A CRÓNICA: NINGUÉM SE FICA A RIR NO ANO NOVO

No primeiro jogo do ano novo, CS Marítimo e Boavista FC, subiram ao relvado do Estádio do Marítimo, com o objetivo de entrar em 2021 com o pé direito, e tendo em conta que os ´axadrezados´ entravam para esta jornada no 17º lugar do campeonato, perspetivava-se que fosse uma boa tarde de futebol, na Madeira, com ambas as equipas em busca dos três pontos.

O jogo encetou com o pé no acelerador e depressa se viu ação nas duas áreas, mas sem grande perigo quer para Amir, quer para Leo Jardim. À passagem do minuto dez da primeira parte, eram os ´leões da Madeira´ que tomavam conta do jogo, sempre com uma boa troca de bola entre os seus jogadores e demonstrar um excelente critério no que à posse de bola, diz respeito. Mas como no futebol, tudo pode mudar a qualquer instante, foi o Boavista que teve a primeira grande oportunidade da partida, numa desconcentração de René Santos, o luso-inglês Angel Gomes, aproveitou e disparou para uma defesa apertada do guarda-redes iraniano, Amir.

Em resposta, numa transição ofensiva, os homens de Milton Mendes introduziram a bola na baliza das panteras negras, mas de pronto o árbitro Luís Godinho assinalou fora-de-jogo a Rodrigo Pinho.

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O relógio marcava os 30 minutos, e a verdade é que a qualidade do jogo tinha decaído um pouco, havendo uma maior ´batalha´ a meio-campo, com pouca ação juntos das balizas. Para os últimos doze minutos da primeira metade do encontro, a formação da AF Porto, começou a pegar mais na bola, mas nem por isso conseguia criar mais perigo.

Até final da primeira parte, o relvado do Estádio do Marítimo deu lugar a um terreno de batalha, pois era assim que se podia descrever os restantes minutos do primeiro tempo, uma tremenda ´batalha naval´, onde o espetáculo futebolístico andou algo desaparecido.

Ao intervalo, as estatísticas do encontro ditavam 58% de posse de bola para os condados do brasileiro Milton Mendes, e 42% para a equipa do professor Jesualdo Ferreira, o que não traduzia claramente aquilo que foi os primeiros 45 minutos.

Para o início da segunda metade, o Boavista veio mais determinado em provocar distúrbios no jogo maritimista, apostado em pressionar a saída de bola dos ´leões do Almirante Reis´. Todavia, o primeiro remate pertenceu aos madeirenses, pelos pés de Jean Irmer, ao qual Leo Jardim, defendeu sem grande dificuldade.

O placard teimava em não mexer e o treinador do Boavista ao vê-lo, decidiu mexer na turma do ´Bessa´, no entanto, foi o ´maior das ilhas´ que esteve mais próximo do golo com a dupla Joel-Pinho a se entender na perfeição, finalizando o internacional pela seleção dos Camarões, para mais uma boa defesa do guardião brasileiro do Boavista.

Jefferson Kibe entrou para os derradeiros 15 minutos da partida, com o propósito de desgastar a defensiva axadrezada, porém a formação do Boavista não parecia ceder, até foi quem criou a situação de maior aflição na área ´verde-rubra´.

Aos 90 minutos, o árbitro auxiliar levantou a placa de tempo extra, fazendo jogar mais sete minutos na primeira partida na ilha da Madeira em 2021, não se alterando o 0-0, até final.

 

A FIGURA

Angel Gomes – Deu um ´show´ de bola na tarde fria de domingo. Tem vindo a demonstrar jogo a jogo, o porquê de ser uma das maiores promessas do futebol europeu, e percebe-se bem porque tem esse rótulo. Joga com um perfume diferente dos outros, dos pés dele a bola sai sempre redondinha, sempre a distribuir com critério. É, aos 20 anos, um verdadeiro craque.

 

O FORA DE JOGO

René Santos – Esteve abaixo daquilo que costuma exibir. Apresentou-se algo desconcentrado para a tarde de domingo frente ao Boavista. Fez várias faltas, inclusivamente podia ter visto o cartão vermelho, e perdeu outras tantas bolas que podiam ter resultado no golo ´axadrezado´.

 

ANÁLISE TÁTICA – CS MARÍTIMO

“Na equipa que ganha, não se mexe”, parece ter sido essa a máxima que Milton Mendes utilizou para defrontar o Boavista, visto que repetiu o mesmo onze que jogou em Vila do Conde, frente ao Rio Ave.

