Algo inerente ao ser humano é recolher uma primeira impressão ao conhecer uma pessoa. No mundo de futebol, muitas vezes, essas primeiras impressões são dadas não por conhecermos pessoalmente a pessoa que está no campo a dar indicações aos jogadores, mas sim, pelo que os media mostram sobre a pessoa. Mas será isso tão importante assim?

Sim, claro que sim. A figura do treinador ganha um cariz quase mitológico a partir de Mourinho. Foi este que criou o culto ao treinador, através dos “mind-games”, através da elevada importância que atribui à vertente estratégica do jogo, à verdade que o treinador podia controlar. É a partir daí que surge o treinador como figura de culto: umas vezes diabolizado, outras vezes sacralizado. A ideia é a de que o treinador é o responsável máximo pelos resultados da equipa, nada mais errado. Perdoem-me pelo cliché mas serão sempre os jogadores os principais intervenientes, não descurando a importância que os treinadores têm no jogo.

A verdade é que depois de Mourinho foram muitos os técnicos que lhe seguiram as pisadas, que tentaram entrar nos “mind-games” através da comunicação social, que seguiram as estratégias menos ortodoxas. Nada disso se alterou até aos dias de hoje. Pelo contrário, a figura do treinador enquanto personagem mediática tem ganho ainda maior relevância nos últimos tempos, muito por culpa do crescimento significativo das redes sociais e dos consumidores das mesmas.

As tiradas de Carvalhal continuam a fazer furor em terras de sua majestade. O técnico tem encantado tudo e todos na sua passagem pelo Swansea
Fonte: Swansea AFC

Com as redes sociais, todos os comportamentos menos comuns dos técnicos tendem a “viralizar” de forma rápida, acabando por contribuir para a formação de uma imagem positiva ou negativa por parte dos adeptos. Dois exemplos rápidos são os casos de Paulo Fonseca e de Carlos Carvalhal. Paulo Fonseca disse, nesta temporada, aquando da fase de grupos da Champions League, que, se o Shakthar conseguisse passar para a fase seguinte, iria-se vestir de Zorro.

Dito e feito. E a verdade é que depois disso os adeptos da equipa ucraniana aproveitaram a situação para se mascararem, tal como o seu ídolo tinha feito.  Mais recente ainda foi o caso de Carlos Carvalhal, atual treinador do Swansea. O português continua a encantar por terras de sua majestade. Desde as metáforas curiosas, passando pelas citações de Quinito, até às queijadas de nata que ofereceu à imprensa inglesa, o técnico tem feito furor em Inglaterra e é um autêntico fenómeno de popularidade.

Ora, e indo ao que interessa, o que está à vista de todos é que a comunicação é cada vez mais fundamental na figura do treinador e que o próprio treinador já percebeu isto.  A comunicação é uma das armas que os técnicos devem utilizar a seu favor e nem todos têm de ser Paulos Fonsecas, Carvalhais, Mourinhos, Klopps, entre outros. Vejamos o caso de Luís Castro, por exemplo. Um técnico que, não sendo sensacionalista nem viral, comunica como ninguém no futebol português, primando pelo respeito, pelo fairplay e cingindo-se ao fundamental, ao jogo.

Devem os treinadores continuar a usar a imprensa e as próprias redes sociais a seu favor, para a criação da personagem mediática. E esta personagem mediática, ou este uso da imprensa e da comunicação social, não deverão ser entendidos de forma pejorativa. É a evolução da comunicação que chega também ao futebol.

Foto de Capa: Shakthar FC

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