, limitam-se a olhar para os títulos e as conquistas para avaliar a capacidade e a competência de um treinador.

Um treinador de uma equipa principal é, sim, avaliado pelos resultados que a sua equipa obtém. Sendo que no caso de uma equipa que lute pela conquista de títulos, é normal que se olhe para esses mesmos títulos para avaliar se o treinador tem ou não condições para continuar no clube. É assim tanto no futebol, como em qualquer modalidade coletiva.

Porém, é no futebol de formação que, muitas vezes, essa mentalidade “resultadista” vem mais ao de cima. Muitos adeptos pensam que é a ganhar títulos ou a espetar goleadas todas as semanas que os jovens jogadores evoluem e atingem o seu potencial, mas esquecem-se do que é essencial nestas idades, que é terem a competição necessária que lhes permita evoluir.

A experiência no FC Porto B foi bastante enriquecedora para Luís Castro
Fonte: FC Porto

Ora, no meio disto tudo, qual é o papel de um treinador num escalão de formação? É promover aos seus jovens atletas um patamar competitivo que lhes permita crescer e evoluir. E é a evolução desses mesmos atletas que deve ser o principal critério de avaliação de treinadores como o João Tralhão, o Tiago Fernandes ou o João Brandão. Sendo que nalguns casos, se os treinadores mostrarem bons resultados, tanto na evolução dos seus jogadores, como na promoção de um futebol que explora as suas potencialidades, estes são promovidos a patamares superiores. Foi assim que se sucedeu nos casos de António Folha (que passou dos juniores para a equipa B do FC Porto) e de Luís Castro (que saltou da equipa B azul e branca para a Primeira Liga).

Muitos adeptos até podem pensar: “Ah, se eles já eram bons nas camadas jovens, é normal que também sejam bons na equipa B e depois na equipa principal”. Nada mais falso! Se fosse sempre assim, não existiriam promessas adiadas no futebol português e o Fábio Paim seria um craque do futebol mundial. E, pelo caminho inverso, um jogador como o Bernardo Silva (que só começou a revelar-se no seu segundo ano de júnior) nunca teria chegado onde chegou.

No entanto, como um treinador de uma equipa B deve ser avaliado? Outra coisa que muitos adeptos custam a entender é que a equipa B é também uma etapa de formação. É uma etapa que dá aos jovens jogadores um primeiro contacto com o futebol profissional que lhes permita crescer e evoluir perante jogadores mais velhos e experientes. Com isso, a função de um treinador de uma equipa B é dar continuidade ao processo levado a cabo pelos treinadores das camadas jovens. Como tal, o treinador de uma equipa B também deve ser avaliado pela forma como trabalha e potencializa os jovens jogadores que recebe.

Não são apenas os títulos e as conquistas que definem a capacidade e a competência de um treinador, principalmente de um treinador de formação. Existem vários parâmetros que devem ser tidos em conta. Mas o mais importante é que cada direção ajuste os critérios de avaliação do seu treinador àquilo que pretende da equipa, seja uma equipa para formar ou para obter resultados desportivos.

Foto de capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

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