Num sistema de três centrais, o Marítimo saía a jogar de maneira curta, desde os defesas ´verde-rubros´, com o francês Rafik a ser o alvo preferido para construir jogo no último terço.

Defensivamente era um Marítimo quase sempre concentrado, impondo-se na maior parte das vezes ao seu adversário, recuperado a bola quase imediatamente a seguir ao momento da perda.

Na segunda parte do encontro, o CS Marítimo, entrou mais expectante daquilo que o Boavista poderia ser capaz de fazer, tentando sempre controlar a profundidade dos homens vestidos de preto e branco. Mas cedo percebeu que não podia ficar apenas a ´ver´, e então fez-se ao jogo, tentando jogar em ataque organizado ou em contra-ataque.

Aos 70´minutos, Milton Mendes meteu Rúben Macedo para a saída de Rafik Guitane, com o objetivo de imprimir mais velocidade no jogo ´verde-rubro´, no entanto em nada essa opção resultou. Então, o treinador interino do CS Marítimo substituiu o central René Santos, que não esteve muito abaixo do esperado, para o lugar do extremo Edgar Costa, a fim de atacar os três pontos, em 4-4-2. No entanto, nenhuma das substituições provocou uma alteração no placard final.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Amir Abedzadeh (6)

Claúdio Winck (6)

René Santos (SC) (4)

Zainadine © (5)

Leo Andrade (5)

Marcelo Hermes (5)

Jean Irmer (5,5)

Franck Bambock (5,5)

Rafik Guitane (5,5)

Joel Tangeue (5)

Rodrigo Pinho (5)

SUBS UTILIZADOS

Rúben Macedo (4)

Jefferson Pessanha (4)

Edgar Costa (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – BOAVISTA FC

Assim como Milton Mendes, Jesualdo Ferreira também optou por repetir o onze em relação à jornada anterior.

A jogar num 4-3-3 ofensivo, o Boavista não produziu muito em termos ofensivos, mas a verdade é que foi dos ´axadrezados´ a primeira grande oportunidade do jogo, aproveitando um erro do adversário.

Defensivamente a equipa do distrito do Porto, entrou algo nervosa e demonstrava as franquezas que explicavam o facto de serem a par do CD Tondela, a pior defesa da Liga. Contudo, nas alturas os cruzamentos eram todos eliminados pelo nigerianano Chidozie.

Com o passar do tempo, o Boavista ia melhorando o seu jogo defensivo, e ia conseguindo controlar a profundidade que o Marítimo tentava dar aos seus laterais. Já ao nível atacante, sempre que tentava criar perigo era pelos pés do prodígio inglês, Angel Gomes, que tem vindo a mostrar jogo a jogo, o porquê de puder vir a ter um grande futuro.

Para a segunda metade, Yusupha Njie ficou no balneário e entrou para o seu lugar o brasileiro Gustavo Sauer, também ele um extremo. Assim, as ´panteras negras´ iniciaram os segundos 45 minutos a jogar em ataque organizado, a pressionar o seu adversário sempre que não tinha a bola.

Aos 67´minutos, Jesualdo Ferreira fez entrar Ricardo Mangas e Tiago Morais, mudando assim, ligeiramente, o desenho tático para um 4-2-3-1.

Ofensivamente, o Boavista atacava sempre através da inteligência de jogo de Angel Gomes, que parecia incansável, a trabalhar sempre em prol da equipa, quer a nível ofensivo, quer a nível defensivo.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Leo Jardim (6)

Reggie Cannon (5)

Chidozie © (6)

Cristian Devenish (4)

Yanis Hamache (4)

Show (4)

Nuno Santos (SC) (4)

Angel Gomes (6)

Paulinho (5)

Yusupha Njie (4)

Alberth Élis (5)

SUBS UTILIZADOS

Gustavo Sauer (4)

Ricardo Mangas (3)

Tiago Morais (3)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Boavista FC

Não foram colocadas questões ao técnico do Boavista, Jesualdo Ferreira

CS Marítimo

BnR: A sua equipa teve mais posse de bola, fez mais remates, o que faltou para ganhar o jogo?

Milton Mendes: O golo (risos). Nós tentamos de tudo, por dentro, por fora, jogadas de combinação, tudo. Não posso pedir mais aos jogadores, porque eles fizeram tudo aquilo que nós treinamos. Tentamos de todas as formas. Mudamos durante o jogo, metemos o Macedo e tiramos o Rafik, para fazer o movimento de dentro para fora, mas nada resultou. Queríamos os três pontos, mas o empate foi muito bom.

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